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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A profissão farmacêutica e o ensino farmacêutico em Portugal 

algumas notas e considerações por um estudante de Ciências Farmacêuticas

Permitam-me a liberdade de vir por este meio sugerir-vos a leitura de um White Paper emitido pelo Governo britânico em 2008, intitulado Pharmacy in England; Building on strenghts - delivering the future, a propósito do "aproveitamento" e da optimização das capacidades e potencialidades clínicas e do expertise técnico e científico dos farmacêuticos no âmbito da prestação de mais e melhores cuidados de saúde às populações. É interessante notar a diferença abismal com que o Governo britânico encara e trata os farmacêuticos, ou seja, como intervenientes fundamentais no sistema de saúde, comparativamente à forma como o anterior e actual Governo português (liderado por José Sócrates) tratou a classe farmacêutica portuguesa assim que iniciou funções. Não fosse a excelente organização sectorial da farmácia comunitária portuguesa, através da sua estrutura associativa, a Associação Nacional das Farmácias, que se impôs e negociou um acordo com o Governo (v. "Compromisso com a Saúde"), e este Governo, através do seu então Ministro da Saúde, Correia de Campos, teria reduzido as farmácias comunitárias a meros espaços comerciais de venda de medicamentos, desvinculando-as completamente do seu papel enquanto espaços de saúde e de prestação de serviços e cuidados de saúde à população - como sempre têm sido – e desvirtuando o carácter de profissional de saúde do farmacêutico comunitário. No entanto, infelizmente, a relação deste Governo com os farmacêuticos parece continuar congelada, se é que existe alguma relação (!) – a negociação e concretização das carreiras farmacêuticas no SNS, autónomas e definitivamente separadas da actual Carreira dos Técnicos Superiores de Saúde (que inclui uma amálgama de profissionais com diferentes formações académicas universitárias, inclusivamente biólogos, licenciados em Bioquímica, entre outras), parecem estar na gaveta da Sra. Ministra da Saúde (aparentemente apenas preocupada com as carreiras médicas), e a farmácia hospitalar e a figura do farmacêutico hospitalar, essencial ao funcionamento de qualquer unidade hospitalar, parece ter sido definitivamente remetida para a cave, ao invés de ser modernizada no sentido do desenvolvimento e da aplicação da farmácia clínica no contexto hospitalar – o que, como vários estudos têm demonstrado, tem contribuído noutros países, como os EUA, para a detecção de erros de prescrição, para a optimização da terapêutica bem como para a redução da morbilidade e mortalidade associada à má utilização de medicamentos. Estamos, portanto, perante uma realidade infeliz. Chamo também a atenção para o facto da actual classificação dos medicamentos em MSRM e MNSRM ser, a meu ver, demasiado “medicocêntrica” (passo a expressão), dando a noção de que um MNSRM é um bem de consumo que, à semelhança de qualquer produto alimentar, não precisa de um intermediário qualificado - o farmacêutico - para ser adquirido. Ora, esta questão é, a meu ver, crucial para a prática farmacêutica e para a dignificação da profissão farmacêutica portuguesa, sendo urgente que seja feita pressão sobre o Governo para a criação de uma terceira lista de medicamentos, à semelhança do que sucede, p.e., no Reino Unido, sendo estes de venda exclusiva em farmácias comunitárias sob indicação expressa do farmacêutico comunitário (aqui incluo anti-inflamatórios não esteróides, antitússicos, expectorantes, laxantes, inibidores da bomba de protões, antiácidos, antibacterianos, antifúngicos, antihistamínicos, inibidores enzimáticos – p.e., orlistato - triptanos, vasoconstritores nasais, entre outros, independentemente da dosagem). Aproveito também para referir um assunto que, na minha perspectiva, merece a maior atenção e que se prende com o número de cursos de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e com o número de vagas para os mesmos (actualmente, cerca de 900, não contando com as vagas abertas para os concursos especiais), bem como para a qualidade formativa dos futuros farmacêuticos portugueses – como se sabe, o curso foi reduzido de 6 para 5 anos de forma aparentemente unilateral, contrariando as recomendações do grupo de trabalho nomeado para a adaptação do curso ao Processo de Bolonha, não sendo, na minha perspectiva, essa redução benéfica para o ensino farmacêutico nem para a competitividade do farmacêutico no mercado de trabalho face a determinadas classes profissionais/cursos satélite. Apelo assim aos caros colegas (e futuros colegas), que desempenham cargos de direcção nas estruturas associativas, que intervenham junto das estruturas governamentais competentes e junto da sociedade civil em geral, quer de forma directa, ou através da emissão de comunicados, demonstrando as preocupações e as recomendações dos futuros farmacêuticos sobre o panorama da Saúde em geral, e do sector farmacêutico em particular, com especial enfoque no papel essencial do farmacêutico – da farmácia comunitária à indústria farmacêutica – em qualquer sistema de saúde, papel esse que não pode ser menosprezado pelo poder político, como tem sido pelo Governo de José Sócrates, mas sim aproveitado e optimizado.


Ricardo M. Oliveira - Estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Peliteiro,   às  22:19

Comentários:

 

Exame de acesso à Ordem já para nivelar a qualidade por cima. É inadmissivel que cursos recentes e seculares estejam completamente deturpados.
Nos dois casos mais flagrantes, começo pela FFUC que já não torna mandatário o estágio em hospitalar! E pior ainda, o curso na faculdade de ciências e tecnologia da Ualg (note-se que de saúde não tem nada), coordenado por uma engenheira química que não tem nenhuma noção do que é ser farmacêutico, tem o plano de estudos mais desadequado de todos. Quantidades abismais de química, 3 orgânicas, 4 bioquímicas (!!!) entre outros disparates. Depois vamos ver matérias aplicadas e temos uma tecnologia farmacêutica (!!!), não tem farmacocinética, e apenas uma farmacoterapia!
Isto não é um curso de ciências meus amigos!

 

 

 

É imperativo criar a 3a classe de medicamentos (os P Medicines do UK)! Como é que um medicamento passa de MSRM para VENDA LIVRE como o Orlistato (Xenical) recentemente??

A não existência de uma classe de medicamentos de venda exclusiva sobre supervisão de um farmacêutico é uma total falta de respeito para com a classe e um perigo para saúde pública
# por Anonymous yevgeny : sexta-feira, fevereiro 12, 2010

 

 

 

Olistato 60 mg (Alli - GSK) à venda em qualquer "Espaço Saúde" Continente perto de si. E no spot publicitário ao mesmo ainda dizem, citando de memória: "Se quer emagrecer, fale com o seu farmacêutico". Pois... Mas farmacêuticos nos ditos espaços de saúde é que nem vê-los. É o resultado da política do medicamento de José Sócrates...
# por Anonymous Anónimo : sábado, fevereiro 13, 2010

 

 

 

*Orlistato.
# por Anonymous Anónimo : sábado, fevereiro 13, 2010

 

 

 

Queria apenas fazer um comentário ao primeiro comentador o "Anónimo" de 12/02.

A directora do curo de CF da FCT-Ualg é doutorada em Bioquímica pela Universidade de Lisboa.

Quanto ao planto de estudos. Uma das bioquímicas que fala é Bioquímica Clínica que me parece ser bastante relevante no acto farmacêutico. Engana-se ao dizer que são três QO, são quatro (uma delas QO Farmacêutica). Se acha que uma formação sólida em Química é um disparate no contexto de um farmacêutico... então talvez esteja a "pregar para os peixes".

Mais uma vez é impreciso no que toca às "matérias aplicadas". Existem três cadeiras de TF, sendo duas delas obrigatórias e uma facultativas. Nas obrigatórias temos Farmácia Galénica e TFI e nas facultativas temos TFII. Engana-se ao dizer que não existe farmacocinética pois existe mesmo sendo facultativa. De notar que todas as cadeiras facultativas que acabei de referir foram dadas a todos os alunos de 5º ano, o que dá um novo sentido ao termo facultativo.

Ainda às matérias aplicadas pergunto-lhe se: Farmácia Clínica, Dermofarmácia, Farmacogenómica, Saúde Pública, Farmacolocias I e II, Farmacognosia I e II, Fisiopatologia, várias Microbiologias (conto quatro) não serão matérias aplicadas?

Pergunto-lhe ainda se não acha Genética (conto duas), Toxicologia (novamente duas), Química Analítica (conto três), Imunologia e Hematologia são áreas de estudo dispensáveis.

No currículo de CF na FCT-Ualg apenas vejo duas unidades curriculares que me parecem mais "deslocadas" que são Inglês Técnico e Introdução à Computação.

Como tentei demonstrar o curso não me parece ser tão pouco ajustado como diz. Pediria-lhe concretizar um pouco mais essa ideia.

Quanto ao facto de o curso de CIÊNCIAS Farmacêuticas não ser um curso de ciências... enfim, parece-me que o nome fala por si mesmo.

Cumprimentos,
Pedro Pinheiro

PS: Para aos que ainda poderia ter dúvidas, sim sou aluno de CF na FCT-UAlg
# por Anonymous Pedro Pinheiro : domingo, fevereiro 14, 2010

 

 

 

Caro Peliteiro, isto foi um texto que lhe foi enviado? É que como não encontro nenhum link ao autor do texto, fiquei curiosa.

Em comentário ao texto gostaria de dizer duas coisas, na qualidade de farmacêutica a estudar e trabalhar no Reino Unido. (Não trabalho em comunitária, nem em hospitalar, mas estou ligada ao ramo académico)

1 - Lamento dizer que desde o primeiro dia em que me inteirei de como os farmacêuticos são formados aqui no Reino Unido, sempre achei que saem mal preparados. O que aprendem é no seu ano de estágio, aqueles que o fazem, pois não é obrigatório para quem não queira seguir farmácia comunitária ou hospitalar. Têm quatro anos de curso, mestrado, sem metade da bagagem teórica e prática que nós temos em Portugal (em qualquer universidade).

(isto leva-me ao ponto 2) -
É, então, muito interessante que a profissão esteja tão bem legislada, controlada e sobretudo, definida em termos de funções e no seu papel na sociedade.
Isto deve-se sobretudo à ordem profissional. Deve-se ao modo como as funções estão definidas. O farmacêutico confirma o que é prescrito ao doente, confirma o que vai ser dispensado ao doente e, se for caso, esclarece o doente.
O farmacêutico não vende pastas de dentes. Não tem de vender a banha da cobra. Não é obrigado a fazer encomendas nem a escolher que genérico vai substituir o medicamento de marca.

Isto, na minha opinião, também dever-se-á desenvolvido face ao crescimento das farmácias como lojas no Reino Unido. As lojas são de saúde, vendem todos os artigos de saúde (possíveis e até incluem outros serviços, como revelar fotografias...). O que significa que a mão de obra barata tem 90% participação no bolo dos "empregados", mas os serviços que prestam ajudam a pagar a mão-de-obra qualificada e essencial a manter a loja aberta. Sem farmacêutico, não há farmácia, não há dispensa dos medicamentos. Mas o utente pode ir comprar o seu champô na mesma...

Por conseguinte, porque os farmacêuticos são deixados à sua verdadeira competência, podem dar-se ao luxo de se focar naquilo que fazem, fornecer melhores serviços farmacêuticos e sobretudo, podem fazer-se valer dos seus direitos.

Para concluir, a minha opinião é que em Portugal o farmacêutico (comunitário e não só) é visto como mão de obra qualificada mas tão versátil que pode facilmente aceitar dividir-se em tarefas farmacêuticas e não farmacêuticas.

Cabe aos próprios profissionais estabelecerem essas fronteiras. Até quando é que vamos deixar que nos vejam como vendedores de medicamento?

Em adenda, não percebo muito bem a opinião do autor quanto à criação de uma terceira lista de medicamentos não sujeitos a receita médica. Incluir nessa lista medicamentos inibidores da bomba de protões ou antibacterianos como MSNRM mas de controlo farmacêutico? Isso só irá confundir os utentes!...
A criação das parafarmácias também só serviu para confundir os utentes. {Felizmente, há muitos farmacêuticos que podem estar felizes de terem uma migalha do bolo que é o negócio de vender produtos de saúde...}

Toda essa discussão de MNSRM e parafarmácias só serve para provar o quanto desinformados são os nossos legisladores. Copiam os "estrangeirismos" mas não vêem o contexto no qual esses conceitos estavam inseridos.
# por Blogger Andie : segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 

 

 

Cara Andie, sou eu o autor do texto e sou estudante do 4.º Ano do MI em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

É sabido que a formação em saúde em Portugal (em várias áreas) é bastante completa e até superior àquela de vários países ditos na "linha da frente" (Reino Unido incluído. Por isso é normal que fiquem até bastante surpreendidos com a nossa "qualidade". De qualquer modo, será que o que nós "aprendemos" em Portugal, por mais bagagem teórica e prática que tenhamos desde o 1.º ano do curso, das químicas não aplicadas às farmacoterapias e farmácia clínica, não é nos 6 meses de estágio curricular? E não me escandaliza assim tanto que quem não queira seguir farmácia comunitária ou hospitalar não seja obrigado a fazer o estágio.

Quanto à terceira lista de medicamentos, não é apenas uma ideia minha, é também defendida pela Ordem dos Farmacêuticos e a ideia foi apresentada e reforçada pelo Sr. Bastonário à Comissão Parlamentar de Saúde recentemente.

Já agora, aqui está a definição britânica da mesma:

"PHARMACY MEDICINES

Only pharmacies may sell these medicines, and a pharmacist must make or supervise the sale.

You’ll usually be asked if you have any medical conditions or take any other medicines, to check that it’s safe for you to take the medicine. For example, some nasal decongestant medicines can raise your blood pressure, so you’ll be asked if you have high blood pressure before being sold the medicine.

Some pharmacy medicines may only be sold if the pharmacist is satisfied that you meet the criteria for that medicine. For example, emergency contraception (the morning after pill) may only be sold to the woman who needs it, and she must be over 16.

Sometimes, the pharmacist may suggest that you see your GP. For example, if you’ve used clotrimazole pessaries for vaginal thrush more than twice in six months, you should see your GP so they can decide whether this is the most appropriate treatment."

(ver http://www.nhs.uk/chq/Pages/1325.aspx?CategoryID=73&SubCategoryID=101)

Não sei porque motivo iria isto confundir os doentes. A meu ver é uma questão, antes de mais, de saúde pública, em prol dos doentes! Uma vez que o Governo decidiu unilateralmente pôr MNSRM à venda fora das farmácias (nas ditas "parafarmácias" e, logo, fora do alcance da indicação e supervisão farmacêutica, é imperativo que, entre esses mesmos MNSRM, se faça uma distinção clara ente aqueles que podem ser vendidos pela menina do "Espaço Saúde" do Continente e aqueles que só devem ser dispensados mediante avaliação indicação e/ou supervisão do farmacêutico em farmácias comunitárias.

Cumprimentos,
RMO
# por Anonymous Ricardo M. O. : segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 

 

 

PS: Em relação aos "Pharmacy Medicines" é exactamente aquilo que sucedia antes do Governo de Sócrates ter avançado com a criação das parafarmácias... Enquanto futuro farmacêutico custa-me passar por um desses locais e ver pessoal inqualificado, sem a presença permanente de um farmacêutico, a distribuir AINEs, vasoconstritores nasais, orlistato, etc. Daí reafirmar que é uma questão, antes de mais de saúde pública.

Diz a Andie que "toda essa discussão de MNSRM e parafarmácias só serve para provar o quanto desinformados são os nossos legisladores."

Verdade. Se assim não fosse, agora ninguém estaria a falar numa terceira lista de medicamentos de venda exclusiva em farmácias.

Cumprimentos,
RMO
# por Anonymous Ricardo M. O. : segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 

 

 

Quando li o comentário referente à Ualg fiquei estupefacta. A ser verdade, uma coordenadora de um curso de farmácia eng química doutorada em bioquímica é extremamente grave. Um EngQ não tem qualquer noção do que é a profissão farmacêutica nem de que modo a formação se enquadra no exercício profissional, o que justifica o "aborto" que é o plano curricular (ainda não conhecia).


O curso de Ciências farmacêuticas como diz o aluno da fct, não é um curso de ciências, é um curso de saúde pelo MCTES e o farmacêutico é um profissional de saúde segundo o MS. O desconhecimento disto só anui em prol do argumento construido pelo primeiro comentário, de que a fct não tem capacidade formativa para o curso de CF. Isto comprova a natureza humana de defender o que é seu, ainda que errado, pois devem ser poucos os que não estudam na ualg que acham o plano curricular adequado.

Tenho contactos no mundo académico e já sabia que o curso é pobre em pessoal especializado (vulgo farmacêuticos), e que os poucos que tem, provêm da fful.

Acha, que numa altura em que o paradigma da profissão se encontra sob alteração, faz sentido a quantidade de cadeiras propedêuticas que essa escola tem? Numa altua em que a farmácia clínica, a farmacoterapia e o farmacêutico na sua vertente clinica, tomam um crescente peso na saúde, acha que faz sentido a quantidade absurda de químicas, farmacogenéticas e toxicologias que esse curso tem em DETRIMENTO de cadeiras aplicadas dadas,de facto, por farmacêuticos? O curso de CF, assim como o de medicina, são nada mais do que um TACHO e uma fonte de rendimento para uma universidade prestes a cair numa falésia de endividamento.

Duas bioquímicas básicas e uma aplicada (clínica) é razoável, 3 básicas não. Duas QO básicas é razoável, 3 não. Todos os curso têm uma farmácia galénica e três tecnologias (das poucas cadeiras especificamente farmacêuticas e exclusiva da profissão), a Ualg tem uma galénica e uma tecnologia obrigatória. Duas a três farmacologias existem em todos os curso de CF, assim como duas farmacoterapias.

Entenda uma coisa, as matérias básicas servem de preparação para matérias aplicadas. As químicas em CF têm o propósito de prepararem o aluno para o futuro entendimento das químicas farmacêuicas e tecnologias. Qual é a lógica de tanta química quando depois não lhes dão uso quando chega a hora nas cadeiras aplicadas?

Não posso tirar outra conclusão se não a de que o plano curricular é um aborto juridico, as materias básicas servem de tacho para os docentes não farmacêuticos da FCT em detrimento de materias aplicadas (dadas por farmacêuticos de fora, e como tal, roubam o tacho aos docentes da fct, daí terem no seu plano curricular apenas as unidades curriculares minimas previstas num Decreto-Lei desactualizado).

A escola dos técnicos do algarve tem um plano que permitiria preparar melhor "farmacêuticos" do que a propria Ualg.


Carkla Ribeiro.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 

 

 

Exame de acesso à Ordem, precisa-se.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 

 

 

Ricardo,

obrigado pelo comentário.

Eu acho que tinha percebido mal quanto à natureza da terceira lista.

No entanto, acho que essa terceira lista é um "remédio" (não há outra palavra para isto) para resolver mais uma bela bacorada que o Governo fez.
Mais uma vez reforço que todo o sistema de criação de lista de MNSRM foi mal adaptado e pensado em Portugal.

até ao próximo comentário! :)

Andrea
# por Blogger Andie : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

Respondendo ao comentário da Carkla Ribeiro,

1º Quando se fala de coordenadora de curso sinceramente não sei a que se refere. Não compete à directora fazer escolhas sobre o plano de estudos mas, resolver alguns problemas pontuais e garantir que tudo funciona como previsto. O curso não foi coordenado por ela (se por coordenado entende planificado) e as alterações que foram feitas (em 2007) foram alvo de proposta ao Senado e penso que a pode consultar no site da Ualg. A directora de curso é, como disse, doutorada em Bioquímica se é licenciada em Eng. Química confesso-lhe que não sei. Acrescento que, como investigadora, tem vindo a desenvolver estudos na área da farmácia, nomeadamente na área da farmacogenómica logo, não me parece que seja uma elemento estranho a essa “ciência”.

2º O meu comentário sobre ser ou não um curso de ciências foi mal interpretado. É evidente que se trata de um curso de saúde contudo, não é um curso “qualquer” (ver medicina, enfermagem, ou outros) porque tem à partida uma componente cientifica muito forte, nomeadamente na área da Química.

3º Não tenho por hábito defender apenas "por gosto". Baseio as minhas opiniões em factos objectivos e neste caso, os factos apresentados pelo primeiro comentador estavam simplesmente errados. Não tenho qualquer problema em admitir que o curso tem várias fragilidades que devem ser corrigidas. De lembrar que é um curso que está este ano a completar o seu primeiro ciclo de formação pelo que terão, como é obvio, de ser feitos os devidos ajustes. Quanto ao serem poucos os que fora da minha academia defendam o curso... não tenho estatísticas logo, não posso comentar. O que vejo é uma forte posição contra a abertura de novos cursos levando a um aumento significativo do número de vagas. Penso ser essa posição que move algumas criticas contra a universidade. Só de referir que concordo com a premissa ainda que ache que as vagas deveriam ser reorganizadas, mas é outro assunto que não cabe no âmbito desta discussão.

4º Existem professores farmacêuticos na FCT-Ualg para além dos professores convidados da FFUL. Dando o exemplo das TF, estas são leccionadas por doutorados em TF (como é evidente) e fazem parte dos quadros.

5º Temos de ter atenção em não comparar apenas o número de unidades curriculares mas, também o número de créditos. Comparando com a FFUL vemos que apenas temos mais 1 ECTS a QO (a FFUL tem duas QO cada uma com 7 créditos contrapondo às 3 QO com 5 ECTS na Ualg) na questão da Bioquímica a situação é semelhante tendo nós 15 créditos e a FFUL 12 ECTS. Parecem-lhe discrepâncias significativas?

(continua)
# por Anonymous Pedro Pinheiro : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

(continuação)

6º A Ualg tem, de facto, menos cadeiras de TF. Na prática temos 3 cadeiras comparando com as 4 da FFUL e temos um número de créditos inferior. Neste ponto acho que tem toda a razão e esta é uma área a ser corrigida no futuro e já tem vindo a ser debatida.

7º Bate novamente na tecla da "tanta química". Na Ualg temos 10 cadeiras de Química (estou a excluir as BQ desta comparação), na FFUL existem 8. Se compararmos o total de ECTS vemos que na FFUL "as Químicas" valem 54 ECTS e na Ualg apenas 50 ECTS. Novamente, parece-lhe uma discrepância significativa?

8º Queria deixar claro que não acho que o plano de estudos da Ualg seja perfeito, muito longe disso. Tem várias falhas que têm de ser corrigidas e é dever dos alunos tentar que isso se faça. Contudo, penso que grande parte dos comentários ao mesmo tempo que levantam problemas reais caem em mistificações que não passam, penso eu, de algum preconceito e falta de informação.

9º Sobre a questão de um exame de acesso à Ordem.... sou totalmente a favor. Parece-me ser a única forma de, numa profissão altamente regulada, garantir que cada profissional cumpra determinados mínimos. Também não penso que actual sistema de acreditação (e o futuro, já agora) ao acreditar cursos e universidades consiga garantir esse requisito.

Cumprimentos,
Pedro Pinheiro

PS: Peço desculpa ao autor do “post” por este flagrante desvio ao seu conteúdo mas, como entenderá, não posso deixar passar sem resposta (e algum debate) comentários que vão directamente contra a instituição que frequento baseando-se em algumas premissas que considero erradas.
# por Anonymous Pedro Pinheiro : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

Olá Andie,

Venho só rematar uns pontos relativamente a um comentário que fiz atrás:

"É sabido que a formação em saúde em Portugal (em várias áreas) é bastante completa e até superior àquela de vários países ditos na "linha da frente" (Reino Unido incluído). Por isso é normal que fiquem até bastante surpreendidos com a nossa "qualidade". De qualquer modo, será que o que nós "aprendemos" em Portugal, por mais bagagem teórica e prática que tenhamos desde o 1.º ano do curso, das químicas não aplicadas às farmacoterapias e farmácia clínica, não é nos 6 meses de estágio curricular? E não me escandaliza assim tanto que quem não queira seguir farmácia comunitária ou hospitalar não seja obrigado a fazer o estágio."

Com isto quero dizer que nós temos imensa bagagem teórica e prática, sem dúvida, mas essa bagagem prática é essencialmente laboratorial - esta é extremamente relevante, por motivos óbvios, tendo em conta as áreas de actividade farmacêutica (indústria, análises clínicas, análises toxicológicas e afins). De realçar, no entanto, que a actividade farmacêutica no domínio das análises clínicas, salvo erro, não é universal, mas restringe-se por motivos históricos a determinados países (aqui na Europa: Portugal, França, Espanha, Bélgica, dos que me recordo). Mas e a clínica? Em termos de clínica (cuidados farmacêuticos, p.e.), o contacto durante o curso (excluindo o estágio curricular) é reduzido e aquela que temos é sobretudo através de estágios/workshops/etc. extracurriculares. Eu ainda estou no 4.º ano, por isso não posso falar em concreto sobre o estágio curricular, mas presumo que seja aí que tenhamos, de facto, algum contacto mais clínico durante a nossa formação (quer em comunitária, obviamente, quer em hospitalar). Talvez um maior contacto com a clínica, algo cada vez mais preponderantes em várias áreas de actuação do farmacêutico (farmácia comunitária e hospitalar), mais precocemente no curso fosse desejável futuramente. Avaliando os currículos dos cursos que formam farmacêuticos nos EUA e no Reino Unido, noto precisamente isso - há um investimento maior e mais precoce nas competências clínicas do farmacêutico. Mas talvez isso também se deva ao facto de em Portugal essa realidade, sobretudo ao nível hospitalar (estou a excluir a farmácia comunitária, que está a evoluir favoravelmente) ainda não ser equiparável à desses mesmos países...

(CONTINUA)
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

EUA - pelo menos 2 anos de "Pré-Pharmacy" (semelhante a um ciclo básico, com disciplinas propedêuticas e de pré-graduação) seguidos de 4 anos de um programa conducente ao grau de PharmD, necessário para exercer a profissão de farmacêutico (portanto, um total de 6 anos) - exemplo: http://www.utexas.edu/pharmacy/general/pharmdcurriculum.html (PharmD program)

Reino Unido - MPharm que permite aceder ao "pre-registration training year" (5.º ano), por exemplo: http://www.kcl.ac.uk/prospectus/undergraduate/details/name/Pharmacy/alpha/p/header_search/ [TEACHING STYLE King's MPharm programme has been designed to integrate the teaching of fundamental science with the practice of pharmacy, with interdisciplinary teaching from other departments and outside experts from industry and hospital pharmacies.]

França - 6 anos conducentes ao grau de Docteur en Pharmacie, necessário para exercer: como exemplo, o curso da Paris5: http://www.pharmacie.univ-paris5.fr/spip.php?article2021 [2e année — Le programme de la 2e année inclut un stage officinal et une partie de la formation commune de base (répartie sur les 4 premières années) comportant des enseignements théoriques, des travaux pratiques et des enseignements dirigés. — Le stage officinal est d’une durée de 6 semaines, il doit être effectué avant le début de la 3e année. Le stagiaire est initié à la dispensation de médicaments et reçoit une formation dans les domaines de la posologie, de la reconnaissance des produits, de la législation et des préparations officinales.]

Se calhar, pensando bem, os nossos cursos é que estão um pouco desfasados da mudança de paradigma da profissão farmacêutica e se calhar os actuais planos de estudo deviam ser repensados em alguns aspectos. E o facto de, por decisão unilateral do Governo de Sócrates, nos terem reduzido o curso de 6 para 5 anos (contrariamente às recomendações do grupo de trabalho dirigido pela Prof.ª Irene Silveira) para além do facto de em algumas faculdades (FFUC) o estágio em hospitalar não ser obrigatório, só vem piorar a situação...

Como já foi referido, concordo absolutamente com um exame de acesso à Ordem - só assim será possível nivelar a qualidade formativa dos futuros farmacêuticos.

Cumprimentos,
RMO
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

Um Eng. Químico/biólogo/médico/bioquímico/matemático por muito que investigue a enzima X que metaboliza o fármaco Y e as suas variações interpopulacionais, nunca saberá, nem terá a minima noção do que é ser farmacêutico ou do que a formação base necessária é, porque não foi formado como, nem para tal. Sabe(m) lá ele(s) o que é a farmácia comunitária, hospitalar, industrial, análises clínicas. Sabe(m) lá ele(s) o que é ser farmacêutico ou das viscissitudes profissionais. Tenham noção...
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, fevereiro 16, 2010

 

 

 

quanto ao comentário anterior ao meu (por Anónimo) - sinceramente acho que cada um tem a experiência na sua área e certamente sabe aplicá-la. Quando vou a uma unidade de investigação e desenvolvimento numa indústria farmacêutica, se procurar quantos são farmacêuticos, a resposta será sempre um valor mais baixo do que o esperado (bom, digo esperado porque obviamente pensamos que naturalmente haverá farmacêuticos a fazer investigação numa indústria... farmacêutica).

Na realidade, cursos como bioquímica, química, física-química, biologia, etc etc... têm a vantagem (para o empregador) de serem tão focados na respectiva área. O farmacêutico estuda uma panóplia de disciplinas e ainda as conjuga todas em farmacologia, farmacoterapia, etc etc... Mas em termos práticos, técnicos ("hands on"), o farmacêutico não tem todo o desenvolvimento.

Mas aí é que está a beleza de um BOM curso de farmácia: ensina-nos a base para que possamos continuar e estudar mais aprofundadamente. Além disso, ensina-nos a ver o "produto final" como uma utilidade. Algo que tem o objectivo de funcionar como um fármaco. Algo possível de ser transformado num fármaco.

Na realidade, os farmacêuticos, com o seu background multidisciplinar conseguem ter uma visão geral. A ciência tem tendência em não ser tão fundamental e muito mais aplicada.

E é disto que toda a gente não farmacêutica quer um bocadinho!

Já ouvi vários profissionais da indústria (em investigação e desenvolvimento) a dizer que hoje em dia, as empresas tentam ensinar o conceito "farmacêutico" aos seus químicos, bioquímicos, biólogos... etc.

Do meu ponto de vista, farmácia foi e sempre será multi disciplinar. A componente prática continuará sempre a ser dividida na multiplicidade de tarefas que um farmacêutico licenciado deveria ser compentente: farmácia hospitalar, comunitária, indústria, análises clinicas ou mesmo todo o trabalho de burocracia que a indústria (e não só) acarreta.

É muito difícil criar um currículo que seja tão compatível com as múltiplas saídas profissionais que um licenciado em ciências farmacêuticas pode ter.
(em todos os países, há sempre uma universidade cuja faculdade de farmácia é mais dedicada à indústria - mais práticas - ou então é mais dedicada à comunitária - mais componente clínica....)

QUeria também referir outro ponto: não devem existir muitas mais licenciaturas em Portugal cuja absorção de recém-licenciados no mercado de emprego seja tão rápida como a de ciências farmacêuticas.
No entanto, muitos não querem ficar em comunitária.
E eu acho que isto é um ponto muito interessante (cheio de pano para mangas!) para discutir.
Claro que o número de vagas em f.comunitária supera o número de vagas disponíveis em qualquer outro ramo de farmácia. No entanto, nem que seja pela minha experiência,

Será que aumentar uma componente clínica iria contribuir para uma mudança nesta vertente?
# por Blogger Andie : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Também comentei, mas aqui.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Andie,

Eu também acho que o curso deve sempre manter a sua estrutura multidisciplinar e de banda larga, sem dúvida, cobrindo todas as áreas de actividade do farmacêutico - indústria, análises, farmácia comunitária, farmácia hospitalar, etc. Mas tendo em conta a evolução natural da profissão ao longo dos anos, talvez diminuir mais a carga das químicas não aplicadas (mantendo as necessárias para perceber matérias aplicadas como química farmacêutica e tecnologia farmacêutica, p.e.), e aumentar mais a carga da fisiologia e patologia e, sobretudo, o contacto clínico (com doentes) durante o curso, com períodos de estágios, fosse uma mais-valia formativa. Até porque, apesar da indústria farmacêutica ser uma área de actividade farmacêutica (produção, assuntos regulamentares, etc.), é a farmácia comunitária e a farmácia hospitalar, globalmente, que levam a maior fatia de farmacêuticos - e nós temos apenas 6 meses de estágio... E também lamento que tenhamos apenas 6 meses de estágio e que este estágio seja apenas no âmbito de duas áreas de actividade... Mas estamos em Portugal.
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Adenda: estágio em duas áreas de actividade, salvo seja... Porque já não há hospitais para tantos alunos. Presumo que seja essa a razão pela qual na FFUC, p.e., actualmente o estágio em farmácia hospitalar não ser mandatório.
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Vou responder em relação à situação na UAlg. Informem-se correctamente antes de dizerem os disparates que dizem. Sim a actual Directora de curso é Licenciada em Química e tem um Doutoramento em Bioquímica. Trabalha actualmente no CBME e faz publicações de qualidade em revistas importantes na área da Farmacogenómica. A nossa sub-directora é Farmacêutica. Para que é preciso um director? Para nos ouvir e zelar pelos nossos interesses, se for farmacêutico mas não fizer isso, não interessa. Temos um corpo docente, incluindo farmacêuticos, que trabalham em conjunto para nos servir nos casos mais específicos, não é um director que faz um curso, poupem-me. Se você acha que a área da farmacogenómica e biologia molecular não é importante no estudo dos fármacos e todos os parâmetros associados (farmacocinéticos por exemplo) é bom que se vá actualizar, porque após o genoma humano ter sido publicado houve avanços, e tudo que influencia o ADME tem uma base genética. Ser farmacêutico não é só saber que princípio activo X serve para Y, ser farmacêutico é saber muito mais. Há uma Tecnologia Farmacêutica e uma Farmácia Galénica, cuja matéria dada é semelhante às várias de muitos currículos que menciona (mostro-lhe o conteúdo programático se assim o quiser). Além de que ainda há mais uma Tecnologia Farmacêutica sim (preparação de citostáticos e nutrição artificial).

Há três Bioquímicas base porque a estruturação em módulos assim o obriga, no plano em semestres antigo eram somente duas. Como o meu colega referiu, e bem, o número de ECTS é semelhante, como também no caso das químicas. Curioso é nós partilharmos boa parte do corpo docente da FFUL, e, inclusive, os nossos resultados serem superiores aos deles, talvez seja sinal que a nossa formação base não seja assim tão má. E sim, tivemos Farmacocinética. Curioso não referir o facto de na FFUP também ser opcional. No entanto considero fundamental e espero em breve que esteja no tronco obrigatório. Não mandem postas de pescada para o ar sem saber o que se passa realmente. Sou totalmente a favor do exame de acesso à ordem, pode ser que deixem de haver estes preconceitos e possamos afirmar que na UAlg também temos qualidade. Adorava, era já, tenho confiança na óptima formação que me ofereceram. Podia pegar em mais, mas não vale a pena.

Só acabo dizendo que tive muitas e boas aulas dadas por farmacêuticos excelentes que nos colocam a par de tudo do mundo farmacêutico, desde INFARMED, Directores de serviços de Análises Clínicas, Serviços Farmacêuticos Hospitalares, Especialistas em Nutrição Parentérica,Colaboradores da EMEA, estivemos na Ordem dos Farmacêuticos, INFARMED, Hospitais, Farmácias comunitárias, jornadas de Farmácia comunitária, organizamos colóquios acerca da profissão farmacêutica, etc etc. Se há quem tenha orgulho desta profissão e em ter a melhor formação possível para manter esta de pé, somos nós. Utopias de cursos e planos curriculares não existem, vão-se tentando construir à medida que se detectam os erros (o curso abriu há 5 anos, queriam o quê o jardim do éden farmacêutico?). Não façam comentários não fundamentados.
# por Anonymous JF : segunda-feira, fevereiro 22, 2010

 

 

 

Esqueci-me de dizer que a minha directora de curso (CF, na UAlg) já deu aulas também na FFUL, por isso o meio farmacêutico não lhe é assim tão desconhecido.

Agora eu lanço uma pergunta? Também acham normal uma cadeira de matemática ou de bioestatística, por exemplo, ser dada por farmcêuticos, ou profissionais que são da área, publicam nessa área e adequam o conteúdo às ciências farmacêuticas? É que um professor de matemática ser farmacêutico, para mim, desculpem-me, mas também uma situação bizarra, tal como acontece em muitas clássicas.

Porque é que não olham para os planos de estudos de algumas clássicas? Também encontro muitos defeitos.

Confirmo que na UAlg haja necessidade de alguns ajustes, mas as clássicas também necessitam. Um plano de estudos não se descreve pelo nome, mas sim pelo conteúdo intrínseco a esse nome e pelo docente que lecciona.

Mas sinceramente, a maior culpa de tudo isto foi a redução do número de meses do curso... Se calhar não haveria planos tão "aberrantes" como para aí dizem.

Mas sim, que venha daí um exame coerente e demonstrativo das capacidades de cada um (nada disso que acontece em medicina de acesso) que realmente separe o trigo do joio e permita o acesso à Ordem. Cá estarei para demonstrar as minhas capacidades em pé de igualdade com os meus colegas das outras faculdades... Quem sabe não surgiriam surpresas nos resultados e os pequeninos com estudos aberrantes não fossem assim tão incompetentes por estudarem numa FCT.
# por Anonymous JF : segunda-feira, fevereiro 22, 2010

 

 

 

Antes de mais nada gostaria de felicitar os meus colegas da UAlg pelas respostas elucidativas da realidade, e acima de tudo baseadas em fundamentos reais e nunca em suposições, ao contrário dos restantes autores dos anteriores posts.
Visto que as capacidades das pessoas não se avaliam por determinados títulos, mas sim pelas suas capacidades individuais, adquiridas através de formação contínua, quem melhor que o próprio representante da classe farmacêutica para reconhecer o prestígio académico de determinada personalidade, chegando mesmo ao ponto de o Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos se fazer representar pela "tal licenciada em Química".

Deixo-vos aqui o link para começarem a informar-se melhor:

http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid/ofWebInst_09/defaultArticleViewOne.asp?articleID=3405&categoryID=1492
# por Anonymous RC : segunda-feira, fevereiro 22, 2010

 

 

 

Parece-me notar alguma sobranceria neste último comentador. Se assim é, não tenho pena nenhuma de daqui a algum tempo estar a cumprir ordens de um merceeiro qualquer e a receber uns mil euritos.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : terça-feira, fevereiro 23, 2010

 

 

 

O problema é que muitos farmacêuticos não respeitam a profissão, nem os colegas, nem a si próprios.

Digam-me lá, dêem-me um exemplo - um, basta um - de uma licenciatura profissional em que o director do curso (ou coordenador, se quiserem) não seja licenciado nessa mesma área. Um.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : terça-feira, fevereiro 23, 2010

 

 

 

Que assim seja:

Universidade da Beira Interior: Director de Curso: António José Geraldes de Mendonça. Segundo a Lista de Pessoal Docente ao abrigo do Decreto-Lei n.º 15/96, de 6 de Março: Licenciado em Química;

FCTUC: logo o primeiro curso. Antropologia: Coordenadora
Ana Maria Gama da Silva. Segundo a Lista de Pessoal Docente ao abrigo do Decreto-Lei n.º 15/96, de 6 de Março: Licenciada em Biologia.

Passando até para o estrangeiro: Kenneth L. Audus, Ph.D.
Professor and Dean, School of Pharmacy. "Kenneth L. (“Ken”) Audus holds a B.S. degree in Chemistry from the University of
South Dakota in 1980 (...)"

Se me pusessem um director de Curso Engenheiro Civil eu até poderia compreender tanta indignação.

Meus caros, nós temos Farmacêuticos no corpo docente (a sub-directora é farmacêutica!), mas porquê escolher um para ocupar o cargo de coordenador quando dispomos de pessoas mais capacitadas, audazes, empenhadas e provavelmente conhecem melhor o mundo farmacêutico do que muitos dos tais "professores de aviário" referidos? Ela trabalha em cooperação com o restante corpo docente farmacêutico, e sempre que precisar de ajuda, com certeza a pedirá.

Se me derem uma razão que demonstre que eu serei incapacitado intelectualmente em relação a outros pelo facto da minha Directora de Curso ter o grau académico que tem, eu serei o primeiro a dar a mão à palmatória.

Se não melhorarem as condições dos laboratórios, das salas de estudo, do rácio alunos/professor, a qualidade dos docentes, etc, aí sim, eu acredito que a minha formação esteja comprometida, não pela licenciatura do DC.

O elitismo deve ser saudável, não exagerado ao ponto de fazer esta tempestade. E acreditem que sou defensor acérrimo dos farmacêuticos e todos os seus interesses.

Só espero que mais tarde, eu ou algum do meus colegas, dê cartas como profissional (o que tenho a certeza) e contrarie essa falácia.
# por Anonymous JF : quarta-feira, fevereiro 24, 2010

 

 

 

*UBI: Director do curso de Bioquímica. Peço desculpa.
# por Anonymous JR : quarta-feira, fevereiro 24, 2010

 

 

 

Queria apenas informar que a comissão de curso de CF na Ualg mudou, sendo agora exclusivamente composta por farmacêuticos (incluindo a directora de curso).
Tecnologia farmacêutica II deixou de ser opção e passou a fazer parte do plano de estudos obrigatório.
Como sabem, o nosso curso é bastante jovem, mas tem vindo a demonstrar uma grande evolução ao longo destes anos.
Agradeço que dêem tempo ao tempo, e que o pessoal das clássicas tratem os seus colegas como iguais.
Acredito que quem é bom, é bom em qualquer lado (desde que tenha condições mínimas).
Obrigado.
# por Anonymous Wilson Veterano : sábado, outubro 08, 2011

 

 

 

Olá!
Eu estou a pensar entrar no curso de ciências farmaceuticas, mas estou indeciso quanto ao local.
Precisava de uma opinião isenta, para me informar se a melhor universidade (prestígio, qualidade de ensino, etc) é a FFUP ou a UBI.
Estou a colocar esta questão porque apesar de ser mais recente, a média na UBI é superior...isso pode querer idzer que é melhor?
Queria também que me dissessem se o curso tem algumas equivalências, da UBI para a FFUP(caso mais tarde decida mudar) e com Medicina.
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, julho 17, 2012

 

 

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