<$BlogRSDUrl$> Impressões de um Boticário de Província
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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde 2003


quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Professores 

Comecei a dar aulas aos 18 anos. Na Escola Preparatória Julio Diniz, em Famalicão; era Professor de Ciências e Matemática. Fui substituir uma professora em licença de parto e ela não apareceu mais, até ao fim do ano. Depois disso leccionei mais uns 5 ou 6 anos, sempre como segunda actividade.
Nessa altura havia falta de professores, a "democratização" do ensino estava em curso e o sistema ainda não tinha abastecido convenientemente o lado do corpo docente.
Não fiquei com a melhor das impressões do professorado. Havia um certo laxismo, um recurso sistemático a artigos e atestados; notava-se uma certa apatia, desânimo, falta de estímulos. Mas havia professores com categoria, esforçados, competentes, sobretudo entre os mais velhos.
A equipa melhor conheci-a em Ruílhe, Braga, na Alfacoop; quase todos professores em segundo emprego, à noite; o Director Pedagógico e os Coordenadores de Grupo dirigiam a escola com mãos de ferro; quem não produzisse não renovava contrato ou via o número de aulas reduzido. Os alunos eram terríveis, jovens adultos.

Entretanto tudo se modificou, passou a haver excesso de professores e perderam muito do prestígio que lhes era reconhecido. A entidade empregadora despreza-os agora, trata-os como um estorvo; muita da responsabilidade dessa situação recai sobre a própria classe.

De qualquer das formas não mereciam tanta desconsideração. Não são só as trapalhadas do concurso; é tudo, um regime completamente irracional, ninguém é já classificado por tempo de serviço e média de curso, ninguém tem um posto de trabalho flutuante durante 20 anos, ninguém é colocado ano após ano no outro lado do país, ninguém num emprego normal estava para se sujeitar a tanto.
Esperemos que este desfraldar público de uma situação deplorável e indigna sirva, para de uma vez por todas, dar uma vassourada neste sistema iníquo e seja construída uma solução melhor para os professores e para os alunos.

Peliteiro,   às  01:33
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terça-feira, 28 de setembro de 2004

Sr. Nabal, 2050 

- Sr. Nabal, agora que o Senhor é uma figura nacional, empresário de sucesso com inegável e reconhecida obra social, não resisto a perguntar-lhe se não tem sombra de arrependimento, por no início da sua vida de negócios se ter furtado, de uma forma sistemática, ao pagamento de contribuições fiscais.
- Bom, sabe, nessa época, início do século XXI, tinha eu 20 anos, vivíamos, em Portugal, sob o jugo de uma plutocracia terrível, em que os políticos e os detentores do poder esbanjavam, desbaratavam, tudo aquilo que uns poucos trengos pagavam como impostos, seja no IVA seja no IRC ou no IRS.
- Mas, de qualquer das maneiras, ao não pagar o que era suposto na altura ser um dever de todos os cidadãos e empresários, pode dizer-se que prejudicou os mais desfavorecidos, o país e beneficiou de uma forma de concorrência desleal. Isso não seria o suficiente para, pelo menos, ter uma postura mais recatada e, por exemplo, evitar as comendas e honrarias que podem, até, ser consideradas um branqueamento do "pecado original"?
- Olhe, eu à época vendia Chá verde, um pequeno negócio, porque nesse tempo quase ninguém o bebia como hoje, três ou mais xícaras por dia, e o que é certo é que, muito graças ao meu espírito empreendedor, Leira Maior se colocou no mapa, com níveis de emprego extraordinários, já teve equipa de futebol, construiram-se creches, escolas, clínicas, lares...
- Desculpe a insistência Sr. Nabal, não acha que incorreu num delito de lesa-sociedade por não cumprir as suas obrigações fiscais, mesmo que não concordasse com o regime político, mesmo que tenha sido à 50 anos, quando jovem? Que se tivesse cumprido, podia ser agora outra a empresa a ser cobiçada pelas multinacionais alimentares?
- Menina jornalista, vá pó raio que a parta, sou algum contrabandista ou quê!

In "Escrito no escroto" de 28 de Setembro de 2050


Peliteiro,   às  01:01
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Machado de Guerra 

Um grupelho de blogueiros ali para o Sul - afectados com certeza pelos humores exalados da cloaca imunda a que chamam o "Rio" Ave - resolveu afrontar a honra e o bom nome de gente honesta e trabalhadora. O ignóbil ataque que abaixo se expõe terá uma resposta à altura.
Está desenterrado o machado de guerra! A vingança será terrível...





A Polónia é um belo país à beira-mar plantado cuja capital é Varsóvia. Os seus habitantes, um bocado trengos, são os polacos. Viveram sob uma ditadura durante muitos anos, e talvez por isso tenham comportamentos muito peculiares.
Os
polacos são pessoas que não gostam de convidar os vizinhos para jantar, preferem viver no seu mundinho, acreditando em coisas que já ninguém acredita. São por isso muito fechados e pouco sociáveis, também por estarem cientes que as suas conversas não têm o nível das conversas dos outros. Mas eles, coitados, não têm culpa. O Pacto de Varsóvia e os tempos da ditadura comunista são álibis bastante fortes para os contrariarmos. Temos que os respeitar, não foram momentos fáceis. Devido à má governação do seu antigo regime, ainda há muitas coisas na Polónia em péssimo estado, que chegam a ter um cheiro defecante. O mar da Polónia, situado a norte, não é como o nosso, a água é gelada e não nos diz nada. Além disso os seus edifícios são demasiado altos e volumosos, feitos à pressa e com uma arquitectura horrível.
Mas também não podemos criticar este país por tudo e por nada, até há polacos com obras interessantes, como Karol Wojtila ou Chopin, mas todos eles só tiveram sucesso porque fugiram a sete pés da sua terra natal.

ABV Associação de Blogues Vileiros

Dupond & Dupont
Eduardo A. Silva
João Paulo Menezes
Miguel Torres
siX



Peliteiro,   às  23:59
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Presidência aberta 

Jorge Sampaio, passeando por um corredor limpo e encerado de fresco de um Hospital, na semana dedicada à Saúde, ouviu do Ministro Luís Filipe o desânimo pelo descontrolo com as despesas do Ministério.
Jorge Sampaio, na melhor das hipóteses, durante a semana, descobriu aquilo que todos sabem há muito: a Saúde em Portugal vai mal e os respectivos custos vão bem, muito bem, sempre a crescer.


As más notícias para aqueles que quando vão aos Hospitais não passeiam em corredores encerados de fresco são:
A Saúde em Portugal não melhorará porque senão os custos não seriam crescentes, seriam explosivos!
Se considerarmos a Saúde como um mercado, verficamos que este se comporta de forma inversa a um outro mercado qualquer: Na Saúde a oferta condiciona positivamente a procura, é um mercado elástico, quase imensamente elástico. Se o acesso aos cuidados de saúde fosse melhorado hoje, o número de pacientes aumentaria amanhã; se hoje um Centro de Saúde passar a ter o dobro da capacidade de atendimento amanhã terá o dobro de pacientes!
De modo que os nossos governantes, sabendo disto, fingem que fazem mas não fazem nada.


Um exemplo da dita elasticidade:
No último ano abriram duzentas e tal novas Farmácias. Um aumento de quase 10 % no total das Farmácias em Portugal. Muitas em lugarelhos remotos. Alguma delas já fechou? E das existentes quantas tiveram diminuições acentuadas nas suas vendas que implicassem, por exemplo, despedimentos? Que eu saiba nenhuma e nenhuma. Ou seja, não se verificou tanto um fenómeno de distribuição mas antes de adição das vendas. Se mais Farmácias abrissem mais medicamentos se venderiam!


Para concluir, que se faz tarde, do exemplo anterior decorrem 4 possíveis temas de discussão polémicos, que não desenvolvo mas deixo à consideração de todos:
1- O crescimento das vendas de medicamentos em 2004 também se deve à melhoria do acesso às Farmácias (não é devido somente ao facto de o número de delegados de propaganda médica ser maior que o número de médicos dos Centros de Saúde, como diz Luís Filipe Pereira).
2- Tão cedo não abrem novas Farmácias (logo que as inteligências do Ministério da Saúde descobrirem isto, claro).
3- Os Farmacêuticos também receitam medicamentos (e bem ao que parece, os doentes preferem-nos cada vez mais).
4- Os Médicos acabam por transcrever o que os Farmacêuticos receitaram (por forma a ser comparticipado, porque concordam concerteza e porque quanto menos os aborrecerem melhor).

Peliteiro,   às  01:29
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domingo, 26 de setembro de 2004

Presunto 

"Camilo José Cela ficava irritado sempre que lhe falavam em presunto cortado com a espessura de uma folha de papel. Para ele, o presunto devia ser sempre cortado em nacos que enchessem a boca.
Mas a sua opinião é minoritária."

Eu estou com Cela!

Peliteiro,   às  22:38
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Dia Nacional do Farmacêutico 

No dia 26 de Setembro, dia de São Cosme e São Damião, comemora-se o Dia Nacional do Farmacêutico, iniciativa que, pelo terceiro ano consecutivo, se comemora a nível nacional com a realização de diversas actividades de índole científica e cultural.

Eu comemorei na praia e com uma boa sesta.


Peliteiro,   às  18:48
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sábado, 25 de setembro de 2004

Bem me parecia 

Consultada a informação fornecida, abaixo, por um leitor atento e esclarecido, fiquei a saber que no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=11325) também não concordam com a grafia paralímpico, mas sim com paraolímpico.
Aproveitando a fonte, também outro especialista (http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=7042) afirma:
"Nunca paralímpico, mas sim paraolímpico ou mesmo parolímpico. O segundo elemento não é susceptível de perder a vogal inicial (olímpico). Embora se veja para aí a primeira grafia, não deixa de ser (como costumo afirmar!) um mamarracho!"

Temos que ter espírito cartesiano!

Peliteiro,   às  02:09
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Quem manda aqui sou eu! 

Depois de uma renhida disputa com o template do blogger - que passou por um crash total - consegui, julgo, pôr em funcionamento o sistema de comentários.
Temos que ser perseverantes! Por isso não tenho escrito.

Peliteiro,   às  01:50
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Blogues da Póvoa 

Novo blogue da Póvoa, o O Poveiro, parecendo ser um projecto para continuar. Esperemos que sim, bem vindos.
Que eu conte já são 6, por ordem de tempo de vida: moi-même, o Coisas do Gomes, o Cagalhoum,o Aguamole, o Pé de meia e o acima citado.
Nada mal. Um dia destes fazemos um jantarada e não convidamos os "tipos" de Vila de Conde nem os Famalicão...

Peliteiro,   às  01:36
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Jogos Paralímpicos 

Desculpem a ignorância, mas tenho lido por aí, muitas vezes, Jogos Paralímpicos.
Ora, a mim, não me parece ser correcto. Mas quem sou eu, um modesto Boticário de Província, quando confrontado com TVês e Jornais. Eu, baseado numa 4ª classe de aldeia rural, afirmaria que certo é Paraolímpico. Quem me dissipa as dúvidas?

Já agora, para não parecer completamente ignorante, umas perguntas de que sei a resposta: Qual a diferença entre eficiente e eficaz; calibração e ajuste; reprodutível e repetível?

Peliteiro,   às  00:30
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quarta-feira, 22 de setembro de 2004

À mão? 

O concurso dos Professores será ordenado à mão? Sem recurso à informática?
O programa informático "externo" custou quanto? Comprado a quem?

Portugal em acção

Peliteiro,   às  00:07
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terça-feira, 21 de setembro de 2004

Eleições 

Havendo muitas definições, teorias e explicações sobre blogues, blogautores e blogosfera, para mim um blogue não corresponde a mais que uma mesa de café, ou coisa que o valha, onde uns indivíduos vão mandando uns palpites sobre um determinado tema ou de uma forma avulsa. É um fenómeno de substituição; no meu caso, como nunca frequentei cafés - a não ser para abastecer de cafeína - quanto muito esplanadas - e como ninguém atura as minhas divagações, escrevo na esperança que alguém tenha a pachorra de me ouvir.
Sendo então um blogue uma tertúlia virtual surge a oportunidade de o seu autor se expor, de se desnudar - salvo seja - em frente da sua ciberplateia. Isso agrada-me. Por exemplo, nunca escrevo com corrector ortográfico ou gramatical. Por outro, lado nunca ninguém sabe se estou a falar a sério ou na galhofa, se verdade ou mentira, se sou eu ou é um outro qualquer, um hacker ou isso.
Que tal estas maiusculas no início do texto? Ficam bem, dão estilo?
Isto vem a propósito do texto que eu ia escrever - ia e vou - onde expressaria o meu sentido de voto em duas eleições onde não votarei. E perguntei-me, para que escreves isso, o que é que isso interessa a alguém, o que ganhas com isso, que valor tem estas afirmações?
A resposta é: quero lá saber, tanto se me dá como me deu, tudo o que aqui escrevo é um acto egoísta, escrevo aqui porque gosto e prontos.

Terminadas as reflexões, vamos ao que interessa:

** Se fosse Socialista votaria Sócrates **
*** Se fosse Americano votaria Bush ***

Peliteiro,   às  23:37
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PPR 

O Ministro das Finanças decidiu cortar benefícios fiscais dos PPR. Mais um aumento nos impostos.
Cada maluco sua sentença. Porque será que uns nos dizem que devemos acautelar a nossa reforma por meios alternativos e até nos dão benefícios fiscais para o fazer enquanto que outros, depois, nos dizem o contrário.

Só me resta andar muito nos transportes públicos e, no fim do ano, tentar uma dedução fiscal. Ridículo - esta não pode ser verdade!

Não sei porquê, não tendo nada em especial contra o PSLopes (hoje ouvi-o - com pouca atenção, confesso - a discursar sobre um aumento de 50% da contribuição de Portugal para programas da ONU e parecia um Bispo, um tom de voz pungente, de Beato), mas este governo não me transmite a mínima confiança ou simpatia. Que desgraça.

Peliteiro,   às  01:22
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Bocas 

Diz Álvaro Barreto, sobre o problema da refinaria de Leça, que só fala baseado em factos, que não gosta de mandar bocas.
Parece-me uma indirecta...

Peliteiro,   às  01:20
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Leptospira 

Então as análises dos doentes de Seara saem ou tenho que lá ir eu?
Mandaram as análises para onde? Estou mesmo a imaginar as hemoculturas todas contaminadas por S. epidermidis, a aglutinação das Widal e das Weil-Felix a ser vista de lunetas, os Gram todos borratados...
O Prof. João Carlos da Faculdade de Farmácia do Porto fazia isso num instante...

Peliteiro,   às  01:18
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domingo, 19 de setembro de 2004

Provocações 

Lê-se no Blogamemucho:

"O Expresso diz mais coisas, embora em letras pequeninas, no canto direito duma página. Diz que os profissionais liberais licenciados (advogados, farmacêuticos, arquitectos, engenheiros, médicos dentistas) passam dificuldades. Pelos vistos, os médicos dentistas ainda escapam, conseguem comprar Fiats Uno a prestações, parece que juram ganhar, em média, 250 contos por mês. Preocupam-me, sobretudo, os farmacêuticos: nem 200 contitos mensais arrecadam. Deviam ter benesses suplementares."

Dr. Besugo, pois é verdade que que ambos sabemos de que fenómeno se fala aqui. E quanto a isto estamos falados, até se me inflamam as meninges quando vejo tanta gente a tanto fugir aos impostos.
Quanto ao resto, não se esqueça de que os Farmacêuticos não são como os Médicos, que quando entram na Faculdade, aos 18 anos, com a matrícula vem incluída uma garantia incondicional de emprego bem pago para toda a vida e uma reforma quase igual à de um administrador de empresa pública. (Portanto, se quiser seguidores na sua profissão não se esqueça de os meter aos 4 anos num bom colégio privado, contratar uma perceptora e 53 explicadores; ou então um expediente qualquer, tipo atleta de matraquilhos de alta competição, morada nas Ilhas Selvagens, etc.)
Os Farmacêuticos tem que investir, arriscar, esgravatar, labutar e concorrer. Uns têm sucesso, outros nem por isso; é a vida!
Por isso não se admire se encontrar Farmacêuticos a ganhar os tais 200 contitos mensais, ou desempregados, ou a trabalhar em àreas que em nada se relacionam com o medicamento.
E já agora, a minha mulher é Economista e que eu saiba não queria ir para Engenharia...
Dr. Besugo, sempre a considerá-lo, um abraço. Então este ano não veio à Póvoa? O nosso rodovalho?

Peliteiro,   às  23:52
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Porto 

Ontem fui ao Dragon Stadium. O Estoril tem uma equipa muito jeitosinha. O Porto está muito verde. O treinador espanhol é um empata-jogas, só bate palmas, muito vaidosão, não gostei.
Este ano a vitória é difícil. Mas é certa. Quase - quase! - que digo o mesmo que O Cafageste!

Peliteiro,   às  23:36
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É o progresso 

maré baixa
Há muitos anos atrás a praia do Hotel era frequentada por meia dúzia de pessoas.
Depois abriu um barzito de praia, agradável.
No fim do dia de praia e de uma futebolada na areia bebiam-se uns finos gelados e uns tremoços que sabiam pela vida.
Entretanto o barzito foi tendo mais clientela e começou a crescer, desordenadamente como tudo na Póvoa. Cada vez mais um caixotão feio, um tumor numa praia bonita.
A praia foi ficando barulhenta e suja; o bar passou a abrir à noite. Depois vieram as motas de água, o Karaoke, os campeonatos disto e daquilo, agora o paintball...
Os nativos da praia do Hotel foram sendo empurrados para cada vez mais longe. Agora nem nativos nem colonos, a praia está impedida. O tumor não pára de crescer.
Aguarda-se o crescimento de outros tumores a partir dos bares mais próximos, já se fala de trespasses (?) chorudos.

A propósito, quem tutela estas concessões e com que regras?

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Peliteiro,   às  23:19
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Segurança alimentar, apontamentos 

Um dia destes fui jantar a um conhecido restaurante na Póvoa e logo o criado colocou sobre a mesa um sortido de entradas, dizendo: o que não quiserem vai para trás e será descontado!
Percebo a manobra de merchandising do dono do restaurante; poucos resistem à tentação, as entradas na maior parte dos casos são sofregamente deglutidas e o cliente fica satisfeito.
O que ele não perceberá é que se o cliente resistir à tentação e algum dos pratinhos for devolvido poderá ter estado muito perto de um indíviduo infectado com uma micobactéria multi-resistente...
Não é um procedimento muito higiénico mas parece-me ser relativamento vulgar.

As desgraças só acontecem aos outros, embora um dia a ponte possa vir abaixo. É como o caso dos mails sobre o homem que bebeu uma refrigerante pela lata, sem a lavar, e morreu com leptospirose. Lá na aldeia de Seara em Ponte de Lima nunca ninguém ouviu falar de leptospirose ou febre tifóide mas que elas existem, existem.

Ainda é muito comum regar as hortas com cevadouro, ou por outro lado, ainda é muito comum ir para a nossa mesa uma bela alface adubada à força de cevadouro. Ou pior. Uma mulherzinha que vendia alfaces na feira de Famalicão ia todas as terças feiras à drogaria e comprava um determinado produto químico; desconfiado o droguista avisou-a de que aquilo que ela comprava era tóxico, venenoso; diz ela: não se preocupe que as alfaces não são para comer, são para vender.

Vi uma publicidade na TV sobre um produto desinfectante para frutas e verduras, usado já em milhões de lares. Não é mais que lixívia, os consumidores deviam saber. Deviam saber também que:
Não evita a lavagem dos alimentos crús, que não deve ser aligeirada nem suprimida;
O teor de cloro livre diminui muito, depois de a embalagem ser aberta, pelo que devia ser indicado o prazo de validade após abertura;
A quantidade média a usar depende do alimento a desinfectar;
Os utilizadores, especialmente as grávidas, não podem contar que estão protegidas contra todo o tipo de infecções (fascíola, brucelose, toxoplasmose, citomegalovirus...) descurando a vigilância médica.
Em resumo este produto devia ser de venda exclusiva em Farmácia!

Peliteiro,   às  22:59
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Selvagens 





Em Terras do Bouro nunca falta a pedra para a construção civil.
Vai-se por aqueles belos montes e: basta cortar e andar.
Seja em terras particulares ou em baldios isto é um atentado! Ninguém põe cobro a isto?










Peliteiro,   às  23:09
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7 Pinturas seguidas 

Menos palavras muito mais pinturas



No areinho, Douro; Silva Porto




Barcos da Nazaré; Abel Manta




Vista da Amora; Tomás d'Anunciação




Praia de banhos; Marques de Oliveira




A praia; João Vaz




O barco desaparecido; Sousa Pinto




Dois banhistas à beira do Douro; Dórdio Gomes


Peliteiro,   às  01:15
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Mira Mira 

Carvalho da Silva tem razão no que respeita à reforma celeremente atribuída a Mira Amaral.
Não recebe indemnização mas recebe uma reforma dourada. Um ano de (mau?) serviço na CGD (bem pago presumo, mas isso não discuto) e em troca 18.000 ouros vitalícios.

Simpatizo com o sindicalista de Viatodos, diz coisas com nexo; quando ele for patrão do PCP ainda me torno "Camarada".
CGTP Unidade Sindical!

Peliteiro,   às  01:01
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terça-feira, 14 de setembro de 2004

Narciso 1 - Seabra 1 

Os acontecimentos da lota de Matosinhos não me surpreendem nada.
Não são mais que um reflexo do tipo de pessoas, do tipo de atitudes, do tipo de métodos que se usam no quotodiano das concelhias e distritais dos partidos políticos por esse país fora.

Peliteiro,   às  23:18
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Porto - Lisboa 

Porque se faz a viagem Porto - Lisboa de avião?
Por muito que se diga que é mais rápida, mais cómoda e com menor risco, parece-me que a maioria das pessoas vai de avião porque é mais social.
Vê-se e é-se visto; isto é que compensa o preço e a estafa dos aeroportos e dos táxis.

Peliteiro,   às  23:12
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Declaração de Bagão Félix 

Deve ser por estarmos em Setembro. Estou sem paciência nenhuma para aturar os discursos idiotas dos nossos políticos.
Já não tenho alento para chafurdar neste pantanal. Se não tivesse filhos pequenos ia para o subsídio de desemprego e nunca mais trabalhava.

Peliteiro,   às  01:06
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segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Taxas moderadoras diferenciadas 

Pois. Quando não se consegue controlar a despesa aumenta-se a receita. Claro.
E a maneira mais fácil é qual? A mesma de sempre, usando os camelos de sempre: aqueles poucos que pagam impostos. Impostos somados a impostos neste caso.
No PREC dizia-se "os ricos que paguem a crise", agora quem paga a crise é a classe (verdadeiramente) trabalhadora.
Francamente Santana, para uma solução destas bastava o Manuel Alegre!

Peliteiro,   às  23:51
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domingo, 12 de setembro de 2004

Que gozo! 

O mercado farmacêutico apresenta este ano um valor de crescimento de 15%!
Em 2003 foi introduzida a comparticipação por preço de referência e foram tomadas medidas para o desenvolvimento dos genéricos.

Esta é uma notícia importante. Envolve milhões de euros provenientes dos nossos impostos!
15% é um valor absurdamente elevado! Que se saiba não se registou nenhuma melhoria associada nos cuidados de saúde prestados.

Impõe-se uma justificação do Ministro da Saúde, que sempre publicitou a grande importância que dava ao controlo de despesas com medicamentos. Esta política do medicamento é um fracasso!

E nós temos que saber de quem é a responsabilidade deste falhanço tão nítido. Quem é que anda a brincar com o nosso dinheiro. Isto é uma desonestidade, uma irresponsabilidade, uma enorme falta de respeito.
Luís Filipe Pereira sabe onde está a origem deste descalabro. As A.R.S. têm dezenas de arrogantes "mangas de alpaca" munidos de um PC e de um leitor de código de barras que passam a pente fino todas as receitas de todas as Farmácias (um burocrata do Porto já me obrigou a assinar 500 receitas numa sexta-feira à tarde, o parvalhão) e de todos os consultórios médicos.

É fácil saber quem está a gozar com todos nós. E se o poder político não tomar medidas, já, pode dizer-se que são os principais culpados, por inépcia e covardia.

Peliteiro,   às  23:52
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quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Beslan 

Por falar em temas adiados:
o atentado de Beslan foi aqui um tema recorrentemente adiado.
Iniciei, por diversas vezes, com abordagens várias, textos sobre o assunto. Todos me pareceram tão desprovidos de sentido, as palavras surgiam tão desajeitadas, tão sem senso, que acabei por nunca escrever nada.

Peliteiro,   às  21:13
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João Sá 

Recebi uma provocação-electrónica, simpática, que agradeço - pena não estar assinada - que dizia:

"Está tudo bem !!!
Sendo o "Trenguices" um blog que comenta com especial atenção o desleixo da vida política portuguesa, espanta-me nada ter lido sobre a recente saga da nomeação do Dr. João Moura de Sá para Presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte.
Afinal foi muito interessante..."

Ora, eu conheço e sou amigo do João Sá há mais de 20 anos.
E de facto estive para escrever sobre o assunto.
Estive para lhe desejar aqui muitos sucessos na função e endereçar as minhas sinceras felicitações, tal como fiz com o Jorge Moreira da Silva. Tenho a melhor das impressões do João Eduardo e fiquei satisfeito com a sua nomeação para tão altas funções.
Mas exactamente porque a minha perspectiva pode não ser a melhor perspectiva, achei por bem não me pronunciar.
A provocação é pertinente. Posso estar a ser incoerente, a ter uma opinião distorcida. Mas, na verdade, penso que João Sá fará um bom lugar.

Peliteiro,   às  21:02
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quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Alfabetização 

Hoje, logo pela manhã, ouvi na rádio o sociólogo Boaventura Sousa Santos justificar os níveis de analfabetismo em Portugal com os anos da ditadura de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.
Parece-me uma explicação simplista, principalmente quando vinda de um investigador e professor na área das Ciências Sociais. Será, julgo, a tentação, tão actual, de tudo conceder em troca de uns minutinhos de glória: os chamados "artistas" da rádio e da TV!

Nem por acaso, ia eu ali por Amares, Rendufe talvez, por acaso a terra da professora primária do meu pai, e ouvindo a peça radiofónica logo passei, por acaso, por uma escola primária, das tantas, todas iguais, que há por este país fora.

E pensei então: Muito gostava eu de ver um Governo destes nossos de agora, moderno, progressista, com o pensamento centrado no povo, pejado de inteligências, planear e executar um programa de formação de professores e de construção de escolas com âmbito nacional, de tal forma bem concedido que passados largos anos ainda fosse possível sentir os seus efeitos e ver símbolos desse projecto, como o são as escolas primárias - velhinhas mas ainda em funcionamento - de quase todo o país (e PALOPes!).

Peliteiro,   às  23:59
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terça-feira, 7 de setembro de 2004

Descubra a diferença 

... e diga lá que eu não dava um bom Presidente!Peliteiro na tropa
Peliteiro na tropa




















Peliteiro,   às  14:18
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segunda-feira, 6 de setembro de 2004

AAC 

AAC Associação Académica de Coimbra fundada em 1887

Os direitos de imagem do emblema da Associação Académica de Coimbra são, claro, da Associação.

Sabendo no entanto que os direitos de imagem valem, em grande parte, pela ligação ao futebol, através do clube com estatuto de Organismo Autónomo, espera-se que haja uma repartição equilibrada e justa dos valores negociados com a TBZ.
Não é de boa memória a fase em que o clube se denominava "Académico de Coimbra" e a TBZ não pagaria o que pagou por um emblema do "Académico".
A TBZ (simpática empresa em cujo camarote vi a final da última supertaça) ao fechar o negócio da exploração do merchandising da "Briosa" teve em consideração que para além do emblema de um clube de uma cidade média, comprava um símbolo de uma Academia com fortes ligações com os seus antigos estudantes, que estes são muitos, que estão distribuídos por todo o país e que terão um poder de compra superior à média.

Eu julgario justo um metade para cada um.

Peliteiro,   às  01:14
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domingo, 5 de setembro de 2004

Um Peliteiro na Casa Branca 

(A saga dos Peliteiros II)
Na sequência do texto anterior - e sem querer fazer uma exposição exaustiva da saga dos Peliteiros, da sua disseminação pelos quatros ventos do mundo, da corruptela mais ou menos acentuada do nome e duma miscigenação fácil e sistemática - avançamos para o século XXI, USA, onde encontramos um candidato à Casa Branca:
Leonard Peltier
Leonard Peltier é um índio Anishinabe/Lakota-Sioux, líder do Movimento índio Americano, que está preso desde 1976 por um crime que não cometeu e é considerado pela Amnistia Internacional um prisioneiro político que "deve ser libertado imediatamente e sem condições".


Tendo qualquer cidadão do mundo a possibilidade de dar a sua opinião, o seu "voto", nas Eleições Americanas, não deixem de votar em Leonard Peltier e na minoria que ele representa.

Peliteiro,   às  23:15
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sexta-feira, 3 de setembro de 2004

Profissão de risco 

Gabrielle d'Estrées et une de ses soeurs; séc. XVI; Autor: Peliteiro anónimo

Há pouco mais de uma ano escrevi sobre os Peliteiros, uma família rara em Portugal mas dispersa por quase toda a Europa.
Entretanto recebi algumas contribuições para o tema, quer de familiares, quer de homónimos, e sobretudo de pessoas com ligações à Association Pelletier.
Fiquei assim a saber que os Peliteiros de que Alexandre Herculano fala n'O Monge de Cister, desfilando em Lisboa com o seu brasão, um gato de botas, podiam não ser os mesmos que os Peleiros. Os Peliteiros, ou pelo menos alguns, seriam os indivíduos que teriam como ofício o tratamento de peles, mas não de animais mortos como os Peleiros. Estes Peliteiros tratariam antes as peles macias das damas da corte, raínhas e Princesas. Seriam um misto de esteticistas, farmacêuticos e dermatologistas.
Na época de D. João V, haveria uma família de Peliteiros que vendia uma loção, às nobres e burguesas da época, à razão de 1L por 1Kg de ouro! E se retrocedermos à Alexandria de Cleópatra, os Peliteiros da época teriam um estatuto equivalente ao de sacerdotes, uma casta com um papel altamente privilegiado.

Então porque terá esta profissão, de estrutura familiar como tantas outras, um número de elementos tão reduzido?
Nem tudo é fácil nesta vida. Nunca o foi! O problema, a chave da solução deste mistério é que ser Peliteiro é muito ingrato, difícil, duro, muito arriscado...

Segundo um mail que recebi de um provável pico-parente Francês, pode deduzir-se que os Peliteiros morreriam quase todos cedo, devido a uma particularidade, a um estigma profissional.
No âmbito do seu exercício profissional, os Peliteiros conviveriam, de uma forma mais ou menos íntima, com as mais belas e cobiçadas donzelas. Ora do acto de seleccionar e preparar a melhor forma de embelezar uma pele aveludada ao dever de aplicar afincada mas delicadamente os unguentos, cataplasmas e esfregaduras, vai a distância de um pequeno passo. E mais isto mais aquilo, mais cócega menos cócega, eis que chega o marido ciumento, o amante desconsiderado, o invejoso despeitado, e zás! Era uma vez um Peliteiro!

Ilustrando esta saga familiar apresenta-se o exemplo de um Peliteiro, também pintor e artista ilustre, que mesmo tendo morrido de uma forma vã, perpetua o nosso génio no museu do Louvre:
Esse virtuoso, de que se desconhece o nome próprio, era um famoso Peliteiro na corte de Henrique IV, tendo a seu cargo a árdua tarefa de cuidar das mulheres do Rei e das demais damas da corte. Foi o primeiro a usar placentas humanas como matéria prima primordial nas suas formulações. Seria um elegante cortesão, gozando do máximo respeito da nobreza influente da época e da máxima admiração do séquito feminino. Contemporâneo de Shakespeare, primeiro divulgador da sua obra em França, era imensamente admirado quando declamava os seus poemas, traduzidos por ele próprio.Le bain turc; 1862; Autor: Jean Ingres
Gabrielle d'Estrée (tela acima) o maior amor da vida de Henrique, e sua irmã, foram umas das várias que se apaixonaram pelo garboso Peliteiro. E a chama da sensualidade inflamou as alcovas dos palácios, exalando um progressivo despudor, um inusitado descuido, um clamor descarado. Falava-se, nos corredores, de orgias fulgurosas, de banhos de ambrósia, festejos mirabolantes, exaltação dos sentidos, libidos exacerbados.
Embora gozasse da protecção do clero, já que foi através da sua influência indirecta, por via da sua amante real, que Henrique IV proferiu a famosa frase "Paris vaut bien une messe", renunciando definitivamente ao protestantismo; embora gozasse da protecção do rei (!) cujo amor pela bela Gabrielle fosse inamovível, mesmo quando sujeito às fortes pressões dos seus conselheiros, Peliteiro e Gabrielle morrem misteriosamente, ele, supostamente de peste, ela, supostamente, durante um parto. Segundo reza a lenda, os algozes não tiveram misericórdia do Peliteiro e, selvaticamente, castraram-no, lenta e impiedosamente, após o que o esquartejaram e lançaram ao Sena.
César, duque de Vêndome, tido como filho bastardo de Henrique, mas verdadeiramente filho do Peliteiro, teve uma vida atribulada, tal como o pai e todos os Peliteiros. Atentou contra o cardeal Richelieu, foi depois acusado de conspiração, fugindo para Inglaterra e depois para o norte de Portugal, onde viria a deixar lauta descendência.
Vidas difíceis.

Enfim, o nome é raro mas os genes são prolixos!

Peliteiro,   às  01:08
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quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Licenciados e desempregados 

Ainda um destes dias tive uma conversa em que dizia que no meio da imensa baralhada que impera no sistema educativo deste país - entre muitas outras baralhadas em muitos outros sistemas - o que mais me impressiona é a frustração de tantos jovens que estudaram, com esforço, e depois não aplicam, nunca, nada do que aprenderam, nem retiram nenhum benefício do investimento que fizeram.
Arrepia-me ver um Licenciado em Arquitectura a vender discos, um Licenciado em História numa caixa de um supermercado, etc, etc.
Deve ser terrível. Imagino os sonhos e os projectos de jovem a serem esmagados por uma realidade crua. Imagino a sensação de falhanço e de esforço infrutífero.

(Nós agora, velhos, é que pela selectividade da nossa memória já só nos lembramos das partes boas e já esquecemos o que custa ser estudante, daquelas vésperas de exame, com os suores frios, o cansaço, o sono, a falta de tempo, o afastamento da família - pensando bem, pelo menos a mim custou-me bastante, lembro-me uma vez de estar a estudar para um exame, com uma conjuntivite tratada a chá preto e a segurar as pálpebras com os dedos.)

Isto a propósito de um programa anunciado pelo Governo, que tem como objectivo reconverter Licenciados no desemprego através da formação em áreas que o mercado de trabalho tem carências. Acho muito bem. Esperemos que seja rapidamente posto em prática e não seja mais uma fatuidade.

(Hoje, no Centro de Emprego da Póvoa havia uma bicha pela rua fora. Seriam professores excluídos pelos concursos, ou coisa assim. Não é muito digno para uma profissão tão importante e que deveria ser prestigiada passar a vida em bichas para isto e para aquilo, ora trabalhando em Mafra, ora em Azeitão, Celorico...)

Mas os políticos, esses irresponsáveis e inconscientes profissionais do logro e da incompetência, deveriam explicar, bem explicado, porque é que financiam e autorizam a abertura de cursos que se sabe serem um completo beco sem saída. E deviam ser responsabilizados pelos custos para as finanças públicas e pelos custos sociais que uma política educativa sem sentido fez acumular durante anos.
Por muito que isso custe a muita gente (aos interesses dos profes, às negociatas do ensino), em vez de de cursos de reconversão deviam fechar, ou diminuir drasticamente, as entradas de muitos cursos que à partida não terão aceitação no mercado de trabalho; não tem lógica reconverter x Licenciados em História e no mesmo ano admitir x+y alunos em Licenciaturas em História. Penso eu!

Peliteiro,   às  23:55
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Lá como cá 

Afinal os Gregos também são bons em derrapagens.
O ratio é: Atenas / 2004 = 4600 / 7000

Peliteiro,   às  23:49
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? 

Porque os considero perigosos!

Peliteiro,   às  23:47
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YES 

Tenho ouvido as reclamações dos passageiros da YES em Cancun, e antes em Fortaleza, com um forte sentimento de déjà vu. Bem sei que, no meu caso, a culpa nasce do furacão; mas uma companhia "a sério" não teria resolvido o caso de uma forma bem mais expedita?
Eu nem sabia que ia pela YES. Agora toda a gente sabe que esta companhia é da "Abreu" e que só tem um avião, melhor um velho avião.
Se o mercado do turismo Português tiver memória, a "Abreu" e as agências que operam com a YES, verão as suas vendas caírem a pique.
Quem quer ver transformada uma viagem de 8 ou 9 horas numa jornada interminável? Quem quer andar de aeroporto em aeroporto, com malas perdidas, noites mal dormidas e crises de nervos? Quem se arrisca a voar numa passarola, num teco-teco?

Peliteiro,   às  23:34
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