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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os professores de farmácia 

Vai animada e interessante a discussão na caixa de comentários do texto escrito pelo futuro colega Ricardo Oliveira sobre A profissão farmacêutica e o ensino farmacêutico em Portugal.

Só queria acrescentar três coisas, todas relacionadas com os professores de farmácia:

1 - Num país normal o coordenador de um curso de ciências farmacêuticas só pode - obviamente! - ser farmacêutico; nunca, mas nunca, pode ser, por exemplo, um engenheiro químico, doutorado em bioquímica, como julgo acontece na Universidade do Algarve. Porque o conceito de químico-farmacêutico deixou de fazer sentido há décadas e hoje um farmacêutico necessita de uma formação multidisciplinar assente no eixo fundamental fisiologia - patologia - farmacologia. Ser Doutorado em Bioquímica não atesta que se saiba coisa alguma sobre o doente e a doença. Senão, dêem-me um exemplo de um Bioquímico ou de um director de uma faculdade de medicina, de medicina dentária ou de enfermagem. Uma aberração.

Mas não é só na universidade do Algarve que as coisas estão mal,
2 - na constituição da equipa docente de um curso de ciências farmacêuticas deveria, obrigatoriamente, haver um número alargado de professores com experiência da profissão - no balcão das farmácias, na bancada dos laboratórios, nas fábricas de medicamentos. Infelizmente, pelo que julgo saber, a maioria dos professores são professores de "aviário", nunca sentiram o cheiro exalado pelo doente, nunca sentiram as suas angústias e medos, nunca sujaram as mãos com sangue. Muitos nem estão inscritos na Ordem dos Farmacêuticos. Ora estes professores de "aviário" vivem num mundo virtual em que imaginam a realidade da saúde em Portugal e as necessidades dos profissionais que estão a formar. Não se podem esperar bons resultados deste sistema.

Bem sei que todos temos que ganhar a vida,
2 - mas a lealdade não deveria ser um valore tão subestimado e tão fora de moda. E a mim parece-me desleal que professores do curso de ciências farmacêuticas, supostamente farmacêuticos, criem cursos que formem concorrentes para os seus próprios alunos, como é o caso dos cursos de farmácia biomédica e ciências bionalíticas - que não sei bem o que são, nem para que servem. Também não me parece leal que estes professores leccionem em cursos técnicos, de análises clínicas e de farmácia, contribuindo para uma confusão de atributos e competências entre profissões só possível num país desestruturado como o nosso. Ainda, se não for pedir muito, alguém deveria dizer claramente ao poder político que, mesmo sendo uma profissão eclética, não são precisos tantos cursos nem tantos farmacêuticos.

Claro que com este texto conquisto uma nova vaga de inimizades e antipatias, mas, lamento, é a opinião sincera e desinteressada de um farmacêutico experiente e com brios na profissão.

Peliteiro,   às  00:03

Comentários:

 

Bom dia,

1) Concordo com o seu ponto de vista. Não seria normal que um curso de CF, ou que uma Faculdade de Farmácia, fosse coordenado(a) por um não-farmacêutico. Contudo, como tentei explicar no outro "post" a posição de director de curso na Ualg é um pouco distinta das duas posições citadas. Sendo um cargo maioritarmente administrativo não me choca que não seja um farmacêutico a ocupa-la. Talvez não seja a situação óptima, mas não me parece um absurdo.

2) Concordo inteiramente com o segundo ponto.

3) Este é o ponto onde tenho menos concordância. Um professor universitário (seja farmacêutico ou não) é primeiro que tudo um professor e tem de cumprir as ordens dadas pela instituição. Se é especializado numa área (digamos Química Orgânica) não me choca que dê aulas a cursos de Química, Farmâcia ou Análises Clínicas (o mesmo se poderia dizer de um professor de Tecnologia Farmaêutica) desde que haja (e é aqui que se peca, muitas vezes) uma clarificação dos programas e que estes sejam diferenciados e ajustados a cada realidade. Quando à multiplicação de cursos "semelhantes" a CF pelas Faculdades de Farmácia... concordo, consigo. Numa altura em que os orçamentos das Universidades são muito, muito limitados parece-me uma tentativa de angariar mais alunos e consequentemente mais fundos sem grandes gastos adicionais com o corpo docente. Parece-me um jogo perverso, que engana alguns alunos e que pode inundar o mercado de trabalho com pessoas com uma formação "esquisita". Confesso que pode ser preconceito meu dado que não conheço a fundo os programas dos cursos falados.

Cumprimentos,
Pedro Pinheiro

 

 

 

No que toca ao ponto 1) é de facto escandaloso que possa ser aprovado um curso de Ciências Farmacêuticas com um coordenador não- farmacêutico, que por mais saber e graus académicos que tenha, nada sabe de Farmácia e da profissão farmacêutica. E o facto de um curso de saúde ser leccionado numa faculdade de ciências também, digamos, é um pouco contra-natura. Não admira portanto que o curso, estruturalmente, seja composto por uma série de cadeiras absolutamente desajustadas. Não quero de forma alguma diminuir os colegas da UAlg, mas as críticas servem para poder melhorar e fazer melhor. Não fossem os professores "alugados" à FFUL e do curso de Ciências Farmacêuticas não saíam indivíduos preparados para ser farmacêuticos, nas suas diversas vertentes/áreas de actividade, mas apenas investigadores em laboratórios... Ciências Farmacêuticas é um curso de saúde com uma base científica diversa e sólida. Mas não deixa de ser um curso de saúde.

Quanto ao ponto 2), falando da minha experiência pessoal ao longo destes anos na minha faculdade, posso atestar que tenho professores excelentes e que para além da actividade de docência e de investigação que desenvolvem, são "verdadeiros" farmacêuticos e estão "dentro da profissão" nas suas diversas áreas de actividade. Mas também devo confessar (talvez ainda não devesse...) que há aqueles que, apesar de serem formados em Ciências Farmacêuticas, enveredaram há muito tempo por uma carreira estritamente académica e, entretanto, esqueceram o resto - actualmente estão a leste da realidade profissional do farmacêutico das reais necessidades formativas dos seus formandos e ainda vivem no tempo dos "químico-farmacêuticos".

Relativamente ao ponto 3), não podia estar mais de acordo. E não queria citar nomes, mas com todo o respeito confesso que me surpreende bastante que o Prof. Dr. Amílcar Falcão, farmacêutico e actualmente director da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, esteja entre os mentores destes dois estranhos cursos - "Farmácia Biomédica" e "Ciências Bioanalíticas" - criados recentemente na FFUC e cujas alegadas saídas profissionais se sobrepõem às saídas profissionais de qualquer Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (dou o exemplo de "Farmácia Biomédica", citando do site da FFUC: ["Competências multidisciplinares no âmbito da inovação científica e tecnológica associada ao desenvolvimento de medicamentos tendo como saídas profissionais a indústria farmacêutica, empresas de investigação son contrato (CROs), unidades de investigação públicas ou privadas, e autoridades reguladoras (Infarmed; EMEA). Entre as tarefas a desempenhar destacam-se a gestão e garantia de qualidade, gestão de projecto e monitorização de investigação clínica, gestão de dados e estatística, e regulamentação do medicamento"]. Em conversa com colegas da FFUC a pergunta surge frequentemente - para quê e porquê?

Finalmente, ressalvo o facto de não existir em Portugal massa crítica (farmacêutica) suficiente, quer em quantidade quer em qualidade, para "sustentar" os actuais 9 cursos de Ciências Farmacêuticas repartidos por 5 instituições públicas e 4 privadas - ou melhor, 10 cursos, se contarmos com os Preparatórios de Ciências Farmacêuticas da Universidade dos Açores (1.º e 2.º Anos na UAç e 3.º, 4.º e 5.º Anos na FFUP).

Cumprimentos,
RMO
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Não tenho seguido com grande atenção a discussão. Mas assino, de cruz, o q foi aqui postado pelo colega Peliteiro. Posteriormente, com mais tempo, comentarei mais profundamente. Cumprimentos, NA.
# por Anonymous NA : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

ENCONTRADO NO FACEBOOK:

"Vive-se, actualmente, a MAIOR CRISE de todos os tempos. Nunca Portugal fora exposto, de modo contínuo, a tão INTENSA e DIVERSIFICADA AMEAÇA SOCIALISTA. É certo que o nosso ecossistema tem passado p/ muitos outros atentados de Responsabilidade Humana. Ora, nem só os incêndios, as chuvas ácidas e a desflorestação estão a... colocar em causa a renovação do ar que se respira, em Portugal. Anda aí a bomba da destruição: o PS"
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Quando me ponho a matutar sobre as licenciaturas de Ciências Bioanalíticas e de Farmácia Biomédica só me lembro dos cursos de saúde do politécnico. A grande maioria deles forma indivíduos cujas saídas profissionais se sobrepõem com as de outros profissionais que já existem há muito mais tempo. Cursinhos (e não querendo soar de forma depreciativa com o diminutivo) de algibeira para encher os cofres das instituições e criar uns tachos para certas pessoas. O mais incrível é que alguns deles nem são necessários! E julgo que esse "não ser necessário" se agarra às duas licenciaturas de algibeira da FFUC. Se os farmacêuticos com toda a formação que trazem e ainda com os doutoramentos no lombo se vêem aflitos para arranjar emprego na industria vamos criar mais um curso que visa espetar pessoal nesse sector? Mais ainda pessoal com menos formação... Se é disto que precisamos para catapultar Portugal para a vanguarda da inovação farmacêutica da Europa avisem-me que assim que eu acabar o Mestrado em Ciências Farmacêuticas em vez de tentar o Doutoramento sigo para a Lic. em F. Biomédica.

Mais incrível é a lavagem cerebral que muitos dos colocados em F. Biomédica este ano levaram.
Creio que só entrou um em primeira opção sendo a de todos os outros Medicina e C. Farmacêuticas e, tal foi o downgrade que lhes fizeram nas aspirações profissinais, que metade deles defende a camisola tão afincadamente, ao fim de um semestre, ao ponto de dizerem que nós (leia-se estudantes de CF) não temos hipótese nos concursos à indústria contra eles (estudantes de F. Bio.)

Não duvido muito que estes cursos tenham mesmo sido criados para ajudar nas despesas da faculdade.
A ver bem somos, das clássicas, a que menos vagas para CF tinha; mudamos de instalações em Fevereiro (de um palacete dos finais do séc XIX, para um edifício que em termos tecnológicos é cutting edge). Digo isto porque é visível a falta de dinheiro na faculdade;ao fim de um ano os anfiteatros continuam com os buracos no tecto para os aparelhos de ar condicionado por serem preenchidos pelos mesmos....
# por Blogger Willy : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Isso mesmo, continuem a enterrar-se. Sigam o brilhante exemplo de enfermagem.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Um exame de acesso à profissão exigente, e melhor, em três partes como acontece com o united states medical licensing examination (USMLE) nos EUA, que em três exames avalia a componente propedêutica, clínica e técnica (clinical skills), poria um ponto final na desregulação de que os cursos de CF começaram a padecer. O curso até podia ter 5 anos puramente teórico-práticos e o exame servir de acesso ao estágio (como pela Ordem dos Advogados).
Um exame sério punha de volta nas mãos da Ordem a acreditação dos cursos numa forma indirecta. Como a OF não tem poder sobre a acreditação dos plnaos curriculares nem da qualidade formativa das instituições, um exame complexo obrigaria as faculdades a adaptarem os seus cursos, pois caso não o fizessem, corriam o risco dos seus formandos não serem capazes de superar a prova. É claro que isto ficava muito mal para qualquer faculdade que quisesse cativar alunos do secundário, especialmente se os resultados dos exames fossem públicos e expostos por aluno, por faculdade.

Quanto ao caso da Ualg, é à figura do coordenador que cabe a ultima palavra no que quer que seja que diga respeito ao curso em questão, incluindo, o plano curricular. Daí que não faça qualquer sentido a posição ser ocupada por um não-farmacêutico.
Já agora, a tecnologia farmacêutica é dada por um não-farmacêutico!?!?! Isto vai de mal a pior...

Outra coisa que vai no caminho destes cursos sacados à pressão, na UBI a directora do novo curso de CF é - pasme-se - MÉDICA!!! E se repararem no plano curricular, também não prima por ser dos melhores.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Caro Peliteiro, de um modo geral concordo com os seus pontos de vista.

Especialmente quando chama a atenção ao número incrível e aumentado de farmacêuticos recém -licenciados e os novos cursos (nem sabia da existência de metade deles...) de CF.

Bom, mais tarde ou mais cedo, acreditação pela OF dada aos cursos de CF vai acabar. O exame à ordem seria o que deveria nivelar. No entanto, e como eu não acredito na transparência de assuntos burocráticos em Portugal, duvido que isto fosse solução. (é triste...)

O que nos resta? Resta-nos sermos melhores por termos tradição no ensino de CF. Resta as faculdades que estão nessa posição, e aquelas que mesmo que não sejam tão antigas mas têm fundos para isso, tornem-se actualizadas e "produzam" licenciados de qualidade.

Senão somos todos umas salsichas iguais umas às outras, nada nos distingue e pior, somos todos aceites pela OF, porque... é politicamente correcto? (digo eu!)

As Universidades e Politécnicos são um negócio... até para o Estado.
Aliás, o Estado agradece! Aumentamos o índice de jovens licenciados, de população activa com licenciatura. Mas esquecem-se da absorção de tanto licenciado no mercado de trabalho...

Como conclusão, gostaria de dizer que a meio do meu curso lembro-me perfeitamente de estar desiludida com o modo que certos professores decidiam fazer os exames às respectivas cadeiras... por exemplo, ir buscar perguntas de anos anteriores. Ficava muito triste porque isto revela falta de exigência para com os alunos. Quase que pedem com "se faz favor" para o aluno debitar e papagear a resposta.
Isto, para o aluno é obviamente a situação ideal, claro. Significa que passa na cadeira e até com forte possibilidade de ser com uma grande nota.
Depressa mentalizei-me "no final, vamos todos ser farmacêuticos". A média? isso não conta para grande coisa... excepto para garantir uma bolsa da FCT. (e mesmo assim, sei de casos onde isto nem sequer é verdade).

A minha desilusão foi só em relação ao universo FFUL. Imaginem alargar a triste realidade às outras faculdades. E depois pensar nos cursos que hoje existem com as palavras "ciências farmacêuticas" no título e que de farmácia pouco ensinam?
# por Blogger Andie : quarta-feira, fevereiro 17, 2010

 

 

 

Penso que o poder de acreditação por parte das ordens profissionais aos cursos já acabou "oficialmente", tendo sido criada pelo Governo a denominada "Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior" - o mesmo é dizer que por mais que do seu conselho consultivo até façam parte os bastonários das ordens profissionais, cursos sem a qualidade mínima exigível em termos de corpo docente e plano de estudos continuarão a ser aprovados. Como referiu um anónimo anteriormente, um exame de acesso à Ordem seria o ideal e, nesse aspecto, vejo positiviamente o exame de acesso ao estágio instituído pela Ordem dos Advogados recentemente precisamente por motivos de "garantia da qualidade".

O ensino superior em Portugal está caótico, é um negócio, lucrativo para as privadas e para ficarmos "bem" nas estatísticas. Está doente e não me parece que vá deixar de estar...

Essa (má) prática de alguns docentes, referida pela Andie, a tal de ir "buscar perguntas de anos anteriores", é uma realidade disseminada por todo o ensino superior praticamente. Há quem estude "a sério" e não passe; há quem estude por exames de anos anteriores, decore as respostas, despeje as respostas, e tenha uma grande nota.

É o país que temos.
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

 

 

Por tudo isto, e também pela antipatia do Governo pela profissão - Ana Jorge se pudesse extermináva-nos -, tenho uma perspectiva muito negativa do futuro.
Se não fosse a ANF onde isto já ia tudo...
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

 

 

Sem qualquer formação académica na área da saúde tenho acompanhado esta discussão com interesse. Sinto até alguma esperança ao ver os comentários de alguns estudantes preocupados com algo mais do que a sua média final.
Permitam-me então a intromissão com dois comentários:

1- Enquanto estudante também conheci alunos que se dedicavam a resolver testes dos anos anteriores e “sacavam” grandes notas.
Durante algum tempo invejei a capacidade que estes colegas tinham em decorar e repetir o que memorizavam, mas não compreendiam. Por um breve período tentei uma abordagem a este método tendo obtido péssimos resultados. Compreendi então que não tinha jeito para papagaio..

Foi aí que percebi a diferença entre alunos e estudantes. Explico:
Um aluno vai a todas as aulas, dedica-se mais à cadeira do que à matéria leccionada, resolve os exames dos anos anteriores, engole de forma acrítica o que os docentes dão nas aulas para depois regurgitar no exame e ainda, pasme-se!, chega ao cúmulo de arrancar dos livros as páginas sobre a matéria que os professores dizem não sair no exame (eu vi!).

Um estudante… estuda. Tem um interesse nas matérias abordadas que ultrapassa as salas de aula. Lê, compara e procura discutir a bibliografia recomendada, tem dúvidas(!), pesquisa outros autores além dos indicados pelo docente, consulta periódicos sobre as matérias que estuda e percebe, por vezes, que o conhecimento do professor cristalizou 3 décadas atrás.
Em suma: um estudante estuda e no final acaba a cadeira com um 10 ou com um chumbo (neste último caso normalmente obtém aprovação no ano seguinte com 16 valores, ou mais, após ter tido tempo para amadurecer a matéria).

Certamente já perceberam pela ênfase do texto que eu enquadro-me no segundo grupo.

2- Leio aqui muito sobre exames de acesso à ordem, creditação de cursos, referências a cursinhos, etc.
Da minha experiência profissional parece-me que esta é uma questão menor. Quem vai realmente fazer uma selecção cuidadosa é o mercado de trabalho.
As médias, as creditações, etc. podem ter peso no primeiro emprego/estágio, mas depois vai prevalecer a capacidade de trabalho, a sensibilidade, a vontade, o empenho e a determinação de cada um.

Ainda me apetecia escrever sobre os docentes “de aviário” mas acho que já me estou a esticar, além de que sinto o risco de cair na vingança pessoal (coisa que não me apetecia).
Enfim, espero ter trazido algum contributo à discussão e algum ânimo aos jovens estudantes que aqui têm deixado as suas impressões.
B.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

 

 

"Quanto ao caso da Ualg, é à figura do coordenador que cabe a ultima palavra no que quer que seja que diga respeito ao curso em questão, incluindo, o plano curricular. Daí que não faça qualquer sentido a posição ser ocupada por um não-farmacêutico.
Já agora, a tecnologia farmacêutica é dada por um não-farmacêutico!?!?! Isto vai de mal a pior...

Outra coisa que vai no caminho destes cursos sacados à pressão, na UBI a directora do novo curso de CF é - pasme-se - MÉDICA!!! E se repararem no plano curricular, também não prima por ser dos melhores." - Anónimo de Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010
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É notório, quer no plano de estudos do MI em Ciências Farmacêuticas da FCT-UAlg quer no plano de estudos do mesmo na FSC-UBI, a falta de cadeiras aplicadas na área das ciências farmacêuticas propriamente ditas, porque, como disse lá atrás, apesar da base científica sólida e vasta do curso, este não deixa de ser um curso de saúde e uma ciência com os seus saberes próprios. E é evidente que não há massa crítica farmacêutica suficiente, em quantidade e qualidade, para tanto curso. Aqui está o plano de estudos da UBI: http://www.fcsaude.ubi.pt/ensino_farmacia_plano.html
Quanto à formação da Sra. Coordenadora do curso, gostaria de Luísa Granadeiro, não é licenciada em Medicina, mas sim licenciada em Ciências Farmacêuticas e doutorada em Bioquímica, como se pode ver no site do MCTES (Informação relativa a 31/12/2008): http://www.rebides.oces.mctes.pt/rebides08/rebid_m3.asp?CodD=2070&CodP=0400 (apesar de na informação do MCTES relativa a 2000 a mesma Sra. aparecer como docente da Fac. de Medicina de Lisboa e como licenciada em Medicina: http://www.rebides.oces.mctes.pt/Rebides00/rebid_m3.asp?CodD=4453&CodP=0705). Bom, se calhar formou-se em ambos os cursos - e o curso de MI em Ciências Farmacêuticas da FCS-UBI, salvo erro, só começou a funcionar em 2005 ou 2006.

De qualquer modo, é impressão minha ou não vejo qualquer cadeira de tecnologia farmacêutica quando em qualquer das três clássicas - FFUP, FFUC e FFUL - existem, pelo menos, TRÊS tecnologias farmacêuticas, que cobrem desde formas farmacêuticas sólidas às estéreis/injectáveis? Será que dão tudo isso numa cadeira de Farmácia Galénica com 12 ECTS? Mesmo assim, 12 ECTS parecem-me (muito) pouco para tanto. Olhando para a Química Farmacêutica vejo apenas uma, apenas com 6 ECTS. Vejo apenas uma microbiologia - e é "geral" (Microbiologia Geral). E onde estão a virologia, a bacteriologia, a parasitologia e a micologia, sobretudo nas suas vertentes clínicas e do diagnóstico laboratorial, uma vez que as análises clínica são uma das áreas de actividade farmacêutica? Darão tudo isso de forma "integrada" na cadeira de "Farmacologia da Infecção", com 18 ECTS? É um plano de estudos, no mínimo, estranho...

Antes de 2000 existiam 4 cursos (FFUC, FFUL, FFUP e ISCSEM, este último privado), hoje existem 10 e muitos de qualidade duvidosa. Resta-me apelar à APEF, enquanto estudante que preza pela sua formação e pelo futuro formativo dos que vierem depois de mim, e que nos representa a todos, que actue junto do MCTES, que actue junto dos partidos da Oposição, que actue junto da sociedade civil, que faça propostas e que transmita as preocupações dos estudantes de Ciências Farmacêuticas. Parados e isolados é que nada faremos para mudar a actual situação.
# por Anonymous Ricardo M. Oliveira : quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

 

 

A pressão junto do ministério é coisa que nunca funcionou. Reparem no poder político dos advogados e engs, mesmo assim, os cursos de direito e eng ploriferam por esse país fora. A medicina, não tem grande representação nas bancadas do parlamento, e mesmo que tivesse, tal como com os advogados, não ia impedir em nada a ploriferação de cursos de forma desajustada (como está a acontecer).
Ao contrário do que foi dito, acredito que a ceifa pode ser feita por exame(s) de acesso à profissão/estágio. Claro que não pode ser um exame qualquer, mas um exame sério, consistente, e sem dúvida, exigente. Pelo menos forçará as faculdades a tornarem os seus cursos curricularmente adequados ao exame, e como este é feito pela Ordem, pela estrutura do mesmo, esta conseguiria indirectamente ter poder sobre as faculdades (o que já não é mau de todo).
Estamos em risco de passar de um curso que forma uma pequena profissão de elite técnica e ciêntifica, para formar um mar de incompetentes (provavelmente já lá estamos).
Com base nesta discussão senti-me compelida a dar uma olhadela a todos os plano curriculares, há inconruências em quase todos, mas não há nenhum tão mau como a trindade Ualg, UBI e Fernando Pessoa (este, mais antigo que os anteriores, é no mínimo, estranho).
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

 

 

Esqueci-me de dizer que a minha directora de curso (CF, na UAlg) já deu aulas também na FFUL, por isso o meio farmacêutico não lhe é assim tão desconhecido.

Agora eu lanço uma pergunta? Também acham normal uma cadeira de matemática ou de bioestatística, por exemplo, ser dada por farmcêuticos, ou profissionais que são da área, publicam nessa área e adequam o conteúdo às ciências farmacêuticas? É que um professor de matemática ser farmacêutico, para mim, desculpem-me, mas também uma situação bizarra, tal como acontece em muitas clássicas.

Porque é que não olham para os planos de estudos de algumas clássicas? Também encontro muitos defeitos.

Confirmo que na UAlg haja necessidade de alguns ajustes, mas as clássicas também necessitam. Um plano de estudos não se descreve pelo nome, mas sim pelo conteúdo intrínseco a esse nome e pelo docente que lecciona.

Mas sinceramente, a maior culpa de tudo isto foi a redução do número de meses do curso... Se calhar não haveria planos tão "aberrantes" como para aí dizem.

Mas sim, que venha daí um exame coerente e demonstrativo das capacidades de cada um (nada disso que acontece em medicina de acesso) que realmente separe o trigo do joio e permita o acesso à Ordem. Cá estarei para demonstrar as minhas capacidades em pé de igualdade com os meus colegas das outras faculdades... Quem sabe não surgiriam surpresas nos resultados e os pequeninos com estudos aberrantes não fossem assim tão incompetentes por estudarem numa FCT.
# por Anonymous JF : segunda-feira, fevereiro 22, 2010

 

 

 

O meu nome é Amílcar Falcão e fui citado algures no meio da discussão. Sou farmacêutico com muito orgulho, mas isso não me retira visão periférica nem me torna míope. Estive efectivamente na génese das duas licenciaturas mencionadas (Farmácia Biomédica e Ciências Bioanalíticas) e, até alguém me provar o contrário, penso que estive do lado certo.
Terei muito gosto em explicar a quem quiser o minha posição, mas não o faço publicamente porque existem razões estratégicas que não se discutem no café.
Uma coisa é certa, a política da avestruz apenas tem conduzido a profissão farmacêutica para um buraco cada vez mais fundo. E para quem me conhece há largos anos, sabe bem que fui um dos alunos mais contestários que à época se insurgiu contra a fusão dos ramos que existiam. Estamos a pagar esses erros e há duas formas de agir: pró-activamente (que é a minha), ou apelando ao faduncho da desgraça. Cada um é livre de optar, mas para se fazerem juízos de valor sobre as minhas opções conviria primeiro que ouvissem o que tenho a dizer sobre o assunto. A não ser assim, não só é falta de educação como obviamente peca por ausência de argumentos.
# por Anonymous Amílcar Falcão : segunda-feira, março 01, 2010

 

 

 

Gostava de saber em que é que criar licenciaturas semelhantes aos antigos Ramos, ajuda na salvaguarda dos direitos farmacêuticos. É que os formados dessas duas licenciaturas não vão ser farmacêuticos. O que a FFUC está a fazer, é entregar de bandeja, formação de qualidade específica farmacêutica, a futuros não farmacêuticos.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, março 01, 2010

 

 

 

Como a "concorrência" ainda é pouca, há que arranjar mais...
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, março 02, 2010

 

 

 

Há uma coisa com a qual estou de acordo: o número de vagas para CF parece-me exagerado. Neste ano lectivo houve 1046 vagas para CF (na 1ª e 2ª fase em conjunto) e a tendência em relação a 2008 foi a de aumentar o número de vagas, principalmente nas privadas. A minha dúvida é: se esta tendência se continuar a verificar os formado em CF não encontrarão sobressaturação no mercado? Sou aluno de Farmácia Biomédica e possivelmente não entrarei na ordem nem poderei exercer as vossas funções, mas penso que este assunto podia ser debatido pois os farmacêuticos são um grupo profissional essencial ao país.
# por Anonymous Marques : segunda-feira, março 29, 2010

 

 

 

Como aluna do curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Beira Interior sinto-me na necessidade de corrigir algumas coisas que foram ditas,nomeadamente ao nivel do plano curricular este inclui:
Física Aplicada, Introdução às Ciências Farmacêuticas I , Matemática, Química I , Bioestatística , Farmacognosia I,
Introdução às Ciências, Farmacêuticas II, Química II , Química-física ,
Anatomia e Fisiologia Humana I,
Bioquímica I , Farmacognosia II ,
Métodos Analíticos I, Química Orgânica , Anatomia e Fisiologia Humana II, Bioquímica II ,
Métodos Analíticos II, Microbiologia Geral ,
Química Orgânica Farmacêutica,
Farmacocinética,
Farmacologia da Infecção ( sendo que esta inclui três cadeiras - Farmacologia, Microbiologia e Quimia Farmacêutica ),
Patofisiologia e Farmacologia Humana ( inclui Patofisiologia , Farmacologia,Quimica Orgânica Farmacêutica ) , Sociologia da Saúde, Farmácia Galénica, Organização e Gestão Farmacêutica ,
Prevenção e Terapêutica , Química e Microbiologia de Águas e Alimentos, Toxicologia e Análises Toxicológicas, Biotecnologia Farmacêutica, Deontologia e Legislação Farmacêutica ,
Farmácia Clínica. Fitoterapia e Medicinas Naturais,Medicamentos de Uso Veterinário, Análises Químico-biológicas de Aplicação à Clínica .

Penso que é notória a grande quantidade de cadeiras que temos aplicadas, quero destacar ainda que 90% dos docentes que nos dão aulas apartir do 2º sao Farmaceuticos e Doutorados. Sendo que Obviamente a directora de curso também o é. Saliento ainda que vim de uma outra universidade clássica onde estive exactamente no mesmo curso, e apesar do metodo de ensino na UBi ser único no país na area de Ciências Farmacèuticas em nada fica atraz da srestantes universidades. A titulo de exemplo destaco o facto de seremos os unicos alunos com o grande privilegio de termos estágio Obrigatório todos os anos do curso, tendo um obviamente final. Por fim quero apenas ressaltar que considero uma grande falta de consideração opinar sobre algo que não se conhece, sendo que o plano curricular do curso pode ser consultado por todos e facilmente, bem como o curriculo dos docentes. Faço votos que cada vez se formem melhores profissionais que isso sim é importate.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, janeiro 13, 2011

 

 

 

Anónimo da UBI: Onde está a tecnologia farmacêutica? Numa cadeira de farmácia galénica quando todos os outros - salvo a fantástica Ualg - têm 1 galénica e 3 tecnologias?
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, fevereiro 04, 2011

 

 

 

Sou aluna da Universidade do Algarve!

O nosso curso de ciências farmacêuticas não cria profissionais de saúde, é praticamente um curso de ciências exactas...
# por Anonymous Anónimo : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

O curso de Ciências Farmâceuticas na universidade da Beira Interior foi aprovado pela ordem dos Farmacêuticos.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, julho 04, 2011

 

 

 

Boa tarde Marques, estou a pensar em concorrer para farmácia biomédica dado que não tenho média para ciências farmacêuticas e gostava de saber se me podia tentar contactar para me falar um pouco da sua experiência e opinião. Obrigado.
# por Blogger Pedro Miguel Vieira : segunda-feira, setembro 15, 2014

 

 

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