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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde 2003


segunda-feira, 30 de junho de 2003

Um blogue para ter textos novos tem que ter um template simples. Senão distraímo-nos com questões de imagem e não escrevemos nada. Gastei aí umas 3 horas a aprender HTML, a introduzir links que abrem numa nova janela, a fazer tabelas, e a centrar textos. Com este tempo todo podia ter escrito um texto do tamanho da Guerra e Paz.

Peliteiro,   às  00:51
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domingo, 29 de junho de 2003

O Dr. Carlos Monjardino anda por aí a gabarolar-se que tem 119 relógios, 12 carros, 7 casas próprias e 24 arrendadas, 1 barcão e 12 filhos.
Nada mau para um milionário de esquerda. Ser presidente de Fundações é um bom ganha pão.
A Fundação Oriente, instituição de utilidade pública, continua em alta. A Fundação para a Saúde parece calmamente aguardar o regresso ao poder dos amigos socialistas, já que nunca mais se ouviu falar dos grandiosos projectos de investimento na saúde, nomeadamente a criação de um sub-sistema a juntar ao Sistema Nacional de Saúde; com dinheiros dos quadros comunitários de apoio, claro.
Isto é que há tipos espertalhões!

Peliteiro,   às  19:04
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quinta-feira, 26 de junho de 2003

Eu, o Rui Rio e a Manela Ferreira Leite é que devíamos mandar nisto. Endireitavamos esta coisa num instante.

Senão vejamos o caso RTP. Está a ser muito mal conduzido, o Morais Sarmento é fraquito, é só fumaça, o projecto apresentado é confuso, foge ao bom senso, ninguém acredita que vá chegar a bom porto. O que nós faríamos era muito simples: privatizávamos tudo e ficavamos só com o mínimo suficiente para fazer funcionar a RTP 2 e a RTPi. Se ninguém comprasse dávamos. Uma estação pequenina, com um bom serviço de notícias, e que tinha que ser autosuficiente. Fácil.

No caso da TAP, a mesma coisa. Longe vai o tempo em que uma companhia aérea de bandeira era sinónimo de soberania; não faltam companhias a querer levar-nos aos quatro cantos do mundo. Aqui se ninguém comprasse ou sequer aceitasse a dádiva, nós ainda pagariamos uns milhõezitos a quem com a TAP ficasse. E quem ficasse com a TAP levava o SLB.

Na casa da música do Porto era mais fácil. Acabavam-se logo os problemas com os administradores e programadores e a rapaziada do lobi da cultura. Vendíamos ao Corte Inglês, davamos de bonus o edíficio transparente da Foz e com isso construíamos 300 escolas de musica pelos bairros do Distrito.

Os Governadores-civis e respectivas equipas eram extintos, as juntas de freguesia urbanas e seus executivos idem. Dos Generais já aqui falamos.

Em vez de criar novos concelhos, faziamos fusões de concelhos, por exemplo Póvoa e Vila do Conde passavam a ser um só (acabava o carro do lixo que vai até metade da estrada porque na outra metade logo virá outro carro de outro concelho); Porto, Gaia e Maia; Famalicão, Sº Tirso e Trofa; Lisboa, Almada, Amadora, Sintra e Loures e aquela trapalhada toda de concelhos. Acham muito? Já ouviram falar da Pfizer-Pharmacia-Upjohn ou da Glaxo-Smith-Kline-Beecham. Isto é que era descentralização, estruturas em pirâmide achatada, como a da instituição mais antiga, poderosa e disseminada, a Igreja Católica. Pouca a gente a mandar. É claro que alguns ministérios também eram extintos.

Pois bem, aqui ficam anunciados alguns projectos para quando nós os três formos poder. O deficit deixará de ser problema, a Irlanda será rapidamente ultrapassada e Olivença seria de novo nossa. Se o povo for espertinho não deve faltar muito tempo.

Peliteiro,   às  23:47
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quarta-feira, 25 de junho de 2003

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O paladar é o nosso sentido mais incompetente.

Foi desenvolvido, concerteza, para nos aliciar a suprir as nossas necessidades nutritivas primárias e para nos ajudar a discernir o que é bom e mau para ser digerido e absorvido.

Só que à medida que a evolução do homem se foi desenrolando tornou-se hedónico. E um perigo para a saúde publica. As papilas gustativas deviam ter, como no tabaco, uma mensagem afixada dizendo: “seguir o seu paladar prejudica gravemente a saúde”. Nós só gostamos do que faz mal.

Não devia ser o contrário se o paladar fosse eficiente? Que asco, um cozido à Portuguesa, hoje já tenho a minha ração de proteína, agora sabiam-me bem umas fibras, talvez um pouco de farelo de milho com um copo de água. Ou, que horror, um pudim abade de priscos, nem pensar sou diabético, nem posso ver isso, dá-me vómitos, apetecia-me era uns rebentos de soja. Ou, já não como umas papas de sarrabulho há anos, a minha mãe faz as melhores papas à moda de Famalicão que há, mas deixei de gostar inexplicavelmente, e depois, vim a descobrir que tinha o colesterol a mais de 300. Assim é que devia ser.


Peliteiro,   às  00:26
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Então o Ferro não sai? Só quando cair da cadeira é que nos livramos dele? Que melga feia!

Peliteiro,   às  00:17
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terça-feira, 24 de junho de 2003

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A reforma da função publica peca sempre por tardia. Até dá dó.
Bem que pode o ministro Sousa Franco reivindicar a paternidade de muitas ideias e orientações; podia era ter feito alguma coisa.
Não se podem esquecer, no entanto, de dois pontos fundamentais:
- A admissão na função publica não pode estar baseada em compadrios e paga de favores;
- O mérito individual tem que ser recompensado, o demérito tem que ser punido.
Não é possível que em muitos serviços, se verifique que o director o é porque o pai pagou os cartazes para a campanha eleitoral do partido vencedor, e que o varredor também o é porque os colou durante essa mesma campanha.
Não é possível que um trabalhador seja promovido apenas por tempo de serviço. A incopetência alastra como um bolor. Se ele não produz porque é que eu hei-de produzir? Ele ganha tanto como eu, o chefe ainda pensa que eu quero o lugar dele…Premiar o mérito é básico, é pavloviano.

Peliteiro,   às  23:57
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O Luís Filipe Menezes é um exemplo para o país. É gastar à tripa forra que alguém há-de pagar. Parece o SLB.
O despique do fogo de artifício Gaia – Porto é um exercício de ostentação medíocre de mau vizinho.
Pena é que eu tenha que pagar estas coisas e muitas mais.
Ninguém mete na ordem estes caciques?

Peliteiro,   às  23:19
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A esta hora, milhares de pacóvios andam a dar marteladas na cabeça de milhares de pascácios. As festas populares, hoje, não celebram o solstício de Verão nem celebram nada, os martelos não têm qualquer ligação com o alho porro nem com as mocas, os manjericos não cheiram a nada. É uma turba a calcar os calcanhares, a moer a cabeça do semelhante e a feder a sardinha espanhola moída; na mais pura tradição da parvalheira colectiva.
E os políticos lá metidos no meio, com grande sacríficio e perseverança. O Nuno Cardoso - que por ter uns negócios pendentes lá quer voltar a ser presidente da câmara - a arfar com a asma; e o Jorge Sampaio enojado com os beijos das velhas lá deve estar a fazer o sacrifício de demonstrar que é um presidente popular. Que ridículo que ele fica quando quer parecer um “gajo porreiro” e que tristes figuras fez na Terceira. Devia assumir que não tem o à-vontade dos sem-vergonha que tinha o seu antecessor, que até tartarugas montava; pronto paciência!

E já agora para que serve um Presidente da República? Para nada! Se fosse um cargo difícil, pelo princípio de Peters ele, que foi um mau presidente da Câmara, seria um péssimo PR. Mas não, é um presidente normal, como todos eles, nem bom nem mau, não servem para nada, só para estourar orçamentos.
A Monarquia também não é uma boa solução, nem estou a ver o D. Duarte como figura primeira do Estado. Nem me parece que ninguém nasça predestinado para Rei. A história tem muitos exemplos de doidos e desmiolados que por terem nascido como nasceram, lá martirizaram os respectivos povos com os mais variados disparates.
Quanto menos figuras de Estado, melhor. Menos asneiras se faziam e diziam e menos se gastava.

E já agora, porque o PR é o Chefe Supremo das Forças Armadas, para que serve o Ministério da Defesa? Para nada! Acabar com eles. Uma reforma condigna para os que estiveram na na guerra, porque esses até merecem, e aos outros: carga nisso. Quando estive na tropa bem vi como os chicos todos se embebedavam dia sim dia sim, passavam a vida a jogar à lerpa e ao montinho, a frequentar casas de fama duvidosa e a massacrar os desgraçados do SMO.

E já agora, alguém me explique um fenómeno assaz estranho. Porque diabos eu, jovem recém licenciado, fui dar com os costados a uma camarata comum nauseabunda, com mais 200 mancebos, fui obrigado a fazer marchas nocturnas de 12 horas consecutivas, a dormir ao relento, ao frio e à chuva, a ser humilhado e sacrificado, enquanto que jovens mais ou menos da mesma idade - agora famosos - não puseram lá os pés? Estou a falar do Paulo Portas, do Paulo Pedroso, do Francisco Louçã, do Morais Sarmento, do Mourinho, do João Loureiro, do Francisco Assiz, do João Baião etc etc . Deve ser pela mesma razão por que eles aparecem nas colunas dos jornais e ocupam cargos publicos e eu nem sequer cheguei a presidente do condomínio aqui do meu prédio.


Peliteiro,   às  00:55
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sábado, 21 de junho de 2003

Embora não sendo medicina baseada na evidência, suportada por rigorosos ensaios ciêntificos, aqui vão algumas constatações:

- As mulheres depressivas têm pelos que saem das narinas;
- Os homens com diminuição da líbido ou disfunção eréctil têm orelhas grandes e cabeludas;
- Os pobres têm sempre muitos calos nos pés;
- Os ricos andam sempre constipados e são alérgicos a muitas coisas;
- A velhice faz-se sempre anunciar por uma tremenda queda na banheira.
:-)))))

Peliteiro,   às  00:16
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quarta-feira, 18 de junho de 2003

Alguns seres vivos, em regiões desérticas, têm ciclos de vida espantosamente reduzidos. Há plantas que na curta época de chuvas nascem, reproduzem-se e logo morrem; há flores de cactos que persistem apenas por uma noite.

Isto faz-me lembrar aquelas jovens mulheres muito bonitas (como a rapariguinha do shopping do Rui Veloso) que num dia são umas musas, lindas de morrer, bem vestidas e cuidadas, e no dia a seguir são umas baleias, com buço, vestidas com uns andrajos que realçam a celulite e a barriga, cabelo escorrido, dentes cariados e outros atributos pouco atraentes.
O que lhes aconteceu? Não sei bem, mas a explicação pode será a mesma da queda do Império Romano.
A culpa é daqueles jovens elegantes e valorosos generais, montados nas suas belas quadrigas, que mal acabam uma conquista e o respectivo saque se transformam numas bestas egoístas, traidores, mentirosos, indolentes, que só pensam em banquetes e copos, engordam, desleixam-se, perdem a compustura e as maneiras.
A vida fica assim muito limitada, todas as esperanças e sonhos se esvaiem e atinge-se um estado de sobrevivência vegetativo, suportado com muito custo a expensas de doses massissas de prozac, telenovelas ou vinho tinto.

Mas estamos no século XXI, e tivemos exemplos concretos esta semana de que pode haver vida para além dos 20 anos.

Hoje temos ginásios, solários, botox, silicone, viagra e um arsenal imenso de recursos equivalentes a um excelente elixir da longa vida.
O exemplo veio de cima, de um lider incontestado e venerado, e concerteza causará efeitos profundos na nossa sociedade.
Atentemos então no encontro do Pinto da Costa com a sua jovem e fogosa mulher, no Estádio Nacional. Mal acaba o jogo, pressente-se a inquietude de ambos, a abstração completa, os seus olhos procuram olhos, os seus lábios procuram lábios, ela diz que sofre de uma aceleração do ritmo “cardiéco”, adivinham-se as palpitações, arritmias, taquicardias e hipertensões próprias do amor intenso e desejoso. Então o homem, ofegante, sobe umas escadas com a mesma leveza com que calcaria nenufares em busca de um tesouro inadiável. E encontram-se - a imagem tolda-se com um fundo rosa, desenham-se coraçõezinhos e milhares de cupidos lançam as suas setas certeiras, pressente-se o aroma de feromonas perspirado por todos os poros -, e beijam-se emotivamente, sem vergonhas ou timidez.

Nunca é tarde para o amor. Foi uma pequena corrida para um homem mas um grande passo para a sociedade.

Peliteiro,   às  00:17
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terça-feira, 17 de junho de 2003

Um dos acontecimentos históricos que mais me intriga é a manutenção de vastos territórios, em localizações longínquas e dispersas, por longos períodos de tempo, pelos Portugueses.

Não é a descoberta e a conquista. Se considerarmos os traços de personalidade de um povo, como relativamente imutáveis através dos tempos, não me surpreende que em dado momento, os Portugueses, perseguindo um objectivo, se tivessem agigantado e conseguissem superar tudo e todos. Percebo, portanto, a existência de grandes figuras, percebo que os Lusos tivessem dominado a tecnologia mais avançada, a arte militar e marítima numa época histórica determinada.

Agora, o que é tão misterioso como a construção da pirâmides egípcias, ou das estátuas da ilha de Páscoa, é como conseguiram conservar esses domínios por largos séculos. Mais ainda, acredito que se não fosse a descolonização cobarde feita nos idos de 75 (como é bom ter um blog que ninguém lê e poder chamar traidor ao Mário Soares, ao Almeida Santos, ao Vasco Gonçalves e a esses pulhas desonestos todos, sem ter que ser politicamente correcto) e se se fizesse um referendo, que desse realmente a possibilidade da autodeterminação aos povos das nossas “ex-colónias”, a hipótese de integração numa região autónoma Portuguesa não seria concerteza das menos votadas.

Bem queria eu que a explicação fosse um tónico para os nossos sentimentos nacionalistas, principalmente agora que tudo corre mal, tudo é depressivo, as más notícias surgem em catadupa e o comissário Fischler quer reduzir a nossa ZEE de 200 para 12 milhas. Porém só me ocorre um mecanismo, certamente simplista, mas que consiste na facilidade que os Portugueses tem para se aculturarem e para promoverem a mestiçagem. Os colonos Portugueses serão os únicos a aceitarem como iguais e legítimos os seus filhos mestiços; estes mantém a fidelidade à metrópole, mantendo os mesmos direitos de um cidadão nascido no Minho ou nas Beiras. É um fenómeno multiplicador, que gera a massa humana suficiente para suster todas as tentativas de usurpação do domínio lusitano. É o Império da mestiçagem, com expressão no Brasil, em Timor, Goa, Cabo Verde, e em muitas outras paragens longínquas.

E é uma bonita explicação.

Peliteiro,   às  00:49
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sexta-feira, 13 de junho de 2003

Estou a ver o "Rasganço", na 2, e Coimbra continua na mesma. Isso é que eram bons tempos!
A Raquel Freire capta bem algumas ambiências da vida dos estudantes. A história é um pouco brutal e inconsistente.
O meu rasganço foi uma história bem mais divertida, lembro-me que acabei o dia a pintar - usando a técnica de chapinagem - as paredes da sala com feijoada, e a fazer uma sangria gigante num balde e usando um cabo de vassoura.

Peliteiro,   às  00:49
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Póvoa de Varzim 

O meu pai sempre disse que a praia da Póvoa de Varzim era a melhor praia de Portugal. Sempre me pareceu um pouco exagerado.
O que eu não sabia é que, segundo um artigo pubicado na Volta ao Mundo de Junho, bem escrito, rigoroso e bem fundamentado, a praia da Póvoa é “provavelmente a praia de banhos mais antiga de portugal”, no século XIX “era considerada uma das melhores estâncias balneares do país”, descrevendo-a Ramalho Ortigão em 1876 como “o caravansará dos habitantes do Minho em uso de banho ou de ar do mar”, e que em 1926 “um decreto governamental classificava as praias do continente em três categorias, sendo a Póvoa de Varzim uma das 8 praias de primeira ordem” (as outras são Vila do Conde, Granja, Espinho, Figueira da Foz; Cascais; Estoril e Praia da Rocha).
É verdade que as gentes do baixo Minho tem um afecto especial por esta praia, gostam mais dela que os próprios poveiros, e acreditam que os banhos naquelas águas geladas tem muito de benéfico para a saúde física e mental. O ano passado ouvi um senhor transmontano dizer para a mulher: vês, os nossos netos estão sempre doentes porque vão para o Algarve e não vêm para a Póvoa, isto é que é uma praia, tem nevoeiro, tem vento, tem orvalho, tem água fria e escura, tem areia grossa; ou seja enumerava todas as características que geralmente se aceitam para classificar uma praia como má.
Eu sou também um exemplo dos incondicionais da Póvoa, frequento-a desde que nasci, acabei por vir morar para cá, e já cheguei a antecipar o regresso a casa de umas férias repartidas entre S.Tropez, Rimini e Portoroz (na então Jugoslávia) para poder gozar dos banhos poveiros. Umas férias de Verão sem Póvoa, não são boas férias. Cá é que se encontram caras que não se vêm há anos e gente que só se vê aqui no Verão.
Nada melhor que meia hora de braçadas na água gelada, cinco minutos de descanso em cima da areia a escaldar e um minuto de sede para um fininho gelado…

Peliteiro,   às  00:35
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quinta-feira, 12 de junho de 2003


Porque oferecem tantos brinquedos às crianças e elas não brincam com nenhum?
Entrar num quarto de brinquedos de uma casa com crianças é como entrar num sucateiro de aldeia: carros sem portas e sem vidros, bonecos sem cabeças e sem pernas, peças soltas, legos e puzzles tridimensionais, pianos e xilofones e xilarmónicos e violas sem cordas, bolas furadas, cestos de basquetebol e cartazes pendurados nas paredes, livros que caem das estantes, dinossauros, triciclos, e mais sei lá o quê. E eles não ligam nenhuma àquela parafernália. Preferem brincar com coisas mais reais: atirar o aspirador pelas escadas, adubar plantas com champô e regá-las com Betadine, pintar paredes com marcadores, meter pratos no gravador vídeo e secar talheres no microondas.
Este fenómeno entronca num uso corrente, as festas de anos. Impessoais e massificadas com prendas impessoais e sem significado. Se contarmos os amigos da escola, do ATL, do piano, do karaté, da catequese, do inglês, da natação, dos primos, dos primos dos primos, e dos filhos dos amigos dos pais, estatisticamente ficamos com cerca de 2,6 festas de aniversário por fim de semana. Ora, isso dá uma quantidade imensa de objectos que se podem trocar e saltar de casa em casa. Um mercado que nem sempre tem regras que os adultos compreendem, como por exemplo, trocar um carro eléctrico telecomandado por uma bola de pingue-pongue amassada…
No meu tempo não era nada disto. Mas eu não os critico, antes os invejo.
Muitos – como em todas as gerações - dizem que estas crianças estão condenadas ao fracasso, não sabem o que custa a vida e é só facilidades, que o ensino dantes é que era bom, e a educação devia incluir latim e leitura de clássicos e retiros de meditação. Mas o surpreendente é ver uma criança de 7 anos a navegar na net; a ler revistas como a “superinteressante” e a interessar-se por astrologia, geografia e política; a cantar em inglês; a descodificar os canais que o pai interditou na TV; a ganhar no FIFA 2003 e no GT3 da Playstation aos adultos mais habilidosos; a declamar o Cântico Negro, ou, a representar o papel de Príncipe encantado para uma plateia de centenas de pessoas, sem sinais de nervosismo ou gaguez.
Com a idade deles, a geração dos seus pais - e anteriores - andava aos ninhos e aos grilos e quanto muito lia o Mundo de Aventuras.
Que potencial incrível tem as nossas crianças e que mundo fantástico eles podem construir.

Peliteiro,   às  00:29
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terça-feira, 10 de junho de 2003

Kritiké: 

E agora uma crítica da noite, ao estilo Vitor Raínho do Expresso.
O Raínho está um bocado entradote para fazer as crónicas da noite do Expresso não está? Devia dar lugar a alguém mais novo, com mais capacidade para entender as tendências e os movimentos. Ele quanto muito, deveria assinar uma secção para trintões e outros ões, que também faz falta já que o mercado ainda é grande e crescente.

Bom, mas vamos ao que interessa. Na sexta-feira lá fui à inauguração do Buddhas, na Póvoa de Varzim.
Cheguei cedo, pelas 2H, e a entrada já estava caótica. Embora, supostamente, a inauguração fosse só para convidados, havia duas bichas gordas e desorganizadas à boa maneira portuga; ora entravam uns, ora outros. Já estava a ficar irritado, quase a ir-me embora, quando um porteiro conhecido, abriu umas grades laterais para eu entrar. Simpático.
A divisão dos espaços é parecida com a do saudoso Mare Nostrum, mas a decoração é completamente diferente. Ricamente ornamentada, evocando um clima oriental, candelabros enormes em cores fortes e quentes. O impacto visual é grande e os convivas perdem uns minutos a mirar todos os pormenores. Mas o ambiente não é agreste e torna-se acolhedor.O problema é que pode tornar-se rapidamente cansativo; talvez não seja muito do agrado dos mais novos.
O serviço de bar - embora valha a inexperiência do primeiro dia - não é grande coisa, é muito amador e demorado, os copos de cerveja são mínusculos e a variedade de whiskys é pobre.
O ambiente humano não surpreendeu, muitos nativos e frequentadores antigos da zona, os mesmos canastrões do costume que estão em todo o lado, gente do Porto e arredores, e algumas aves raras, talvez vindas de Lisboa ou de Vigo. Boa disposição mas também bastante voyeurismo.
Enfim, vamos ver se temos um sítio decente para beber calma e alegremente um copo nestas noites de verão que se aproximam, e se não descamba num zoológico selvagem com entrada livre e pancadaria assegurada.

Peliteiro,   às  22:27
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domingo, 8 de junho de 2003

Os juízes zangaram-se com os advogados.
Os médicos zangaram-se com os farmacêuticos.
A semana do corporativismo.

O conselho regional do Norte da Ordem dos Médicos pagou a publicação, neste fim de semana, em vários jornais, de um comunicado (Medicamentos – Informação aos Portugueses) onde se mostra muito ofendida com a publicidade da Associação Nacional das Farmácias, ANF, que tem passado na rádio e na TV.

E aproveitam para dizer que o Ministro da Saúde foi assalariado do Grupo Mello, onde a ANF tem uma participação. Insinuam então, que é por causa disto que as Farmácias recebem juros do estado, se o pagamento que lhes é devido não for efectuado dentro dos prazos acordados. Ou de outra forma, o Ministro é desonesto, não zela pelos interesses do Estado e dos contribuintes, e não cumpre as funções para as quais foi nomeado; é um mercenário. Isto parece-me grave, muito grave mesmo.

Já não é a primeira vez que sectores da classe médica lançam umas atoardas do género. Como é possível que uma classe socialmente prestigiada, com elementos de grande categoria, tenha dirigentes deste calibre: O Miguel “traquinas” Leão, da secção do Porto, tem sempre aquela cara de quem foi enganado e abandonado pela mulher na noite anterior ; o António “Guronsan” Bento do S.I.M. tem sempre aquela cara de quem está com uma ressaca brutal. Não há quem os cale e remeta para a sua insignificância?

Quanto à campanha dos farmacêuticos, os Srs. Drs. Médicos tem que se habituar à ideia que já não são os unicos detentores do saber, como no tempo da outra senhora, onde tudo o que dissessem era dogma. Agora o povo já sabe ler, as fontes de informação são variadas e acessíveis, e por outro lado há farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros licenciados, bioquímicos, biólogos, físicos, nutricionistas…, os conhecimentos evoluíram, ninguém sabe tudo, e a ciência é cada vez mais multidisciplinar. E tem que saber que, por acaso, os farmacêuticos são uma classe muito bem organizada, trabalhadora, dinâmica e actualizada, com uma geração emergente bem preparada, com pós graduações em genética, biologia celular, virulogia (a cientista que isolou pela primeira vez o HIV2, era portuguesa e farmacêutica – Odete Santos), análises clínicas, saúde pública, MBAs, administração hospitalar, etc, etc. A campanha mais não faz que despertar as atenções para a evolução destes profissionais, que garantem o único sector da saúde que reconhecidamente funciona bem.

Quanto ao dinheiro que nós ganhamos e à invejazinha baixa, revelada por alguns destes médicos quando dizem que nós conhecemos bem é a margem comercial dos medicamentos, o que tenho a dizer é: trabalhem e estudem mais, deixem de ser dependentes da função publica, invistam e arrisquem, organizem-se em vez de se guerrearem e, acima de tudo, deixem de tratar os doentes como carneiros. Assim ganharão mais e poderão deixar de estar sujeitos à esmola dos laboratórios que vos pagam umas fériazitas e vos dão umas panelas de pressão e uns brindes ridículos.


P.S. Sabem como se distingue um médico muma bancada de futebol? Atira-se uma esferográfica, o que saltar para a apanhar é médico.


Peliteiro,   às  22:13
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quinta-feira, 5 de junho de 2003




Deus criou o Homem.
E distinguiu-o dos restantes seres, dando-lhe a inteligência,
e a pesada consciência da sua própria morte.
Então,
o Homem criou Deus.




"...embalado na doce esperança de que existe, além da morte, alguma coisa que, segundo uma antiga tradição, é muito melhor para os bons do que para os maus."
Fédon



Peliteiro,   às  23:31
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No Sábado á noite fui ao casino.
Não, não fui jogar. O jogo é um vício que não me tenta, porque não tenho a mínima paciência para jogos de azar; nem jeito ou sorte. Fui ao bar-discoteca.
A primeira pessoa conhecida que vi foi a minha peixeira (aquela que fornece os meus magníficos cozinhados de rodovalho, linguado, sapateiras e percebes – tudo fresquíssimo!), com um vestido preto que tapava a custo os seus informes 100Kg. Lá dentro vê-se de tudo, a fauna é rica e variada, uma autêntica arca de Noé.
Donde se conclui que um casino é um dos lugares mais democráticos que há: quem tem dinheiro e sapatos entra; quem não tem não entra. Simples.


Peliteiro,   às  00:11
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terça-feira, 3 de junho de 2003

… O poder dos jornalistas é de facto enorme. Um exemplo é a primeira Associação de doentes com fibromialgia, a MIOS, que teve um divulgação mediática forte. Ou não fosse a sua presidente a deputada-jornalista Mª Elisa, e não tivesse o empenho da mulher do primeiro ministro. Vários jornais e magazines fizeram referência à sua formação, descreveram a doença e seus sintomas, falaram das terapias, dos especialistas, etc etc.
Só que esta Associação, na verdade, não é a unica nem sequer a primeira. Já existia uma! Só que na direcção não constam jornalistas, e a sede é no Porto…
Mas como nunca foi referida nos media, será que existe mesmo ou será apenas um holograma?
“multi sunt vocati, pauci vero electi”




Peliteiro,   às  23:44
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Como é possível que uma notícia tão trenga, como a da criação de uma Associação de praticantes da sesta tenha tanta impacto nos meios de comunicação social? A época das trenguices não é só em Agosto? Aposto que tem lá uns rapazes com fortes ligações ao mundo do jornalismo.

Peliteiro,   às  00:48
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segunda-feira, 2 de junho de 2003

Olha que gira fica a tradução automática do google:
Trenguices
Impressions of a boticário of province.
Monday, June 02, 2003
One of the actuais trends that more admire me is the relation that the urban populations has with the esteem animals. These, in many cases, substitute familiar and friends, and acquire the statute of company animals.
The dogs, then, are the species that more adepts has, or at least that one with more visibility. The dogs go to the hairdresser, have hoteis and hospitals, are dressed and used accessories, slept with the owners, are walked same in days of storm, receive kisses and until inheritances.



Peliteiro,   às  23:53
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Uma das tendências actuais que mais me admira é a relação que as populações urbanas tem com os animais de estimação. Estes, em muitos casos, substituem familiares e amigos, e adquirem o estatuto de animais de companhia.
Os cães, então, são a espécie que mais adeptos tem, ou pelo menos aquela com mais visibilidade. Os cães vão ao cabeleireiro, tem hoteis e hospitais, vestem-se e usam acessórios, dormem com os donos, são passeados mesmo em dias de tempestade, recebem beijos e até heranças.
Não se pense que estes comentários partem de um inimigo dos canídeos! Na minha infância sempre tive cães a quem muito me afeiçoava; só que era numa aldeia e a relação com os animais era completamente diferente: um cão era muito estimado mas tinha o seu lugar próprio.
E embora não compreenda as atitudes de muitos possuidores de cães, respeito-as.
Só não posso aceitar é que os animais sujem os passeios, os jardins e as praias nem que aquele mastim, que o dono diz ser tão meigo e pacífico, ande na rua sem trela e açaime…

Peliteiro,   às  23:33
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