Impressões de um Boticário de Província
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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde Maio de 2003

terça-feira, 16 de Março de 2010

Biologie médicale - Le Portugal s'eloigne de l'esprit européen 

Tradicionalmente, o sector das análises clínicas em França, Espanha, Itália, Portugal e nos países onde estes tiveram influência, por exemplo, Marrocos, Argélia, Venezuela, Chile, Etiópia, Líbia, Brasil, Angola, assenta num sistema com bastantes semelhanças entre si, marcado por uma forte intervenção dos farmacêuticos (no início, a Farmácia desempenhou um papel importante no desenvolvimento da "arte" e muitos laboratórios nasceram como anexos de Farmácias) especialistas em análises clínicas.
Já não é a primeira vez que os franceses usam Portugal como exemplo a não seguir em matéria de evolução do sector das análises clínicas.
Agora, a propósito da inconcebível degeneração do sistema que este Governo está prestes a aprovar, eliminando a classe dos técnicos de análises, quadros médios, necessários, e equiparando-os a técnicos superiores de saúde, desnecessários, levou algumas proeminentes figuras do sector a enviar missivas à nossa Ministra da Saúde:


Jean-Pierre Molgatini, Presidente da "Confédération des Biologistes Europées":
« Madame la Ministre
Prenant connaissance des projets de réforme de la Biologie Médicale au Portugal, la Confédération des Biologistes Européens (CBE) que je préside, tient à réaffirmer fermement le caractère médical de notre profession de biologiste médical, directeur de laboratoire d'analyses de biologie clinique.
Ce rôle nécessite en effet une formation d'un minimum de neuf années, telle que définie et reconnue par l'European Community Confederation Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (EC4LM) et les autorités européennes.
Tout autre professionnel (technicien ou autre) travaillant dans un laboratoire ne peut exercer que sous le contrôle direct du "Biologiste Médical", qu'il soit médecin ou pharmacien, ainsi que la France vient de le légiférer.
»

Simone Zérah, Présidente du comité « Profession » EFCC et Présidente de la commission du Registre EC4, cosignée par le Pr. Jean Gérard Gobert, Président de la Fédération nationale des Syndicats de Biologistes Hospitaliers et hospitalo-universitaires, le Pr. Jean-Luc Wautier, Président du Syndicat National des Médecins Biologistes des CHU, Thomas Nenninger, Président du syndicat des jeunes biologistes médicaux et par Jean Benoit, Président du Syndicat des Biologistes, Président de la fédération Euro Méditerranéenne des laboratoires de biologie, Vice-président de l’Union Nationale des Professions de Santé, dont voici des extraits :
«Aujourd’hui nous avons évolué vers une biologie purement analytique, plus coûteuse et de moindre efficacité pour les patients une biologie médicale qui s’attache à la pertinence des examens biologiques pratiqués, à la fiabilité de l’ensemble des phases de ces examens (pré-analytique, analytique et post-analytique) et à l’efficience de la discipline (notamment en maîtrisant les volumes de prescription).
La France a choisi des professionnels très qualifiés pour le rôle de Biologiste Médical: les médecins biologistes et les pharmaciens biologistes, titulaires d´un titre de Spécialiste en Biologie Médicale. (Ordonnance no 2010-49 du 13 janvier 2010) et l’analyse de biologie est devenue un examen de biologie médicale qui est un véritable acte médical.
Dans toute l´Europe, la différence entre techniciens et Spécialistes en Biologie Médicale est bien définie. Les laboratoires de biologie médicale, qu’ils soient privés ou publics, sont dirigés par un biologiste médical (biologiste-responsable). Le biologiste médical bénéficie des règles d’indépendance professionnelle reconnues au médecin et au pharmacien dans le code de déontologie qui leur est applicable.
Notre but est de défendre la qualité de notre profession en médecine de laboratoire et de répondre aux souhaits de la Directive Européenne sur les qualifications professionnelles :« …Il est indispensable pour les professionnels de pouvoir justifier d’un niveau de qualification suffisant, afin que le citoyen bénéficie d’une prestation de soins comparable quels que soient la nationalité du professionnel et le pays dans lequel il exerce.»

Lamentável.

Mário de Sá Peliteiro,   às  07:36
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segunda-feira, 15 de Março de 2010

Hoje o pôr-do-sol foi assim 


Mário de Sá Peliteiro,   às  18:36
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Liberalizar é concentrar e não dispersar 

Um dos argumentos a favor da liberalização da propriedade e abertura de Farmácias era a entrada de novos actores no mercado, de jovens farmacêuticos e de jovens investidores, dispersando a propriedade e criando novas empresas.
Quem sabia de Farmácia sempre disse que tal era uma ilusão, ilustrando-o inclusivamente com exemplos do ocorrido noutros países. Debalde! Os liberais, consideravam a Farmácia como um qualquer retalho (ainda hoje, os mais desinformados usam essa terminologia de economês arcaico) e portanto o que interessava era acabar com o "monopólio".

As Parafarmácias, ou ParaVazias, são diferentes das Farmácias, mas servem na perfeição como modelo que permite extrapolar alguns comportamentos e alguns resultados. Assim, se o Governo socialista tivesse liberalizado a propriedade e instalação das Farmácias deveria acontecer qualquer coisa parecida com aquilo que aconteceu com as 5 milhões de embalagens de MNSRM vendidos fora das Farmácias em 2009:
3 hipermercados facturam mais de metade do valor do mercado; 5 hipermercados facturam dois terços. *
*(21,3+18,8+12,1)+(11,7+2,4)

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:10
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domingo, 14 de Março de 2010

Crepúsculo 


Mário de Sá Peliteiro,   às  18:48
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Bruno Alves 

Percebem de onde vem o poder de elevação de Bruno Alves?


Mário de Sá Peliteiro,   às  13:53
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sábado, 13 de Março de 2010

Creme anti-envelhecimento milagroso 

É por coisas destas que os pobres, se babam nas bancas das revistas e as pobres fazem dietas malucas…


Recebido por correio-e

Mário de Sá Peliteiro,   às  13:27
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quinta-feira, 11 de Março de 2010

A gratuitidade do SNS 

É voz corrente considerar que o Estado português suporta grande parte das as despesas com saúde dos portugueses, que o SNS assegura a gratuitidade da prestação dos serviços de saúde. Circula também frequentemente a ideia de os portugueses, quais ingratos, não terem a percepção do enorme esforço de financiamento na Saúde produzido pelo Estado-providência criando uma espécie de mito urbano baseado na crença de dever ser entregue a todos os doentes uma factura detalhada com o preço das compressas ou da TC (vulgo Taco) como forma de consciencializar o povo para os 10% do PIB gastos com os seus achaques.

Ora não é bem assim! O Estado paga, é vero, uma grande fatia das nossas despesas com saúde mas não paga tudo, nem nada que se pareça, não é gratuito, muito menos tendencialmente gratuito, como bem sabemos e como fica demonstrado num estudo do Prof.º Jorge Simões: Das despesas totais em saúde, «23% são pagamentos directos que saem do bolso dos portugueses».

Fica ainda por esclarecer se nestes 23% são já incluídos as importantes despesas referentes, por exemplo, ao completamente desregulado mercado da óptica ou do completamente desregulado mercado da audiologia ou ainda do completamente desregulado, selvático e sinistro mercado dos complementos e produtos naturais.

Se o Estado gerisse melhor e regulasse alheado dos interesses, com saber e firmeza, bem poderia a saúde ser gratuita. Mas não é.

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:56
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segunda-feira, 8 de Março de 2010

Tiros no pé 

Há precisamente15 dias, realizou-se em Fátima a convenção semestral de auditores de gestão da qualidade da APCER. Viam-se sobretudo engenheiros, mas podiam encontrar-se também um ou dois médicos, um ou dois enfermeiros, um ou dois técnicos e... uma boa dúzia de farmacêuticos!
A presença de tantos farmacêuticos nesse círculo muito restrito não acontece por acaso, acontece porque há mais de uma década foi considerado estratégico pelos organismos de classe o desenvolvimento da qualidade nas diversas vertentes da profissão farmacêutica e a consequente formação avançada de farmacêuticos em gestão da qualidade.
____________________



Em Abril, realizar-se-à no Porto, as 1.as Jornadas Atlânticas (Norte de Portugal-Galiza) de Cuidados Farmacêuticos. Logo no início do programa surge a mesa "Qualidade em cuidados farmacêuticos". Um dos temas a tratar é "Auditorias de Qualidade em Cuidados de Saúde" e o palestrante é a Dra. Suzana Parente.
Ora a Dra. Suzana Parente - sem pôr em causa a sua competência, que desconheço em absoluto e nem sequer está em causa -, além de não ter sido vista na anteriormente referida convenção de auditores da APCER, nem na da Bureau Veritas, não é sequer farmacêutica! A mesa é sobre qualidade em cuidados farmacêuticos mas a palestrante é... médica! O evento conta com a organização da Ordem dos Farmacêuticos mas a palestrante pertence à Comissão Nacional de Qualidade da... Ordem dos Médicos!

Num texto anterior alguns colegas e futuros colegas julgaram normal que um mestrado integrado de ciências farmacêuticas fosse coordenado por uma bioquímica; agora talvez achem normal que uma médica fale de cuidados farmacêuticos numas Jornadas Farmacêuticas. Eu não!
Num tempo em que os ataques à profissão farmacêutica são constantes e diversos, pode mesmo assim dizer-se que os piores inimigos dos farmacêuticos são... os farmacêuticos!


Adenda: Comunicam-me, entretanto, que "Auditorias de Qualidade em Cuidados de Saúde" diz respeito sobretudo a Avaliação de resultados clínicos.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:46
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Mário de Sá Peliteiro,   às  22:00
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Choque tecnológico 

Uma vez mais, este fim-de-semana estive no jantar anual de antigos e actuais estudantes do mítico Bloco D da Residência Universitária João Jacintho, no Beco da Anarda (e na excelente 4º Gala da Rede UC, no Teatro Académico Gil Vicente).
Se o ano passado vos contei das condições miseráveis em que vivem os actuais estudantes, este ano espantei-me ao descobrir que afinal, no país do choque tecnológico, os estudantes universitários não têm acesso à internet nas residências do Estado, ferramenta imprescindível nos dias de hoje para o estudo de qualquer matéria numa Universidade.

Vivemos num país de mentira; nos discursos dos políticos e nos telejornais Portugal é um mar de rosas, mas visto de perto a realidade é bem diferente, é uma desilusão!


Mário de Sá Peliteiro,   às  00:08
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sexta-feira, 5 de Março de 2010

lolada: Ataque aos lóbis 

Como é sabido, sou um admirador da acção da Associação Nacional das Farmácias e defendo que o sector das Farmácias é um exemplo raro de eficiência e qualidade quer na área da saúde quer, até, no país.
Mas não posso deixar de sorrir quando o mesmo Primeiro-Ministro que anunciou que «É tempo de resolver os estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses», porque «Para este Governo, a defesa da concorrência e a defesa do consumidor são para levar a sério» - logo comentado pelo Dr. João Cordeiro: Aquelas pessoas que nos atacam não venham depois dizer que afinal o lóbi ainda está mais forte -, num cenário de forte crise e de perda de rentabilidade em todos os sectores, num cenário de necessidade imperiosa de controlar as despesas do SNS e, concretamente, as comparticipações do Estado em medicamentos, vem repor, aumentando, a margem de lucro das Farmácias.
Não é que as Farmácias não mereçam os 20% de margem de lucro, perfeitamente compatível com a prática noutros países da Europa e perfeitamente justa dada a excelência dos serciços prestados, mas se isto for verdade e se concretizar (a Sra. Ministra não o referiu explicitamente, talvez por uma questão de pudor), e dado o contexto, então é caso para dizer: ... nem digo!

Mário de Sá Peliteiro,   às  14:31
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