A lobotomia foi uma técnica amplamente adoptada em meados do século passado e deu um prémio Nobel da medicina ao nosso Dr. Egas Moniz. Em alguns países, concretamente Japão e Estado Unidos, a lobotomia generalizou-se, teve imenso sucesso - tanto que se chegou a usar em crianças irrequietas - e curou inúmeros doentes.
Mais tarde esta "cura" de doentes foi motivo de controvérsia e hoje a lobotomia, tal como era feita no tempo de Egas Moniz, não se faz mais. Existem até movimentos que defendem que o prémio Nobel de 1949 deveria ser retirado, por a lobotomia ser uma má técnica psicocirúrgica, provocando efeitos secundários profundos e irreversíveis. Ora, na minha modesta opinião só pode pretender a revogação do prémio Nobel de Egas Moniz quem tenha uma visão estática da ciência e quem não entenda que o conhecimento é cumulativo. Hoje sabe-se que a lobotomia é uma má técnica mas à época foi uma técnica inovadora e que foi muito importante para a evolução dos tratamentos das patologias psiquiátricas.
Macedo Vieira, Presidente da Câmara da Póvoa, depois de uma fase de procrastinação no que respeita à sua re-re-recandidatura, apresenta como
primeiro trunfo de campanha o facto de a DGS ter publicado em Junho uma
circular normativa, suportada
numa guideline da OMS que refere "não ser justificável a pesquisa de Salmonella em águas costeiras" e que "vários estudos sugerem que, até ao momento, não existem dados epidemiológicos que suportem a implicação directa da presença de Salmonella na água de mar na saúde dos utilizadores".
Macedo Vieira é como aqueles que querem retirar o prémio Nobel a Egas Moniz, não sabe que os conhecimentos evoluem, que não se pode dizer que a OMS antes de 2003 estava errada, que não se pode dizer que a DGS antes de 2009 estava errada e agora é que está certa (tanto é que mesmo agora, na circular normativa para águas balneares interiores "na ausência de orientações da OMS, bem como na falta de estudos conclusivos que excluam o parâmetro Salmonella da avaliação de risco para a saúde,
é recomendada a pesquisa deste parâmetro pelo princípio de precaução, em águas com antecedentes históricos de má qualidade" assim como para os critérios de levantamento de interdição). São matérias discutíveis, dependem de registos, de estudos e de opiniões.
Uma coisa é certa, e é aqui que está o ponto da questão: se as águas das praias da Póvoa fossem muito limpas não apresentariam nunca como positivo o indicador de contaminação Salmonelas. Se Macedo Vieira estivesse de consciência perfeitamente tranquila não sublinharia a orientação da OMS (porque não apresentou Macedo há 2 anos esta guideline??? Esqueceu-se das evidências?) e a norma da DGS e não ocultaria a presença recentíssima de
Enterococos intestinais ultrapassando os valores máximos recomendáveis, nas praias da Póvoa.