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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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terça-feira, 19 de maio de 2009

A propriedade de farmácia pode ser reservada ao farmacêutico 

«De acordo com o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias (TJCE), os Estados-Membros da UE podem reservar exclusivamente aos farmacêuticos a propriedade e o direito de explorar farmácias, com o objectivo de "assegurar um fornecimento seguro e de qualidade de medicamentos à população".
Estas posições, das quais não há possibilidade de recurso, foram produzidas hoje, 19 de Maio, pelo TJCE, através de dois acórdãos sobre o regime da propriedade de farmácia em Itália e na Alemanha.»




Vejamos agora as posições portuguesas durante a discussão da liberalização da propriedade de farmácia suscitada pelo nosso brilhante Primeiro Ministro, o Sr. Sócrates:

«Não há nenhuma razão para que só farmacêuticos possam instalar e ser proprietários de farmácias.» Vital Moreira

«No plano comunitário, existe uma prioridade de aplicar as normas substantivas da concorrência precisamente aos sectores onde o mercado interno não está ainda plenamente realizado, como é o caso.O seu regime de funcionamento foi estabelecido nos anos 60, elaborado com base em pressupostos que já na altura estavam ultrapassados, do ponto de vista tecnológico e económico» AdC

«Deve ser eliminada a reserva da propriedade de farmácia para licenciados em Ciências Farmacêuticas e a obrigatoriedade de que a direcção técnica de farmácia seja exercida pelo seu proprietário» "Estudo da Católica"

«A Comissão Europeia pretende que os países alterem as suas regras nacionais, designadamente a legislação que só permite que sejam proprietários de farmácias de oficina licenciados em farmácia e sociedades compostas exclusivamente por farmacêuticos» Correia de Campos




O mal está feito e, sei bem, o retorno é impossível. Sob a capa de uma pretensa modernidade, de acabar com "um monopólio injustificado", "salazarista", Portugal destruiu um regime jurídico que foi alicerce para a criação de um dos poucos sectores eficientes e competitivos nacionais, mesmo quando comparado aos melhores do mundo.
Muitos inteligentes do regime, cronistas de jornais, blogadores vários, taxistas, enfim todo cão e gato, se insurgiram contra os "benefícios" de uma profissão, cumprindo as piores tradições portuguesas: a inveja e a verborreia. Peões, meros peões, que não sabiam estar a defender interesses inconfessáveis - não tenho dúvida, cada vez tenho menos dúvidas, que as evoluções recentes respeitantes à liberalização das margens de comercialização dos medicamentos e o dissimulado congelamento de abertura de novas farmácias faz parte de um plano que visa enriquecer grandes associações económicas (Princesas Africanas, jogadores espanhóis, falidos dos têxteis e outros mais graúdos) e não tenho dúvida que para que isto aconteça corre dinheiro sujo nos corredores... palacianos.

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Peliteiro,   às  23:07

Comentários:

 

Ao justificarem o injustificável sem ser por argumentos sérios e objectivos, estes políticos com espinha dorsal de gelatina,

precisam de se auto-justificar com um poder acima deles: o da UE;

não são mais do que gente sem carácter ! reparem que tomaram as decisões não de forma arbirtária ou para lixar os farmacêuticos, como na realidade foi, mas sim porque o Deus (UE) exige que assim seja!!!!

Acontece que o Deus nunca tinha publicado tal desígnio, como agora se veio a verificar!!!

assim metaforicamente Vital Moreira, Correia de Campos e os imbecis que realizaram o pseudo-estudo da AdC não são mais que falsas Vestais-prostituídas, lançando bitaides e leis, para satisfazer não o Deus, mas os falsos profetas que há quatro anos nos governam!

Um abraço!

 

 

 

Caro Peliteiro,

Sempre foi muito fácil para o nosso povo invejar a bebedeira e não ter inveja nenhuma da ressaca.
As 11/12, por vezes mais, horas diárias que se dedicam à gestão de uma botica (quando o proprietário-farmacêutico é o interessado) não são invejadas por ninguém.
Querem destruir um sector organizado e exemplo para outros países.
São as princesas, são sim senhor os jogadores que querem tirar dinheiro das off-shores e por isso descobriram a pólvora e sondam o mercado para comprar as quatro farmácias.
Depois vem a parte difícil, saber gerir o negócio.
Nunca o sector esteve tão ameaçado como agora, falências, dívidas a fornecedores de quem entrou na espiral dos descontos, enfim.
Vamos ver o que está para vir
# por Blogger Gonçalves : quarta-feira, maio 20, 2009

 

 

 

A opinião do TJCE é ridícula.´
É uma chatice os farmaceuticos terem de dividir o saque com "princesas Africanas, jogadores espanhóis, falidos dos têxteis e outros mais graúdos", não é?
# por Anonymous Anónimo : domingo, maio 24, 2009

 

 

 

Fez 21 anos em Abril, que um grupo de estudantes de ciências farmacêuticas de coimbra(onde esteve também J Peliteiro,)organizou um congresso farmacêutico dedicado ao direito comparado, relativamente à propriedade de farmácia nos 12 países da CEE de então. A conclusão foi arrasadora para os defensores da liberalização da propriedade:apenas em 2 países, Inglaterra e República da Irlanda a propriedade era livre. É que já nessa altura os lideres de opinião diziam que só em Portugal havia essa situação. É evidente que há no PS o sério propósito de desregulação do sector das farmácias,deixando-o à mercê do mercado, como se de um comum negócio se tratasse .Não tenho dúvidas que esta situação vai trazer muitas dificuldades aos farmacêuticos por conta de outrem e o curso deixará de ter qualquer interesse para os jovens, tal como acontece actualmente no R.Unido. Também sei que há muito médico e jornalista a bater palmas. Não me peçam é para eu me resignar a esta situação.
# por Anonymous Carlos F : segunda-feira, maio 25, 2009

 

 

 

Desculpe lá, mas para dizer isso você não sabe como é o "sistema" no Reino Unido. No Reino Unido existem duas grandes cadeias de farmácias, que dominam o mercado: a Boots (com a qual a ANF até tem relaçoes a vários níveis) e a Lloyds. Os farmacêuticos são profissionais bem diferenciados nas mesmas e ninguém entra numa farmácia querendo falar com um farmacêutico saindo da mesma sem o fazer (porque, efectivamente, existem farmacêuticos em permanência nas farmácias britânicas destas grandes cadeias e não existem ajudantes nem técnicos a fazer de farmacêuticos). São empresas que prestam um serviço de elevada qualidade à população. Podemos dizer o mesmo das farmácias, ditas independentes, em Portugal? Em Portugal a cultura de farmácia é a do ajudante de farmácia e do técnico de farmácia enquanto o farmacêutico esfrega as mãos. Foi assim durante décadas, porque não havia ameaças, porque o "negócio" e o "status quo" estavam bem seguros. Mas agora, tanto se brincou, que tudo mudou da noite para o dia. À actual prática que se faz nas farmácias portuguesas àquilo que se faz em grandes cadeias de farmácias como a Boots (Reino Unido), Lloyds (Reino Unido) ou Walgreens (EUA) vão anos-luz. O problema em Portugal é que a legislação actual é aberrante, porque é uma liberalização a meio gás.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, maio 25, 2009

 

 

 

Acrescento apenas que não concordo com o modo como estas medidas foram apresentadas nem como todo este processo foi desenvolvido. De resto, mantenho a minha posição. E vejamos que numa empressa como a Boots, Lloydspharmacy ou Walgreens, existem inúmeras possibilidades de desenvolvimento e progressão na carreira para os seus farmacêuticos: desde "pharmacist" até "locum pharmacist", "pharmacy manager" (director técnico), "district manager" ou ainda "area manager", entre outras. No modelo de farmácia português isto existe? Não. O modelo português rege-se ainda pelo princípio "uma farmácia para um farmacêutico" que, admitamos, já está ultrapassado há vários anos. Haja noção de que nos últimos anos a formação de farmacêuticos aumentou imenso e que este modelo não oferece quaisquer perspectivas de evolução profissional na área de farmácia comunitária aos jovens farmacêuticos se não um: ser proprietário e director técnico de uma farmácia, com o pormenor de que ser proprietário de uma farmácia, hoje, é quase tão improvável como ganhar o Euromilhões. Por algum motivo cada vez mais farmacêuticos recém-formados escolhem o Reino Unido como destino de exercício profissional em farmácia comunitária.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, maio 25, 2009

 

 

 

Toda a argumentação anterior cai por base quando os ingleses não tem qualquer interesse em seguir o curso e é preciso recorrer a estrangeiros. Com o devido respeito, qual é a mão de obra que os países desenvolvidos importam?- Aquela que os nacionais rejeitam. Se o modelo inglês é tão exemplar assim por que não é seguido pelos restantes países desenvolvidos, como p.ex. a Alemanha e a França?
# por Anonymous Carlos F : terça-feira, maio 26, 2009

 

 

 

O que "está a dar" neste momento são as agências de recrutamento de profissionais de saúde (farmacêuticos inclusivé) para o Reino Unido. Para além disso, a procura do curso no Reino Unido não é muito diferente da procura em Portugal. Depois, o curso não é só farmácia comunitária, por isso não sei até que ponto esse efeito que diz que as últimas alterações legislativas poderão ter sobre futuros candidatos fará algum sentido. Parece que está a limitar o interesse do curso à garantia da exclusividade da propriedade da farmácia pelo farmacêutico. Sinceramente, arrisco dizer que a maioria dos estudantes sabe à partida que mesmo que essa exclusividade se tivesse mantido, a probabilidade de poderem ser proprietários da sua farmácia seria, na mesma, reduzida.
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, maio 26, 2009

 

 

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