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Impressões de um Boticário de Província

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

As farmácias na mão dos credores 

Dr. João Cordeiro no jornal i (sublinhados meus):

«De exemplo de prosperidade económica, as farmácias portuguesas foram tornadas pelos sucessivos governos num sector quase falido. Só uma forte organização associativa lhes permitirá resistir
As farmácias foram consideradas nas últimas décadas um exemplo de prosperidade económica, sustentabilidade financeira e qualidade de serviço.
Os inquéritos à opinião pública confirmavam regularmente este juízo das populações sobre as farmácias.


Nada parecia perturbar o sector, que se mostrava bem organizado e mobilizado em torno de projectos de modernização da actividade global da farmácia. O sector funcionava bem e a baixo custo.

As farmácias portuguesas são aquelas que têm a margem de distribuição mais baixa entre todos os países da União Europeia.

Entretanto, sem razões económicas ou sociais que o justificassem, a partir de 2005 foi desencadeado um ataque sistemático ao sector, com o óbvio propósito de o destruir.

Da liberalização da propriedade à autorização da venda de medicamentos fora das farmácias e à redução das margens, as medidas sucederam-se a um ritmo vertiginoso, evidenciando vontade de perseguir e pressa em agir.

Paralelamente, os medicamentos em ambulatório foram o alvo preferencial da política de austeridade do Ministério da Saúde.

As farmácias entraram rapidamente num ciclo inverso, em que a sua situação económica e financeira se foi degradando progressivamente, entre 2005 e 2010.

O sector de farmácias está hoje na mão da banca e dos fornecedores.

Crescem continuamente os incumprimentos de farmácias, os processos judiciais para cobrança de dívidas e as insolvências. De um clima de confiança passou-se a um clima de desconfiança.

A oferta de farmácias já é hoje superior à procura, o que era inimaginável há pouco tempo e é sempre um dos sinais mais preocupantes para qualquer sector de actividade.

A crise das finanças públicas repercutiu-se violentamente nas farmácias. Os governos não foram capazes de impor austeridade a si próprios e aos serviços do Estado. Só têm sido capazes de impor austeridade aos outros.

O Ministério da Saúde não foge à regra. A despesa pública com medicamentos nos hospitais do SNS continua a crescer e o Ministério da Saúde tem-se mostrado incapaz de controlar esse crescimento.

Inversamente, a despesa pública com medicamentos nas farmácias está a descer a um ritmo alucinante, pela via da redução dos preços e das comparticipações. Nos primeiros quatro meses de 2011, o mercado das farmácias reduziu 12% e a despesa do SNS em comparticipações reduziu 22%!

A equidade nos sacrifícios é por isso uma das questões fundamentais que o programa de resgate financeiro assinado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional coloca aos responsáveis políticos.

O Estado tem de dar o exemplo. As farmácias e os grossistas entraram já em situação de ruptura financeira e a própria indústria farmacêutica, apesar da sua maior capacidade económica e financeira, acabará também por sofrer as consequências.

É lamentável que tenhamos chegado a esta situação. Medidas indispensáveis foram inexplicavelmente adiadas. A prescrição por DCI e os genéricos são apenas dois exemplos.

Aquilo que os responsáveis políticos, durante duas décadas, não foram capazes de fazer por sua própria iniciativa tornou-se uma evidência indiscutível e por eles imediatamente aceite no momento em que essas medidas foram inscritas no documento da troika.

Perdemos anos e anos a adiar o inadiável. Somos todos responsáveis, mas o grau de responsabilidade não é o mesmo.

As farmácias têm reclamado sempre que a despesa pública seja adaptada às disponibilidades financeiras do Estado. Nunca nos opusemos a qualquer medida de contenção orçamental. Manter-nos-emos fiéis a estes princípios. Mas é preciso equidade.

As farmácias já estão a participar na recuperação do défice das contas públicas preconizado no acordo com a União Europeia e o FMI.

A redução das comparticipações (-22%) e do mercado das farmácias (-12%) está a ter um efeito devastador em todo o sector. É preciso moderar a dureza das medidas que estão a atingir as farmácias.

Todos os sectores da saúde têm de participar na redução da despesa. Particularmente, os hospitais do SNS, que consomem anualmente mais de mil milhões de euros em medicamentos, não podem ficar isentos do programa de redução da despesa com medicamentos.

As farmácias continuarão, entretanto, à procura da sua sobrevivência. Sabem agora como é importante uma forte organização associativa para reduzir o impacto da crise.

Acredito que ainda temos energias para resistir. E temos também obrigação de acreditar, embora isso seja cada vez mais difícil.»

Peliteiro,   às  15:35

Comentários:

 

É verdade que o sector tem sido alvo de toda uma série de medidas que afectaram a sua rentabilidade. Mas as dificuldades que algumas farmácias atravessam terão possivelmente em parte a ver com algum conservadorismo na gestão e na falta de adaptação às novas realidades. A reduzida concorrência no sector pelas limitações à abertura de novos estabelecimentos talvez tenha criado uma falsa sensação de segurança, de que o negócio estava garantido e de que não era premente procurar novas soluções para novos desafios.

 

 

 

Bem-vindos ao mundo real. Andaram anos a viver sob o manto diáfano de um proteccionismo feudalista e com isso a arrecadar milhões.
A concorrência é uma chatice, não é?
Agora têm que fazer como os outros...lutar pela vida e fazer menos alguns...milhões.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

De facto, concorrência verdadeira ainda não existe, apenas uma concorrência limitada; de algumas farmácias abertas juntos dos grandes hospitais e nos medicamentos sem receitas pelas parafarmácias. Uma vantagem de um regime liberalizado de abertura de novas farmácias é de que irá criar uma concorrência real no sector, estimulando alguma inovação e criando um sector mais forte, formado pelas farmácias que sobreviverem (entres as novas que abrirem e as antigas que resistirem). Deve ser assegurado que monopólios não são criados, o que pode ser garantido com uma regra simples, como por exemplo impedir que uma entidade que tem mais de x por cento do negócio num dado concelho não podem abrir ou comprar mais farmácias naquele concelho. Concordo que não interessa manter este regime de aberturas tão fortemente condicionadas, com atribuições tipo totoloto de alvarás. Mas interessa não substituir o actual regime proteccionista de um grupo restrito de proprietários por outro de grandes grupos económicos. Tem de ser garantidas regras que favorecem a concorrência e não a impedem de realmente surgir.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Reduzida concorrência? Isto é o típico comentário de quem não conhece o negócio por dentro, hoje em dia (perguntem às Farmácias da Margem Sul, por exemplo, o que por lá se passa...).
Arrecadar milhões? Pega-se sempre em casos-limite (que os há, normalmente por falta de concessão de alvarás onde eles são necessários) e extrapola-se. Perguntem aos proprietários dos milhares de pequenas farmácias urbanas ou rurais onde estão os tais milhões...(e qual a vida pessoal que têm, já agora...)
O espantalho da liberalização aparece sempre nestas alturas: será que nós vamos descobrir a pólvora que nenhum povo europeu alguma vez descobriu? Não me parece. Se o Estado quiser manter uma cobertura farmacêutica abrangente territorialmente, de baixo custo, e com PVP's controlados, o modelo é o adequado.
Quanto a conservadorismo, se há sector avançado é o das Farmácias: promoveu sempre a inovação tecnológica, logística, financeira, etc.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

A liberalização da farmácia (estabelecimento) foi uma realidade no decorrer da implementação do plano da Grécia. Em Portugal, até à data, ainda não li nada nem ouvi nada dos nossos governantes relativamente a esse assunto. Apenas o caso grego e o facto da comissão europeia ser claramente a favor da liberalização (ex. caso das Astúrias) podem fazer prever (possível mas não necessariamente provável) uma situação semelhante em Portugal. De não deixar passar também em branco a presença do Sr. Bélmiro de Azevedo num comício do PSD (a opinião dele sobre este assunto é bem conhecida, tal como o poder de lobby que possui).
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Na Grécia foi diminuída a capitação, alargados os horários de funcionamento e foi imposto um desconto às comparticipações pagas pelo Estado.
Não foi liberalizada, nem a propriedade, nem o estabelecimento.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Seja como for, maior liberalização ou não, o sector da farmácia está a começar a sentir dificuldades e ainda nem começaram a ser aplicadas as medidas do memorando.

A ANF e outros Lobbies ainda terão uma palavra a dizer, apesar da crise, mas sem grande margem, face aos compromissos já assumidos.

Os melhores negócios foram provavelmente as vendas das farmácias após o fim da exclusividade da propriedade pelos farmacêuticos.

Olho para este sector como possível investidor. Para mim tanto faz quais as regras (abertura liberalizada ou não). O que não gosto é da incerteza que vejo e a dificuldade em prever o valor das coisas no médio prazo. Mas em toda a verdade, esta incerteza é transversal a toda a economia.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

O artigo do João Cordeiro é um recado para o Governo, uma lamúria.
A verdade é que não há farmácia no país que se venda por menos do dobro de facturação, nunca menos que um milhãode euros. Esta é que é a verdade objectiva.
# por Anonymous Ferro : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

No meio disto tudo...qual a situação dos cada vez mais numerosos jovens farmacêuticos!!!!...será nas Well's que vão encontrar saída???
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

As dificuldades são sentidas já há anos, pois se há sector que tem vindo a corrigir, é o da Farmácia (há baixas administrativas de preços desde há 5 anos). As medidas da troika não sei se poderão ser muito agressivas (a despesa do Estado com comparticipações de ambulatório baixou mais de 20% este ano, até Maio - já as Hospitalares, é o que se sabe...)
Quanto à instabilidade legislativa, de acordo: estes trastes que nos governaram durante 5 anos foram pródigos em gerar instabilidade - produziam decretos de lei dia sim, dia não.
Quanto aos trespasses: esses bitaites dos valores são de quem não sabe o que se passa - o que não falta são Farmácias em quem ninguém pega...
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Não seja mentiroso, não há nada farmácias em quem ninguém pegue. A não ser que peçam fortunas por elas (mais do dobro da facturação).
Diga lá uma.
# por Anonymous Ferro : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Debate muito interessante. Estou curioso para ver a evolução que teremos na regulamentação no área da farmácia comunitário com este governo.

Quanto ao artigo do Dr. João Cordeiro, esta faz uma boa exposição dos interesses dos associados da ANF (ou seja, os actuais proprietários).

São muitos os interessados e por mais que cortem, o medicamento irá sempre representar um volume de negócios muito elevado. É natural que havendo interesses diferentes hajam opiniões muito diversas.

Na minha opinião, algo vai mudar nos próximos tempos. Será demasiado para uns e de menos para outros.

Um farmacêutico, uma farmácia, num determinado território funcionou bem durante muito tempo para os proprietários, para os funcionários e para a população. Mas isso mudou e já não há voltar atrás.

As alterações introduzidas nos últimos anos pelo governo PS, a proliferação de faculdades privadas com cursos de ciências farmacêuticas e a crise alteraram esse bom funcionamento.

As populações do interior perdem as farmácias, os jovens farmacêuticos tem cada vez mais dificuldade em encontrar colocação e como podemos ver pelo artigo do Dr João Cordeiro, também os proprietários estão insatisfeitos.

Ficar como está não é sustentável. Mas qual o melhor de resolver esta situação.

Muitos interesses...e muitas soluções incompatíveis.
# por Anonymous Tavares : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Ferro, vá chamar mentiroso a outro: contacte uma das corretoras de venda de Farmácias e vai ver os monos que por lá há.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

As medidas destinadas a aumentar a concorrência nas profissões liberais na Grécia (um imperativo também para Portugal) levaram à alteração da capitação por farmácia dos 1500 hab/farm para os 1000 hab/farm. O governo estima que isso levará à abertura de mais 1000 farmácias (em cima das 12000 que já existem). Por outro lado os farmacêuticos estimam que com as medidas de austeridade, devem fechar 4000 farmácias.
A Grécia tem actualmete o maior número de farmácias per capita na Europa (mesmo antes da alteração da capitação).
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, junho 24, 2011

 

 

 

Caro Peliteiro. Li com atenção o artigo e vi o seu sublinhado. Chamo atenção que o que está lá expresso são factos reais. (ponto)
Se liberalizam a abertura para o tio Belmiro, abrem farmácias nos hospitais para não pagarem o que devem, tiram medicamentos para outras superficies com aumento generalizado de preços, fazem sorteios de farmácias abandonando os jovens farmacêuticos que queimaram as pestanas, isso já são factos "mais ocultos" mas aos quais se deveriam imputar as responsabilidades e descobrir os verdadeiros interessados. A meu ver são meramente económicos, pois de política de saúde sustentada, do doente e do medicamento, nada se trata.
# por Anonymous Fino : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Mentira.
A verdade é que não há farmácia no país que se venda por menos do dobro de facturação, nunca menos que um milhãode euros.
Nem a Coca-Cola ou a Microsoft vale mais que a sua própria facturação. Enquanto o preço das Farmácias não chegar a metade da facturação não se pode falar de crise, mas de privilégios.
# por Anonymous Ferro : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Caro Ferro, não sei onde está a mentira!? Certamente não é nos "meramente económicos" pela sua ansiedade. De qualquer modo informe-me da área onde pretende a farmácia e a comissão que me dá que o informo de farmácias a vender por bem menos do dobro da facturação (pena é que a maioria traga consigo enormes encargos...).
Agora comparar uma micro empresa à Coca-Cola ou Microsoft!? Só se for pela primeira ja se ter vendido muito em farmácias e a segunda estar presente na maioria delas de resto não tem ponta por onde se pegue.
# por Anonymous Fino : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

O sector pode estar pior, como está o país todo. Mas se as farmácias têm a garantia de que amanhã não vai abrir um concorrente à sua frente e mesmo assim não conseguem ser rentáveis, é porque algo está mal na gestão.

A verdade é que o sector é menos rentável do que era em 2005, mas é ainda muito rentável globalmente (embora obviamente, cada farmácia é uma caso e mesmo antes de 2005 haviam já casos complicado de sobrevivência).

O presidente da ANF no seu artigo acima faz o que lhe compete como responsável de uma associação empresarial. Mas mistura factos reais com conclusões falsas, dramatizando e exagerando muito como é sua característica.

Enquanto este não for um sector como os outros (clínicas dentárias, parafarmácias, consultórios médicos, cínicas médicas, hospitais privados, laboratórios de análises, laboratórios farmacêuticos, distribuidores de medicamentos) em que os mercado selecciona os melhores sem barreiras artificiais à entrada, este sector nunca vai atingir o seu verdadeiro potencial de eficiência.
# por Anonymous Anónimo : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Mentira.
A verdade é que não há farmácia no país que se venda por menos do dobro de facturação, nunca menos que um milhãode euros.

Se escolho a Coca-Cola ou a Microsoft para exemplo de empresas que valem mais que a sua própria facturação é porque tal é raro. No entanto as farmácias vendem-se pelo dobro e pelo triplo da facturação. Mas se quiser, Fino, exemplos do outro lado poderei dizer que nem clínicas médicas, dentárias, parafarmácias, fisioterapias ou mercearias se vendem pelos absurdos com que se vendem as farmácias.

Repito (e não minta outra vez a dizer que se vendem, mas acrescidas de milhões de dívidas), enquanto o preço das Farmácias não chegar a metade da facturação não se pode falar de crise, mas de privilégios. Trabalhem mais e gastem menos.
# por Anonymous Ferro : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

As farmácias portuguesas são geridas essencialmente por gente com mais de 60 anos habituada a gastar à grande (e toda a familória), a trabalhar pouco e a gerir menos. Habituem-se. Ou vendam-nas, que não falta quem as queira comprar por milhões.
# por Anonymous Laura : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Caro Ferro. Continuo a sentir muita revolta, mas apenas por factores economicistas, conforme afirmei no meu post inicial. Não vejo preocupações de saúde pública, minha e sua. Vejo no entanto um objectivo bem delineado, as farmácias valerem metade da sua facturação! Reforça o teor puramente económico mas com que objectivo? Farmácias com melhores serviços, mais próximas da população? Diga-me pf.
Já agora concordo com a análise do Anónimo de hoje mas apelo à sensibilidade para avaliar a qualidade das farmácias, que em todos os estudos aparecem com melhor nível do que qualquer outra estrutura de saúde. Quem andar neste meio sabe que também haverá, nas farmácias, maus exemplos, mas com a falta ou escassa regulamentação nas parafarmácias, fisioterapias ou mercearias...acho que ainda há alguma distancia salvo melhor opinião. Já agora, porque me retiro temporáriamente, à Laura, a média de idades andará bem mais baixa mas reitero o que disse ao Ferro, andam aí muitas à venda e sem reserva de propriedade.
# por Anonymous Fino : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

O tema interessa-me. Não me lembro de ver farmácias a fechar. E «passá-las» até só pode ser sinal de bom negócio.
# por Anonymous Joao Afonso Machado : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Fino, não lateralize.
A minha questão é limitada a isto e disto não saio, enquanto evidência:

Mentira.
A verdade é que não há farmácia no país que se venda por menos do dobro de facturação, nunca menos que um milhão de euros.

Quanto à qualidade que fala, não sei bem, não tenho dados. Apenas sei que não há farmácias com certificados de qualidade (e sobre isto o dono do blogue pode dizer algo ;). Factos: não há muitas farmácias com selo de qualidade. Porque será?
# por Anonymous Ferro : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Este João Cordeiro esqueceu que é farmacêutico há muito tempo e passou a ser apenas um mercenário economicista. Enquanto tem a pança cheia há custa do lóbi proteccionista que criou (ANF) os farmacêuticos que saem das universidades são cada vez mais... E o mercado cada vez menos terá capacidade de os escoar.
# por Anonymous Anónimo : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

*à custa
# por Anonymous Anónimo : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Acredito que a virtude está no meio ou seja; as farmácias estão piores agora do que estavam à uns anos atrás. Algumas melhores do que outras. No geral ainda é um negócio muito interessante. Duas vezes a facturação pode ainda ser o padrão para valor de venda, mas descontadas as dívidas, algumas serão vendidas por menos que isto.
Penso que o aparecimento de organizações como o grupo Holon resultam de uma pressão real que algumas farmácias estão a sentir, nomeadamente na necessidade de oferecerem mais serviços e serem mais poupadas nas compras.
Os actuais proprietários são no geral pessoas sérias que se preocupam com a população que servem, o que não quer dizer que não devem defender os seus interesses. Os que advogam a liberalização não querem destruir o sector, apenas querem a oportunidade de entrar no negócio, o que é uma aspiração legitima.
De qualquer forma, penso que o que vai acontecer no futuro imediato já está decidido e o governo tem a força para implementar o que já decidiu.
# por Anonymous Tavares : sábado, junho 25, 2011

 

 

 

Alguns comentários:
- a dinâmica de criação de unidades ligadas à saúde depende de factores que limitam sempre o seu número: ou o investimento é demasiado elevado (hospitais) e a criação de novas unidades é reservada apenas a grandes empresas (que tem acordos tácitos entre si), ou o mercado já foi assolado por onda de aquisições e fusões (laboratórios clínicos), levando a fecho de pontos e a acordos tácitos entre os players que sobram (com reflexos nos preços, por exemplo); ou a abertura depende de profissionais liberais já com clientela assegurada (consultórios). O caso das Farmácias tenderá a ser como o dos laboratórios, com a diferença de que a deficiente cobertura nacional que daí resultará implicará problemas graves, de saúde pública, para a população em geral (análises fazem-se 1 vez por ano; os doentes crónicos vão todas as semanas - alguns, todos os dias... - à sua Farmácia de referência). Se há coisa por que o Prof. Salazar era reconhecido, era por ser inteligente - a legislação de 1960 prova-o;
- a Laura tem uma ideia totalmente desfasada da realidade. Os proprietários actuais, que eu conheço, são pessoas jovens, dinâmicas, com conhecimentos de gestão, e que trabalham, em geral, mais de 10, 11 horas por dia;
- caro Machado: este ano já faliram várias Farmácias e muitas outras continuam a funcionar, já falidas, porque, ou o proprietário tem outra(s), ou porque ainda não lhes foram cortados todos os fornecimentos;
- Farmácias certificadas já há muitas (normas ISO). O INFARMED, no entanto, com as regras apertadas que tem e com as constantes fiscalizações, mantém a generalidade das Farmácias na ordem e com standards elevados;
- o problema dos Farmacêuticos é real e grave (a classe não conseguiu controlar o numerus clausus como a Ordem dos Médicos...). É algo que sucede quando há uma desadequação da oferta e da procura, tendo já acontecido em muitas profissões, como os Historiadores, Advogados, etc.;
- o Ferro continua armado em chico-esperto, pelo que vejo...
# por Anonymous Anónimo : domingo, junho 26, 2011

 

 

 

Metendo-me na conversa, com alguma opiniões / previsões:

- As farmácias não terão abertura liberalizada; haverá abertura de algumas (300, como chegaram a afirmar CCampos e Ana Jorge?) para compatibilizar com a descida da capitação, compensar as transferências, estimular a concorrência e fomentar emprego jovem.
- As farmácias pederão rentabilidade nos próximos tempos e o negócio nunca mais será "como dantes"; no entanto farmácias em dificuldades financeiras serão essencialmente as 1) mal compradas e as 2) descapitalizadas por gestão danosa.
- As farmácias continuam muito caras, considerando o retorno esperado do investimento; nem vendedores nem compradores interiorirazam ainda que nada é como dantes.
- As farmácias com certificado de qualidade ISO são residuais, menos de 1%. As boas práticas de farmácia da OF são de... 2001!
- Há um tal excesso de mestres em Ciências Farmacêuticas que em breve varrerão o chão. Depois há uma licenciatura em Farmácia que não percebo que objectivos tem por pretender ser sobreponível àquela. Uma balbúrdia. O caos.
# por Blogger Peliteiro : domingo, junho 26, 2011

 

 

 

Caro Dr Peliteiro,

Quero agradecer a discussão que o seu blogue proporciona.

É natural que o tema da liberalização da abertura apareça quando se discute o futuro da farmácia em Portugal, pelo elevado impacto que teria. Mas concordo consigo que a probabilidade de isso acontecer não é necessariamente elevada, embora possível. Agora também penso que o governo terá já mais medidas planeadas do que aquelas que estão acordadas com a troika e que nem tudo o que foi acordado foi publicado e disponibilizado ao público.

Descubri o seu blogue faz pouco tempo. Acho-o interessante e acima de tudo pertinente.

Tendo tido sempre uma certa curiosidade, começo desde os últimos tempos a interessar-me mais pelo sector da farmácia de oficina e vou continuar a acompanhar os temas que levantar para discussão.

Cumprimentos.
# por Anonymous Tavares : segunda-feira, junho 27, 2011

 

 

 

Seja sempre bem-vindo caro Tavares. Abraço
# por Blogger Peliteiro : segunda-feira, junho 27, 2011

 

 

 

Dr. Peliteiro,

Compreendo-o. Mas, até agora só não conseguia que a Farmácia não desse lucro, um cego, ou um bebado.

Não há negócio nenhum do mundo que dê prejuízo, quando não está liberalizado e tem margens gordas fixadas por Lei.

Agora é que começa a sério a ser um negócio, e ainda assim não é possível abrir uma farmácia como é possível abrir um restaurante. Um restaurante também vende comida, que é algo de que se deve ter muita cautela.
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, junho 28, 2011

 

 

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