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Impressões de um Boticário de Província

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quem nos acode? 

Margarida Corrêa de Aguiar, no Quarta República:

Foi no Sábado à tarde, no centro de Lisboa. Acabo de estacionar o meu carro a meia dúzia de passos do cruzamento onde dois carros, um deles a grande velocidade colide com o outro que vinha em sentido contrário. Dá duas voltas pelo ar e vai enfaixar-se contra um poste de semáforo que lhe travou o caminho. Corro, com o coração aos pulos, para ver se as pessoas estão bem e se precisam de ajuda. O que vejo pela minha frente é um cenário de destruição, um homem e um miúdo (vim posteriormente a saber tratar-se de pai e filho) imobilizados, entalados no interior do carro, o homem em situação gravíssima e a criança mal, em estado de choque, aos gritos "Papá, Papá, não morras!".
Ligo imediatamente para o 112 - Número Nacional de Emergência - e sou atendida por um operador que encaminha supostamente a chamada para outro operador. Sou, então, atendida por um gravador, que, alternadamente em português e inglês, me diz algo do género aguarde, que logo que possível a sua chamada será atendida. A mensagem repetiu-se várias vezes, mas nada. Desliguei, fiquei indignada e muito preocupada.
Entretanto, apareceram vários polícias que estavam a fazer guarda a um edifício público à esquina do cruzamento em que se deu o acidente. Perguntei-lhes se tinham chamado o 112, acenaram que sim. Estavam ao telemóvel. Os minutos iam correndo e a situação das vítimas, em especial o homem, que não me atrevo a descrever, aparentava agravar-se. Passaram-se 10 minutos e nada. Volto a ligar o 112. Sou atendida pela mesma pessoa a quem explico o acidente, pedindo-lhe que não me voltasse a passar um gravador. Falei, então, com alguém a quem expliquei a situação mais detalhadamente. A resposta que obtive foi nem mais nem menos, temos muitos pedidos, têm que esperar. Não queria acreditar no que acabara de ouvir. É uma resposta que um 112 nunca pode dar. Pode dar outras, mas esta não.
De entre as pessoas que se juntaram no cruzamento estava um médico francês, dentista – em férias - que deu as primeiras orientações sobre o que não se devia fazer, pois já tinham passado uns largos 10 a 15 minutos e algumas pessoas lembraram-se de trazer gelo e água para ajudar as vítimas. Como ninguém falava francês servi de interlocutora. O médico explicou-me que era essencial manter, se possível, as vítimas a falar ou, não sendo capazes, obrigá-las a fixar a atenção a sinais ou palavras em seu redor, assim como era fundamental pedir-lhes que fossem mexendo uma ou mais partes do corpo, os dedos da mão, um pé, qualquer parte do corpo. Mantive as vítimas atentas à conversa que fui tentando fazer. Foi uma eternidade. O médico francês estava perplexo com a demora de socorro e estava muito preocupado porque os minutos faziam toda a diferença. Disse-me que em França a lei impõe que a emergência nas cidades chegue ao local em menos de 5 minutos.
Quando o INEM chegou ao local já tinham voado, à vontade, 20 minutos. E não bastando a falta de rapidez de socorro, ainda mais esta. Houve necessidade de desencarcerar as vítimas. Os bombeiros levaram, em cima dos 20 minutos, mais de meia hora a chegar, fora o tempo necessário para fazerem o trabalho. Esta é a história de um acidente grave envolvendo duas pessoas a precisarem de ajuda, que foram assistidas 20 minutos após a primeira tentativa de pedido de socorro e finalmente retiradas do carro e transportadas para o hospital depois de um calvário de esperas e demoras que se saldou em mais de uma hora.
E que dizer das duas outras pessoas que seguiam no outro carro, a quem fisicamente nada aconteceu, mas que estavam em estado de choque. Uma delas tremia que nem varas verdes. Não dizia coisa com coisa. Apoio psicológico? Nem vê-lo.
Assim vai a capacidade de resposta do INEM (ou a falta dela) e a sua eficiente organização (ou desorganização). Assim são tratadas as pessoas que precisam de ser socorridas com rapidez e segurança nos momentos de maior aflição, em que a vida pode estar por um fio. Estes momentos não escolhem dias e horas, nem fins-de-semana, nem férias e não se compadecem com a maior ou menor falta de recursos e a sua deficiente organização, nem tão pouco com as abordagens “economicistas” que agora estão na moda. Uma resposta pronta não pode ser uma lotaria.
A ver por este caso e por muitos outros que vão sendo relatados em círculos de pessoas amigas e na comunicação social o pronto socorro do INEM não vai bem...

Peliteiro,   às  00:11

Comentários:

 

Meu Caro Amigo
Leio sempre com atenção o que por aqui vai derramando. Por decoro e respeito, por Si e também por muitos dos seus leitores, tenho resistido à tentação de deixar 'marca'. Mas hoje, e perante este texto, não resisto. O texto dá oportunidade a que relate um caso, um pouco quase idêntico, por mim presenciado, e protagonizado, na auto estrada A17, sentido Sul/Norte, a pouco mais de 1.500 metros da portagem de Mira.
O acidente, em que um dos automóveis envolvidos, tinha um casal, jovem, no interior, ficou atravessado na faixa de rodagem da AE, junto do separador central. Como o incidente foi 200/300 metros à minha frente, eu, e os três outros carros que me antecediam, paramos para prestar socorro. A minha filha, enquanto eu parava, foi logo ligando para o 112, pedindo ajuda. Tínhamos visto um casal paralisado, dentro do carro, e o carro virou um perigoso obstáculo. Obtida a ligação, foi eu que pedi ajuda à operadora, informando do que se passava, dizendo que além de me parecer que o casal estava preso, coisa que depois felizmente vi não sucedera, pelo menos estava em choque, e que o veículo, era um perigoso obstáculo, daí que também pedia a comparência urgente da Policia.
Para espanto meu, a senhora operadora, começou por querer saber a minha identificação, mais o meu numero de telefone, isto apesar de eu saber que o meu numero, que não é confidencial, estava de certeza já visível para ela no ecran do seu monitor. Depois quando disse que estava a cerca de 1.500 metros da Portagem de Mira, no sentido Sul /Norte, a senhora perguntou qual era a autoestrada. Como tinha entrado em Leiria, vindo de Fátima, disse que isso mesmo, e que portanto seria a A8. Resposta pronta da senhora, se é Mira, é a A17. Com esta conversa passaram-se mais de 10 minutos, daí dizer à senhora, que se ela sabia onde eu estava, qual a razão para demorar, ou perder tanto tempo em interrogatórios, até porque entretanto ia ouvindo gritos e travagens a fundo, de arrepiar o mais insensível dos mortais. Depois deste tempo todo, a senhora, com a maior das calmas diz-me, 'o senhor não quer ligar para a concessionária da autoestrada'? Aí, perdi a paciência e disse à senhora que fosse brincar para outro lado. Desliguei, mas entretanto, minha filha pelo seu telemóvel, voltou a ligar,e a pedir ajuda. Se a 1ª. foi o que foi, porque era hora de jantar, isto ocorreu por volta das 20h30, a segunda operadora ainda foi pior. Perante a impotência, pedi calma à minha filha, e pedi também que através do serviço de apoio da TMN obtivesse o número da Policia e dos Bombeiros mais próximos. Entretanto saí para prestar ajuda. Consegui tirar o casal do carro e instala-los longe dali. Foi colocar o triângulo a cerca de 100 metros, no eixo da via, avisando assim, com tempo e espaço, os Frângios que passando a via Verde, aproveitavam a recta para ganharem velocidades muito perto dos 200km.
O tempo ia passando, e eu, minha filha e os outros condutores que tinham connosco parado, fomos insistindo, tratando entretanto o condutor que tinha dado o toque, e que estava em estado de choque.
Resumindo, passados mais de 40 minutos, o inevitável sucedeu. Apesar de eu, prevendo, ter corrido ao longo da faixa de rodagem, assinalando com gestos o obstáculo, um Frângio, com uma carrinha nova, moderna, em velocidade que muito próxima dos 180/200Kms, rodando pela esquerda, nem deu pelo triângulo, bateu no carro acidentado, que fez de rampa, dentro três voltas, e não desfez o meu carro por milagre. Resultado. Mais 4 feridos, graves, e um monte de sucata a barrar a estrada. Do 112, nem sinal. A GNR, só pareceu quase 50 minutos depois, vinda de Aveiro, por intercepção do marido de uma senhora, médica, que dali pediu para casa ajuda.

Enfim, para que serve o INEM? O INEM, a Liga dos Bombeiros, e outras coisa que tais? Será que ainda existem dúvidas de que as 'feras' no 'circo' do que dizem ser a governação do país, não passam de 'perigosos animais de estimação'? É claro que ficando cada vez mais cara a ração que os sustenta.
José Andrade

 

 

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