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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Feudos 

Aprendi a administrar injectáveis e a efectuar venopunções na teórico-prática da cadeira de Anatomia ministrada pelo Prof.º Simões de Carvalho, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Desde aí, não foi nem uma nem duas as vezes em que administrei injectáveis, incluindo vacinas; tal como muitos dos meus colegas - é público.

Agora, os Enfermeiros acusam farmácias de "invasão de actividade" por causa de administração de vacinas. A partir de um Parecer do Conselho de Enfermagem a Ordem dos Enfermeiros emitiu um comunicado onde afirma que apenas os Enfermeiros - e nunca os Médicos ou os Farmacêuticos - podem administrar injectáveis.

Até certo ponto concordo com os enfermeiros, conservador, defendo um exercício profissional na saúde o mais bem definido, regulado e fiscalizado possível, em estabelecimentos adequados e devidamente equipados (não me lembro da preocupação dos enfermeiros com a venda de medicamentos nos supermercados), sempre respeitando os mais altos padrões de qualidade e segurança. Não posso concordar no entanto, que se diga que o farmacêutico - o mesmo não se aplica ao restante pessoal da Farmácia! - devidamente treinado não tem competência técnica para administrar uma vacina, para reagir a um efeito adverso - a uma reacção anafilática segundo a circular normativa 8/DT -, e que as Farmácias, enquanto estabelecimento, não tem condições para a realização de tal acto (haverá as que não, tal como haverá clínicas de enfermagem que não). Preferiria que os farmacêuticos não o fizessem por rotina, como até agora, mas não é preciso um Doutoramento e um estágio na Clínica Mayo para aplicar uma injecção.

Enfim, a evolução da prestação dos cuidados de saúde - pautado pela tentativa, a todo o custo, da diminuição de despesa pública - não vai pelo melhor caminho e a desregulação é uma constante, mas este episódio das vacinas - originado pelo Governo! - não será muito significativo para a saúde em Portugal, nem trará prejuízos aos doentes - antes os benefícios da acessibilidade e da concorrência -, é mais uma guerra de alecrim e manjerona que se prolongará indefinidamente.

Peliteiro,   às  19:25

Comentários:

 

Dr Peliteiro, não consigo aceder à circular normativa 8/DT.

 

 

 

Obrigado. Julgo que agora sim, página 48.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Está óptimo, obrigado.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Sabe se há alguma legislação sobre quais os profissionais habilitados à administração de injectáveis e colheitas venosas?
Há farmácias afastadas de CS que o fazem legalmente (injecções).
A OEnf fala tanto na "ilegalidade" de tal acto dos "demais decretos lei" mas nunca me deparei com nada que dissesse que apenas os enfermeiros estão habilitados a tal (os médicos também o fazem frequentemente, enfim).
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Era o que faltava, eu Cirurgião, não poder dar uma pica. Balelas.
# por Anonymous JFC : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Dr. Peliteiro e se após a administração de uma vacina o cliente entrar em choque anafilático e for alérgico ao salbutamol e por exemplo a alguns corticosteróides ( hidrocortisona e prednisolona) como se descalça a bota ?
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Certamente não me poderá dizer que as condições éticas nomeadamente de privacidade serão respeitadas na vacinação por exemplo.

Não me diga que concorda com as seguintes afirmações : "João Mendonça, (...)os cursos têm 20 horas para que os conhecimentos estejam frescos a partir de Outubro“. A formação prevê, entre outras coisas, “reforçar conhecimentos de suporte básico de vida, que foram apreendidos na universidade”.

E certamente os utentes se forem bem informados concordariam com isto não é uma guerra do alecrim e da manjerona, mas sim um assunto sério pois pode por em causa a sua saude e a sua vida.

Quanto às condições que aqui refere para uma clinica médica e de enfermagem. Há legislação sobre isso. O que se passa é que a legislação não contempla casos de reanimação numa farmacia, nem de meios para tal, por exemplo...

A relevância dos enfermeiros é enquadrada no “funcionamento do sistema de saúde e na garantia do acesso da população a cuidados de saúde de qualidade, em especial em cuidados de enfermagem”.

Não considero que com um curso de 20 horas se possa praticar "os tais actos" que aqui fala.

Quanto à preocupação dos enfermeiros com a venda de fármacos nos supermercados, poderá ler no site da nossa Ordem o parecer.

Continuação de boas postagens
# por Blogger Lifepassenger : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Colega Peliteiro,

Ora aqui está um bom tema para pegar que, confesso, me surpreende que só agora dê polémica, já que a legislação que permite às farmácias administrar vacinas e injecções foi publicada já em Novembro de 2007. Enfim, sá agora, com a publicidade das vacinas da gripe a serem a administradas nas farmácias, é que se lembraram disto.

O que eu acho, é muito simples: Cada macaco no seu galho. É certo que há muitos farmacêuticos (não todos) que sabem administrar injecções. Mas também é certo que há muitos enfermeiros que, como os conhecimentos de farmacologia apreendidos nas faculdades e com muito empirismo, conseguem indicar o medicamento mais adequado a determinada patologia. E isso faz deles médicos ou farmacêuticos? Claro que não. Nem deve!

Devemos pugnar pelo profissionalismo da nossa classe. Pugnar pela excelência na execução da tarefas que são nossas por direito de modo a que a mais-valia de sermos nós, farmacêuticos, a executá-las, seja clara perante todos.
Não devemos querer ficar com tarefas que nunca foram nossas (a não ser em casos muito pontuais e, diga-se, ilegais até agora) e achar que isso é perfeitamente normal. Caso contrário, arriscamo-nos a, qualquer dia, vermos a Ordem dos Farmacêuticos a fazer comunicados contra o facto dos Enfermeiros poderem começar a vender medicamentos para administrar nos centros de enfermagem.

Cada macaco no seu galho.
# por Blogger Farmasa : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Situações esporádicas e Legais, não se esqueça que há farmácias em regiões isoladas em que tal acontece legalmente.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

«Sabe se há alguma legislação sobre quais os profissionais habilitados à administração de injectáveis e colheitas venosas?»

Administrar injecções é um acto "natural" para o farmacêutico, tal como é a aplicação de espéculo para colheita de exsudato vaginal. Existe legislação que detalhe estes actos como legais ou ilegais? Desconheço.



________________________________

«Dr. Peliteiro e se após a administração de uma vacina o cliente entrar em choque anafilático e for alérgico ao salbutamol e por exemplo a alguns corticosteróides ( hidrocortisona e prednisolona) como se descalça a bota ?»

Olhe, eu faria o que faria um enfermeiro ou médico qualquer: chamava um padre!
[Como compreende não posso estar aqui a responder a questões técnicas; já fiz o último exame há muito tempo.]


__________________________

Caro Lifepassenger,
No meu entender Farmacêuticos saem/ deviam sair da faculdade com os conhecimentos teóricos de anatomia, fisiologia e farmacologia e os conhecimentos práticos no estágio com colegas mais que necessários para administrar injectáveis.
Os estabelecimentos de Farmácia possuem as condições que a legislação impuser - tal como as clínicas de enfermagem.
Esperemos que este caso sirva pelo menos para clarificar a situação.


______________________________

Caro Farmasa,
Não discordo completamente da sua posição, ou melhor até concordo, mas não podemos evitar o correr dos tempos e os efeitos das novas políticas de saúde.
Preferia que evoluíssemos no sentido da prescrição - mais perto do nosso core.
Não é uma situação perfeita, mas também não me parece que venha grande mal ao mundo - afinal são só umas vacinas.
Ainda, last but not least, o que importa é o interesse do doente e não do enfermeiro ou do farmacêutico. Se ambos tiverem as competências necessárias - que têm - porque não estimular a concorrência?
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Francamente Peliteiro...

Um engenheiro só por ter umas cadeiras de direito comercial no seu curso não vai (não ia...eh!eh!.dizem que há para aí alguns mediadores...kia kia kia)para juiz...Nem um médico por ter cadeiras de farmacologia vai para farmaceutico...cada galho e cada arvore com sua fruta, se bem que eu já vi enxertos onde de um lado dá maçãs e do outro marmelos...e uma roseira com rosas vermelhas, amarelas e laranjas...
# por Blogger CÁ FICO : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Anónimo : Quarta-feira, Setembro 03, 2008

“Dr. Peliteiro e se após a administração de uma vacina o cliente entrar em choque anafilático e for alérgico ao salbutamol e por exemplo a alguns corticosteróides ( hidrocortisona e prednisolona) como se descalça a bota ?”
Você é enfermeiro? É que nunca vi ninguém com uma pergunta tão estúpida, deve ser. Espero que não represente a sua classe.

Explique-me como raio pode alguém ser alérgico à hidrocortisona!? Seu mentecapto, a partir do momento em que alguém desenvolvesse hipersensibilidade ao cortisol o feto entre as 3 e 8 semanas tornava-se inviável.
A alergia aos corticosteroides sistémicos (que não a hidrocortisona, naturalmente) é tão rara que a maioria dos doentes tolera outro corticosteroide. Dermatites de contacto são mais comuns com cremes com hidrocortisona
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Estamos a falar de uma porra de umas injecções!
Não de um transplante hepático.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

A alergia podia ser não ao corticóide mas a um excipiente
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

Claro que pode, mas ai a historia é outra, ele/a disse à hidrocortisona. Nesse caso seria ainda mais fácil, muda-se para outra formulação.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

E se já existe reacção anafilática como se sabe que há uma reacção anafilática secundária? E uma terciária?
Estão a ajabardar a discussão.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

A piada é mesmo porem essa hipótese ridícula. É que quando vou levar uma vacina perguntam-me sempre, sempre, sempre: "você é alérgico ao excipiente X,Y,Z?" lol. Cambada de palhaços.
# por Anonymous Anónimo : quarta-feira, setembro 03, 2008

 

 

 

De realçar que o Dr Peliteiro é analista.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

No meu entender Farmacêuticos saem/ deviam sair da faculdade com os conhecimentos teóricos de anatomia, fisiologia e farmacologia e os conhecimentos práticos no estágio com colegas mais que necessários para administrar injectáveis.

Neste caso há uma contradição... Se de facto tem estes conhecimentos para quê os cursos, não volto a citar as 20 horas. Penso que ninguém quer ver Ordens profissionais a atacarem-se simplesmente porque os interesses economicistas levam a que se tente usurpar competências.

Quanto a ter as condições de reanimação necessárias, convido-o a participar numa reanimação para depois discutirmos melhor o assunto . ;)

Para além do que ter o equipamento mas não ter o know how, é complicado.

Quanto à legislação e aos direitos dos utentes , como salvaguardam o direito À privacidade , a acessibilidade, ao direito, ao pudor.... numa fármacia parece-me algo complicado.

Bem boas postagens.
# por Blogger Vera Carvalho : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Caro farmasa, estamos de acordo com o "Cada macaco no seu galho", só alterava algo que em Portugal nunca se fez....

Trabalho em equipa e nãp atropelo de funções e de louvores, como utente agradeço. Explicando melhor se todos trabalhassem numa linguagem comum e com conhecimentos comuns e não isolados penso que como utentes beneficiariamos
# por Blogger Vera Carvalho : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Vera Carvalho «o direito À privacidade , a acessibilidade, ao direito, ao pudor.... numa fármacia parece-me algo complicado» mas é claro que as farmácias terão um gabinete proprio.
A reanimação é difícil tanto por um farma como por um enfermeiro que não faça da reanimação o dia-a-dia.
# por Anonymous Constantino : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

As farmácias aderentes a este serviço têm de sofrer alterações estruturais, já para não falar, que qualquer farmácia recente tem obrigatoriamente de possuir uma estrutura própria onde é incluído - entre muitas outras coisas - um gabinete.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Santa ignorância (pronto, BURRICE).
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Os enfermeiros estavam habituados a ganhar muito dinheiro com pouco trabalho com a campanha da vacinação da gripe.
Milhares e milhares de velhinhos eram afugentados dos centros de saúde para "Enfermeiros unidos & Cia. Lda" onde pagavam 10 euros por uma picadela de mosca. As Farmácias vão passar a fazê-lo de graça. Acabou o negócio. Está instalada a polémica. Cifrões, cifrões.
# por Anonymous AST : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Ganhar mto dinheiro? E eu que pensava que nos Centros de saude se dao as vacinas a qq pessoa a custo zero!! E que quem nao tem possibilidades de se deslocaren tem ainda as visitas domiciliarias dos mesmos.
Mais uma coisa.. as vacinas são apenas uma mera injecção? A unica preocupação sao as reacções adversas? E explicar aos utentes a importancia da imunização? da profilaxia... é o farmaceutico que vai ter esse cuidado?!!
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

O farmacêutico já tem esse cuidado!
Você é burro ou faz-se? As maiores campanhas de promoção para a saúde são feitas em farmácias, o farmacêutico comunitário é por excelência um educador.Não caia no ridículo.
Vê-se mesmo pelos vossos dizeres que nem conhecimentos elementares de farmacologia/fisiologia possuem, depois viram-se para o "psicosocial", cuidem-se.
Não há argumentos validos da vossa parte, tanto pela vossa bastonária, como sustentados pelos vossos comentários.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Podiam fundamentar o vosso apelo realizando uma das excelentes teses de doutoramento em enfermagem! Passo a sugerir:

"A importância do psicossocial na administração de injectáveis"

"A ansiedade no utente a ser vacinado"

"A vivência de sentir-se respeitado durante o acto da vacinação"

"A vivência da dimensão espiritual no cuidado da pessoa em situação de ser administrado terapêutica parentérica"

" Aprendizagem de habilidades para a vida – estratégias educacionais para o regresso a
casa do vacinado"

"O regresso à vida quotidiana após a experiência da administração de um injectavel"

É nisto que são bons.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

O problema é só um, os enfermeiros agora têm a mania que se equiparam aos médicos.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

O problema é só um, os enfermeiros agora têm a mania que se equiparam aos médicos.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Este ultimo comentário é muito bom. Quanta inveja!
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

É verdade. Os Enfermeiros tanto imitam os médicos, tanto querem ser uma espécie de médicos de segunda, que acabam por nem ser bons médicos nem bons enfermeiros. A inveja é muito feia.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Bosta psicossocial e companhia, isso é que é necessário para administrar injectáveis!!! Ou medir glicémias, pressão arterial, etc. LOL!
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Que ridículo! Até se ouve que não devíamos avaliar glicémias capilares!!!!
Eu como estagiário que ainda nem pôs os pés na especialidade de 5 anos em análises clínicas (hei-de ser farmacêutico analista) realizo análises e já vou dando umas achegas nos diagnósticos das mais variadas valências: bioquímica, endocrinologia, hematologia, imunologia e serologia, microbiologia, fármacos e toxicologia clínica etc.
Antes de começar este estágio já sabia mais de metabolismo intermediário, de HC e endocrinologia a dormir do que esses gajos acordados e com o livro aberto no colo.
São tão incompetentes no que diz respeito a colheitas (especialmente para bacteriologia de urinas de doentes algaliados) que só fazem porcaria!
Acho os enfermeiros com que me deparo cómicos, basta ver os comentários supramencionados para perceber a competência técnica e cientifica de que são dotados.
# por Anonymous Anónimo : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Mas que grande salganhada de comentarios!...

O que mais me preocupa é a falta de informação ao utente, exactamente porque os profissionais estão mal informados.
No ano passado quando saiu a portaria, houve uma breve discussão que penso que não teve este impacto que temo bem que só surgiu por causa do curso que a OF disponibiliza.

Na minha opinião, o problema é bem básico. Quem legisla, não sabe patavina do assunto, e para variar em Portugal, legisla a metade... Não se prevêem as coisas para o futuro. Não se elaboram planos estruturais que se sustentem e reforcem com o passar do tempo. É sempre tudo à martelada.

Se querem que os farmacêuticos tenham a possibilidade de dar injecções, e admitem que esse acto requer extrema segurança e cuidado, então criem as regras do jogo!

Também não acredito que seja necessário um Doutoramento para dar uma vacina...

E concordo com o seu parágrafo:

"Enfim, a evolução da prestação dos cuidados de saúde - pautado pela tentativa, a todo o custo, da diminuição de despesa pública - não vai pelo melhor caminho e a desregulação é uma constante, mas este episódio das vacinas - originado pelo Governo! - não será muito significativo para a saúde em Portugal, nem trará prejuízos aos doentes - antes os benefícios da acessibilidade e da concorrência -, é mais uma guerra de alecrim e manjerona que se prolongará indefinidamente."

É bem verdade. A "guerra" é outra!... (como está ilustrado por alguns destes comentários neste rol presente acima)
# por Blogger Andie : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Boa noite,

É bom ver que estes temas sejam alvo de discussão acesa, pena que a maioria das motivações por detrás dos argumentos sejam de cariz económico ou feudal.

Quanto aos feudos são coisa do passado.
No que respeita aos tostões, os enfermeiros (competentes) pelo menos ganharam mais uma saída profissional: Formadores na mui nobre e provecta arte de administrar vacinas!
# por Blogger Blogcêutico : quinta-feira, setembro 04, 2008

 

 

 

Bom dia,

Devo ser dos poucos, mas aqui vai:

Numa única aula prática de fundamentos de enfermagem aprendi a administrar injectáveis num boneco.
Após essa hora que teve de ser dividida por 20 alunos para o treino, tive estagio onde apenas me supervisionaram duas ou três vezes na administração de terapêutica parenterica.
Tive também 1 hora (que também foi dividida por 20 alunos) para o SBV. Nunca pratiquei nem executei na prática o procedimento para uma reacção anafilatica.
Os farmacêuticos vão ter 20 horas, isto é, literalmente 20 vezes mais treino teórico-prático que eu.

Onde está o arguemento? Acho que a OE neste caso fazia melhor em estar calada.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, setembro 05, 2008

 

 

 

E os enfermeiros, que sempre que podem desempenham funções de farmacêuticos?
Nos hospitais pequenos quem trata dos citostáticos?
Nos centros de saúde quem dispensa anticoncepcionais?
etc, etc,
# por Anonymous boticário da capital : sexta-feira, setembro 05, 2008

 

 

 

A opinião do Vladimiro Jorge Silva no Efervescente:

Vai rija a discussão no Boticário de Província. E, qual maçã de Newton a caminho do chã, cá fica também a minha opinião: esta decisão (dos farmacêuticos darem injecções) é uma perfeita estupidez, um tiro no pé da classe farmacêutica (foi a ANF que pediu isto ao governo) e é totalmente desnecessária para o SNS. Passo a justificar:
- Com o exercício deste tipo de actividades não directamente ligadas à sua formação, os farmacêuticos despolarizam o exercício da sua actividade e entram em áreas que não dominam (é patético o curso de 20 horas promovido pela Ordem dos Farmacêuticos). Se hoje em dia é raro encontrarem-se farmácias e farmacêuticos que desempenhem bem a plenitude das suas funções (a culpa é do sistema - e digo-o sem ponta de ironia), à medida que se vão adquirindo novas tarefas será inevitável o caminho no sentido inverso ao da avaliação farmaco-terapêutica dos doentes, análise de interacções medicamentosas, promoção da adesão à terapêutica, farmacovigilância, aconselhamento, etc. Ou seja, a troco de meia dúzia de tostões (ganhos indirectamente em "afinidade pela Farmácia" e outros esotéricos conceitos de marketing) os farmacêuticos passam a ser uma entidade profissional nova, espécie de quimera nascida a meio caminho entre um farmacêutico, um enfermeiro, um analista clínico, um médico, um homeopata, um veterinário, um vendedor de produtos naturais, um bombeiro, um conselheiro de uma perfumaria e uma funcionária da Chicco. Não, não se ganha nada com este tipo de iniciativas. Aliás, antes pelo contrário - cada vez a sociedade reconhece menos as vantagens da intervenção farmacêutica no circuito do medicamento (vejam o que vos aconteceu às margens...)!
- Haveria sempre o argumento de que os farmacêuticos não deveriam olhar apenas para o seu próprio umbigo e que esta medida é boa para os utentes, que deste modo têm injecções "mais à mão" que nos centros de saúde. No entanto, também este argumento não colhe: por um lado porque este não é um problema especialmente relevante (pelo menos, não é uma prioridade do SNS) - não são frequentes as queixas de falta de disponibilidade dos enfermeiros para darem injecções e nesse aspecto a rede de Cuidados de Saúde Primários sempre funcionou bem. Além disso, seria sempre possível que as injecções passassem a ser dadas nas farmácias... mas por enfermeiros contratados para o efeito!

Enfim, esta é claramente uma boa época para deixar de ser farmacêutico comunitário. Dar injecções? Apre!

# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : sexta-feira, setembro 05, 2008

 

 

 

Não acho correcto este abraço de todas as áreas para dentro da farmácia. Não quero dar vacinas na farmácia. Mas dizer que os farmacêuticos não têm competência para tal, depois de ver alguns enfermeiros que demonstram débeis conhecimentos científicos, é no mínimo, incongruente.
# por Anonymous Anónimo : sexta-feira, setembro 05, 2008

 

 

 

cifrões, este é o problema...directa ou indirectamente...porque há muitos enf. que administram inj. em suas casas em troca de $$$ ou de prendas no natal, páscoa...

na farmácia o serviço deve ser pago, para ser valorizado, e de encontro ao interesse de todos: se se gasta $$ com o curso de 20 h ou se contrata um enf, tem de ser pago!!!

condições há, mas riscos tb...
quantos colegas já ajudaram a aplicar emplastros, colirios, pós, comprimidos, xps, ali mesmo ao balcão ou no gabinete de atendimento???? aí tb não há perigo de reacção, choque????

os pobres dos enfermeiros tão a ver é os euros a fugir, o estado não os aumenta, as gorjetas por fora estão em risco, e os recèm licenciados ficam nas cx de supermercado...
se deus me ajudar não vou administrar nem uma inj. nem uma vacina, que a minha vida não é isto...
kamy farmacêutica
# por Anonymous Anónimo : sábado, setembro 06, 2008

 

 

 

Esta discussao está podre.
A verdade é que a nivel de saude nao estao definidos em lado nenhum os papeis de cada elemento da equipa de saúde e isto torna-se problematico para a defesa das funções das classes.
A verdade é q ninguem deveria cobrar por aquilo que devia ser um direito de todo o cidadao - a saude.
A verdade é que de facto os enfermeiros estavam habituados a que certas funções lhes sejam designadas, mas tb é verdade é que as farmacias só entraram nesta luta por motivos economicos por isso é tb estupido estarem a acusar enfermeiros de estarem a lutar por isto apenas por motivos economicos, quando muitas vezes as dao de forma gratuita.
A verdade é que os médicos se colocam maioritariamente do lado de farmaceuticos nesta questao pq existe a velha rivalidade entre medicos e enfermeiros.. até pq quando é a enfermagem a querer tomar certos poderes que até entao eram dos médicos, eles berram da mesma forma que os enfermeiros nesta questao.
A verdade é que conheço farmaceiticos licenciados a trabalhar em farmacias que nao sabem para que servem os medicamentos que vendem.
A verdade é que tb há enfermeiros incompetentes e com pcos conhecimentos, mas tb já vi enfermeiros a salvar vidas simplesmente por nao administrar algo que o medico receitou (e falo por experiencia propria), sim, em portugal o que nao faltam é medicos incompetentes.
Mas tb é verdade que esta discussao nao tem sentido. Até pq ninguem está aqui a olhar pelo ponto de vista do utente. Nao sou nada... nao sou farmaceitica, medica ou enfermeira, sou apenas uma utente dos serviços de saúde.
E agora pergunto... Os farmaceuticos vao dar as vacinas de graça? ou vao cobrar balurdios como de costume?
# por Anonymous Anónimo : sábado, setembro 06, 2008

 

 

 

Anonimo disse:
"O problema é só um, os enfermeiros agora têm a mania que se equiparam aos médicos."
___________________________________

Se a sua opinião é que todos os enfermeiros querem ser médicos, está bem enganado.
Será que estou errada em pensar que na sua opiniao, os enfermeiros nao servem para nada?
Pois eu gostava de saber se já se apercebeu quem fica a cuidar do doente durante mais tempo... ´
Lembre-se de uma coisa entao, os medicos podem estar ausentes por umas horas, mas a presença do enfermeiro é obrigatória a qualquer hora.
Alem disso, nao é o enfermeiro que quer ser médico, é o médico que nao quer fazer nada e muitas vezes deixa para o enfermeiro tarefas que lhe competiam.
# por Anonymous Anónimo : sábado, setembro 06, 2008

 

 

 

Acho piada às enfermeiras, sempre prontos a usurpar as funções dos médicos, dos farmacêuticos, dos nutricionistas, dos psicólogos, dos fisioterapeutas, de toda a gente e agora armam-se em damas virginais, ai que nem os farmacêuticos, nem (isso é que era bom!) os médicos (no meu serviço piam fininho, querem lá ver) podem dar uma injecção.
# por Anonymous Anónimo : sábado, setembro 06, 2008

 

 

 

Acho piada a alguns comentários aqui feitos. Os enfermeiros não querem imitar os médicos. Há muito tempo que deixaram de ser auxiliares dos médicos. Já não estamos no tempo de Florence Nightingale! Para quem não sabe, os enfermeiros têm funções bem diferentes dos médicos e, felizmente, a administração de medicação endovenosa, subcutânea ou intra-muscular, é a penas uma infima parte dessas funções.
Entristece-me ler alguns comentários que dizem que aos enfermeiros falta competência técnica e científica.De certeza que quem assim pensa nunca recebeu cuidados de enfermagem ou, se recebeu,foi de alguem que, infelizmente, representa mal a classe.
É verdade que, por vezes temos de desempenhar algumas funções que competiam aos médicos, mas não por vontade nossa (quem me dera a mim que eles cumprissem essas funções). Sim, os enfermeiros aconselham os utentes sobre cuidados a ter com a alimentação, mas não substituem os nutricionistas. Às vezes também fazem de psicólogos, ouvindo os desabafos dos doentes, mas também não os substituem. Também não substituem os fisioterapêutas, mas existem enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação.
Quem me dera que deixassem para os enfermeiros apenas as funções que são nossas. Não queremos imitar nem entrar no campo de actuação de ninguém.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, setembro 08, 2008

 

 

 

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, outubro 31, 2011

 

 

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