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Impressões de um Boticário de Província

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sábado, 5 de julho de 2008

Bloco de onde? 

Não é de hoje que sabemos que a sustentabilidade operacional do nosso sistema de saúde está em causa por causa da falta de médicos. Durante anos as entradas nas faculdades de medicina foram dificultadas ao máximo - em 1986 o numerus clausus nacional foi de 190! - por forma a fazer valer a velhinha lei da oferta e da procura: quanta mais escassez de médicos houver maior será o valor das suas remunerações. Simples.

Chegados ao ponto em que já não é possível esconder o problema nem dos mais distraídos é altura, à boa maneira portuguesa, de discutir soluções de emergência. E, à boa maneira portuguesa, sobretudo quando grandes interesses estão em cima da mesa, em vez de se eliminarem as causas principais do problema, aumentando as vagas de admissão no curso de Medicina - só uma cidade de uma província pobre e periférica espanhola, Santiago de Compostela, abriu este ano 350 lugares! - e eliminando o regabofe das licenças sem vencimento, surgem ideias que aparentemente tem como único objectivo perpetuar, e talvez mesmo agravar, os efeitos do problema.

É o caso do projecto que o Bloco de Esquerda vai entregar para travar a fuga de médicos para o sector privado. O BE, preocupado com os pobres e desfavorecidos médicos, coitados, através do Deputado João Semedo, diz que «o trabalho médico é muito mal pago nos serviços públicos» e propõe - segundo o Expresso, que dá 20 vezes mais espaço a isto que ao relatório de Primavera do OPSS - «alterar o regime remuneratório e o sistema de vínculos e carreiras», que «há necessidade de segurar os especialistas que aos 50 anos não utilizam a prerrogativa de abandonar os serviços de urgência pagando-lhes O DOBRO do que recebem», sendo necessário que o Estado «assuma o compromisso de garantir a vaga a TODOS os médicos que concluem o ano comum».

O Deputado João Semedo do BE é um destes médicos «muito mal pagos nos serviços públicos». Obviamente.

Peliteiro,   às  12:56

Comentários:

 

Não sei se deva interpretar este post como uma posição política ou como uma posição corporativa. Não sei se a ideia é beliscar a crescente simpatia pelo BE, se é defender a fuga de médicos para os privados.
O dr. João Semedo tem visitado e reunido com as administrações da grande maioria dos hospitais do país. Tide a oportunidade de o acompanhar na visita ao de Famalicão. A falta de médicos para o serviço de urgências é uma preocupação e um problema para quase todos os hospitais.
O problema será o facto desta proposta vir do BE e ajudar a resolver um dos problemas que mais afecta os portugueses? Ou o problema é o que isso irá custar ao Estado?
Se o problema é o custo, deveriamos avaliar o custo social de um serviço de urgência em que as pessoas não sejam atendias nas melhores condições, deveriamos também contabilizar e comparar a quantidade de cargos de nomeação (muitos deles inuteis) que os governos PSD/PP e PS são responsáveis e divulgar o quanto isso custa ao país.

 

 

 

José Luís Araújo, interprete como uma posição de um cidadão que está farto de ver os seus impostos desbaratados pelo Estado.

Parece que não fui bem claro, para mim o problema da falta de médicos resolve-se com a formação de mais médicos e o problema da saída dos médicos para a privada resolve-se com a medida anterior mais o estabelecimento de barreiras à saída e, sobretudo, à reentrada.

O BE, o João Semedo e o José Luís Araújo defendem, entre outras coisas, que paguem o dobro a uma das classes mais bem pagas do país.
Os trabalhadores com aumentos de 1% talvez não concordem com isso.

Espero agora ter sido claro.
# por Blogger Jorge de Sá Peliteiro : sábado, julho 05, 2008

 

 

 

Concordo na generalidade com o Peliteiro, mas o abrir de vagas em medicina per si pode não ser unicamente a solução. Pelo menos não é a imediata. Depois tem que se ver, abrir vagas aonde...é que parece-me que existem além das instituições públicas inúmeros privados ávidos pelas mesmas e, se calhar, bem capacitados.
Discordo do Pelitero na sua preocupação em ser uma das classes mais bem pagas. Não me preocupa. Quando estiver lá como doente quero tratamento VIP. Pelos melhores profissionais, e não por aqueles que não conseguiram ainda arranjar outro tacho.
# por Anonymous fino : domingo, julho 06, 2008

 

 

 

Se não fosse à muito a "prescrição" farmacêutica ao abrigo da alínea 2 do artigo 6º do Decreto-Lei n.º 307/2007, com toda a competência técnica e cientifica de quem é de direito, então há muito que o mero utente do SNS estava morto por uma pequena infecção na unha do pé.
A fim de libertar os poucos médicos que há, uma das soluções a curto prazo seria tomar uma atitude à semelhança do Reino Unido.

Se querem realmente melhorar a acessibilidade ao medicamento e cuidados de saúde por parte dos cidadãos então façam-no convenientemente:

http://www.rpsgb.org.uk/worldofpharmacy/currentdevelopmentsinpharmacy/pharmacistprescribing/index.html
# por Anonymous Anónimo : domingo, julho 06, 2008

 

 

 

Quando vejo falar de qualidade, neste caso qualidade dos médicos, ela só é efectiva e maximizada quando há competição. Para haver competição tem que haver quantidade.
Sobre a fuga concordo com a restrição à reentrada. Claro que é interessante para um médico, não se desvincular do público, tira uma, licença sem vencimento durante 3 anos, vai para o privado e depois se quiser e/ou quando quiser volta.
# por Anonymous Nuno Pimentel : segunda-feira, julho 07, 2008

 

 

 

É mas é acabar com a "chulice" médica e de outros profissionais que são verdadeiros parasitas do Estado e, consequentemente, da sociedade. E o Estado não tem de garantir vaga a todos os que acabam o ano comum. Queriam não queriam? Era bom não era? Mas de momento o "Eng." Sócrates está demasiado preocupado com as eleições de 2009 e não se vai atrever a tocar na "questão médica" para não ser varrido (como foi varrido o caríssimo Correia de Campos). Venha alguém com a determinação de pôr termo a essa corja de sanguessugas que são a verdadeira causa da podridão do sistema de saúde português.
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, julho 08, 2008

 

 

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