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Impressões de um Boticário de Província

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terça-feira, 19 de junho de 2007

Please don't go 

As ParaVazias têm a partir de hoje mais uma vantagem concedida pelo Governo.
Lê-se em todos os jornais digitais de hoje:

Medicamentos comparticipados à venda fora de farmácias

A Farmácia e os medicamentos são um excelente exemplo de como este Governo actua sobretudo com base na propaganda enganosa. Comparando o fulgor do anunciado com a modéstia do executado podemos extrapolar e afirmar que, assim como o poeta, Correia de Campos é um fingidor.

A verdade é que da leitura do Decreto-Lei n.º 238/2007 de 19 de Junho se constata que apenas os medicamentos não sujeitos a receita médica e, simultaneamente, comparticipados é que poderão ser vendidos nas ParaVazias. Ou seja, meia-dúzia de medicamentos sem qualquer impacto no volume de vendas.



Ainda, entre o absurdo arrazoado desta legislação se pode ler: «o cingir a comparticipação dos MNSRM às farmácias decorre da complexidade do sistema administrativo da comparticipação de medicamentos que impossibilita, para já, o seu alargamento».
Como quem diz aos donos das ParaVazias: é pá, aguentem lá mais um pouco os prejuízos, não fechem já o tasco que mais dia menos dia transformaremos a sua ParaVazia numa Farmácia à séria.

É claro que isso nunca vai acontecer. A vantagem concedida pelo Governo é apenas aparente. Quem tem uma ParaVazia e não se chama Belmiro ou Saleiro só tem que fechar o mais rapidamente possível as portas ou então equiparar as suas ambições empresariais às dos donos das milhares de ervanárias e chafaricas afins que por aí pululam.


Please don't goParafarmácias
Don't go away. You've got to stayParafarmácias
Don't, don't go awayParafarmácias
Pick your head up, don't frownParafarmácias
We can survive somehowParafarmácias
Oh, please don't go awayParafarmácias
So please stay, and please knowParafarmácias
That my love is no jokeParafarmácias
And I'm strong and I hope that some day we'll grow oldParafarmácias
Please don't go, don't go awayParafarmácias
Please don't go, don't go away

Peliteiro,   às  14:27

Comentários:

 

Lindo, Mário só você para me fazer rir :). Boa análise e um abraço deste fiel leitor!

Melhor ainda foi a campanha Pharmacon + Diário de Noticias + publicidade na televisão, está montada uma bela camapanha está...

 

 

 

Seja bem-vindo e um abraço.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : quarta-feira, junho 20, 2007

 

 

 

Desculpe lá, mas tenho vindo a ler as suas opiniões e tenho umas questões para lhe fazer:

1) Acena várias vezes com a ameaça da monopolização da propriedade das farmácias por meia dúzia de multinacionais poderosas e com interesses meramente económicos. No entanto, a legislação irá prever que cada proprietário só poderá ser proprietário de, no máximo, 4 farmácias. Como explica isto?

2) Outros "negócios" altamente lucrativos, como as clínicas médicas privadas (provavelmente não tão lucrativos quanto as farmácias, mas na mesma "bons negócios"), têm a sua propriedade liberalizada e não exclusiva a médicos. No entanto, arrisco dizer que a maioria dos seus proprietários continuam a ser médicos e que, até agora, em tantos anos, ainda não há nenhuma rede multinacional à lá McDonald's da Medicina que se tenha "apropriado" das clínicas médicas. Como explica isto?

Agradeço os seus esclarecimentos.

Muito obrigado.
# por Anonymous Antento : quarta-feira, junho 20, 2007

 

 

 

Caro Antento, agradeço as suas questões a que vou tentar responder o mais clara e sucintamente possível.
Não se trata de matéria assim tão simples quanto parece numa primeira abordagem. Muito boa gente, muito bem pensante, disse já tremendas enormidades sobre o tema. Infelizmente alguns - menos, muito menos - continuam dizendo.
Saúde e dinheiro são dois bens pouco miscíveis e este meu texto procura ter o mesmo registo que o seu: falando de negócios.

Para facilitar o entendimento das minhas respostas, dois pontos de esclarecimento preliminares:
i Esta ligação que permite ler muito do já escrevi sobre o tema e
ii aquilo que eu considero ser o cerne, a alma, o âmago da problemática (tudo o resto é acessório, menor, irrisório) - O NÚMERO DE FARMÁCIAS

Passemos então às respostas concretas:

1) Não explico. Nunca disse isso. Não acontecerá. A não ser que a legislação tal como é conhecida dê lugar a algum "buraco legal" não haverá grandes cadeias de Farmácias.
O que ocorrerá - com mais ou menos testas-de-ferro - é a propriedade de umas quantas farmácias na mão de uma família ou grupo de pequenos empreiteiros, madeireiros ou picheleiros (sem ofensa para estes empresários, como exemplo apenas), na mão dos filhos dos actuais farmacêuticos proprietários armados em gestores, na mão de uns patos-bravos que pensam que encontraram a árvore das patacas e ficarão enterrados em consumições e dívidas ou outros cenários similares.
A meia dúzia de multinacionais poderosas a que se refere ocorreriam num cenário de liberalização de instalação que não acontecerá.

2) Não concordo. Basta ler os jornais económicos para ver que a medicina privada está cada vez mais concentrada na mão de uns poucos grupos económicos; por enquanto todos nacionais mas logo veremos se assim continua. Ah, e as Misericórdias e o Monjardino. As pequenas clínicas de bairro a que penso que se refere são um negócio residual, progressivamente insignificante.

Espero ter esclarecido a minha posição e espero que continue a visitar este humilde e despretensioso blogue.
# por Blogger Mário de Sá Peliteiro : sexta-feira, junho 22, 2007

 

 

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