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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Aborto ilegal 

Um dos argumentos principais dos defensores do "sim" ao aborto para este referendo que se aproxima é o fim, ou pelo menos a nítida diminuição, dos abortos clandestinos executados em condições inumanas.
É um argumento, relevante, a que todos somos sensíveis.

Se ganhar agora o "sim" diminuirá então o aborto ilegal?

Julgo que a acessibilidade aos estabelecimentos autorizados a efectuar o acto será determinante para responder a essa pergunta: nos públicos não será de esperar atendimento antes das, digamos, 72 semanas; nos privados manter-se-ão as limitações que já hoje existem, essencialmente económicas. Ou seja, os ganhos nesta matéria por força da aplicação de uma, eventual, nova lei não serão notórios. Se há, como dizem, milhares de abortos ilegais em Portugal, não serão os Hospitais Públicos ou o preço de uma viagem até Badajoz ou Lisboa que os farão diminuir consideravelmente.
Pode, até, esperar-se um acréscimo de interrupções da gravidez efectuadas em estabelecimentos não autorizados, vãos de escada, efectuados por "habilidosos" sem escrúpulos, já que a mãe não poderá ser censurada por intentar o aborto.
Pode, ainda, esperar-se um acréscimo de interrupções da gravidez efectuadas em estabelecimentos autorizados mas depois, ou muito depois, das 10 semanas, como efeito colateral provável numa sistema de saúde em que ninguém fiscaliza ninguém.

Assim sendo, na minha modesta opinião, se ganhar o "sim" no referendo o aborto ilegal pouco diminuirá e os dramas humanos que lhe estão associados persistirão.

Peliteiro,   às  00:20

Comentários:

 

Caro Boticário,

Concordo globalmente com a análise que faz. O sistema não está preparado para o Sim. Creio que toda a gente saberá disso, ministério e operadores da Saúde à cabeça. Daí os efeitos perniciosos que se aguardam. O médico de família que não sabe, ou não quer passar, o impresso X. O hospital que não tem camas ou só tem objectores de consciência. A clínica que ainda não tem a certeza se o Estado paga e como paga. Os riscos de iniciar o processo antes das dez semanas e chegar à "hora da verdade" já depois do prazo despenalizado. Etc. Algures, a sensação na candidata e/ou familiares de que, se tivessem optado ali pelo lado, ou andado uns quilómetros de carro, a coisa já estaria resolvida.

Só que isto são riscos inerentes à mudança. Com que haverá que contar. O Estado terá de se esforçar por eliminá-los. Sendo consistente com os resultados da consulta que se dispôs a fazer ao País. Pelo que a noção das dificuldades de implementação prática decorrente do Sim não podem ser condicionantes do sentido da escolha.

 

 

 

De acordo consigo e estou certo de que nada vai melhorar no aspecto de não haver mais abortos clandestinos. Eu já ouvi o Ministro da saúde dizer que nos hospitais públicos não haverá confidencialidade. E nestas coisas este aspecto deverá ser essencial. E onde haverá confidencialidade? Na clandestinidade ou fora do país.
# por Blogger Francisco Oliveira : segunda-feira, janeiro 22, 2007

 

 

 

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
# por Blogger jyromino : segunda-feira, janeiro 22, 2007

 

 

 

o tempo, as ESTÓRIAS do quotidiano.
Diz a Ana, 13 anos, esbelta e bela:
- Mãe, chegou uma carta do hospital, é para ires à consulta por causa do aborto de que estás à espera há 13 anos e mais uns mesitos!
# por Blogger jyromino : segunda-feira, janeiro 22, 2007

 

 

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