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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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domingo, 7 de maio de 2006

Responsabilidade 

Dizia-se há uma ano atrás que os preços dos medicamentos não sujeitos a receita médica, quando comercializados de uma forma livre - fora das Farmácias, em cenário de concorrência alargada, e sem fixação de preço - ficariam muito mais baratos, beneficiando assim , e muito, o "consumidor".

Hoje, pressente-se que não é bem assim. Pressente-se apenas, porque não há nenhuma avaliação independente, rigorosa, englobando as variações no tempo e na geografia.
A partir do Expresso pode-se construir a seguinte tabela com os preços, em euros, praticados para a venda da Aspirina:
Farmácia 1Farmácia 2CarefourContinenteCorte Inglés
2,952,953,582,993,10
Ora, há um ano atrás uma embalagem de Aspirinas, da Bayer, custava em todo o país 2,70 euros; o que representa um aumento de preços que pode ir até 33% !!

Este texto não se destina a discutir a variação de preços da Aspirina, um assunto menor, é apenas um exemplo de como as decisões políticas nunca são devidamente avaliadas e mesmo quando se suspeita que essas decisões foram erradas e tiveram efeitos contrários ao previsto / propagandeado, a responsabilidade política nunca é assumida ou penalizada.
Sobretudo em política, há uma sina muito nossa: a culpa morre sempre solteira.

Peliteiro,   às  22:58

Comentários:

 

Não Caro Mário Peliteiro, Não e Não. Desta vez cá estamos atentíssimos a conduzir um estudo que, ao fim de um ano - Setembro de 2006 - estará concluído e será divulgado logo que o relatório seja concluido. O Sr Ministro e o respectivo governo vão ter de se explicar perante os portugueses. Que ele governe para uma república de bananas, é lá com ele. Agora fazer de nós bananas juro-lhe que não faz.

 

 

 

A medida de venda fora das farmácias de MNSRM sempre me pareceu mais um acto de propaganda política do que uma medida capaz de propocionar ao consumidor maior acessibilidade e economia.

Claro que a medida é o que é e vale o que vale. Contudo, o folclore mediático a que, à sua volta, temos assistido é de uma lancinante parolice que nada de bom indicia.

Em contraste, o governo pôs as farmácias a arder em lume brando desde há um ano. E desta situação de "nem atar nem desatar" transparece uma governação pautada por intencionalidades não manifestas e ruidosos jogos de silêncio.

Começa a tornar-se perceptível que as farmácias constituiram um epifenómeno centralizador das atenções sobre a política do medicamento - o verdadeiro fenómeno - cuja agenda neo-liberal dificilmente passava sem um bode espiatório bem gordo e adequadamente anatemizado perante os portugueses.

Só que o governo não disparou apenas para as farmácias: disparou também, e de modo desajeitado, sobre uma profissão.

Mas mais: soltou alguns "gigantes adormecidos" que pensava conhecer na convicção de possuir as "boas receitas" para os controlar.

A prova está em que, após baixar em 6% o PVP dos medicamentos, baixar as margens de comercialização, eliminar majorações na comparticipação, fazer veto de gaveta a muitos processos de pedido de comparticipação (e que estranho é a indústria estar tão calada sobre esta matéria !) e descomparticipar muitos medicamentos, consegue ter uma taxa de crescimento positiva no ambulatório (se fosse essa a taxa de crescimento do PIB o Primeiro-Ministro já teria dado uma conferência de imprensa em Nova York), e a despesa hospitalar com medicamentos absolutamente descontrolada.

Se qualquer outro ministro da saúde tivesse, na área do medicamento, feito tanto e tão mal em tão pouco tempo, garantidamente que o ambiente político lhe seria muito adverso. O que, por ora, (estranhamente) não acontece.

Preocupa-me a política do medicamento: que está a seguir a que foi conduzida nas pescas e na agricultura, por exemplo.

Correia de Campos entregará aos portugueses, no final do seu exercício ministerial, um país mais dependente das multinacionais farmacêuticas, das multinacionais da distribuição grossista, com mais e mais graves inequidades no acesso aos medicamentos, com os cidadãos a assumirem mais encargos directos no custo dos medicamentos e com acrescidas dificuldades governamentais em produzir intervenções regulatórias.

Com cidadãos mais desorientados a correr e concorrer entre a "Lojas de Saúde (?)", farmácias de vão de escada e busca infrutífera de consultas médicas.

A terceiro-mundização da saúde em Portugal está em marcha, rotulada de modernidades de mercado, competitividade e eficiência.

Nada mal para socialista.
# por Anonymous Anónimo : segunda-feira, maio 08, 2006

 

 

 

- Eu tive um sonho, lindo, um mundo melhor, nunca visto.
- Eu tenho um sonho, aplicar as teorias do sonho.
- Explico-o aos alunos, é tema de dissertações, conferências inter-turmas, relatórios a condizer - não vá a nota descer.
- Agora eu posso e disparo a teoria do sonho. Que se lixem as teorias académicas se o sonho é muito mais bonito.
- Se a Aspirina é o melhor medicamento alguma vez inventado, se todos os dias lhe são atribuidas novas e mais importantes vantagens, porque razão o seu preço deve continuar mixeruca?
- Deixemos que a dita, como no sonho, esteja à mão do camionista, à mão do mercandista, e porque não à mão do cervejeiro?
- o meu sonho há-de ser sempre um bom sonho!
# por Blogger J.G. : segunda-feira, maio 08, 2006

 

 

 

A habilidade política está em ter conseguido calar o lobbye dos farmacêuticos. Assim, sem a expressão desta classe profissional e usando-a como cortina de fumo, o governo implementa uma estratégia de favorecimento da indústria multinacional do medicamento. É o deslumbramento perante os patricks deste mundo...
# por Anonymous Anónimo : terça-feira, maio 09, 2006

 

 

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