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sexta-feira, 2 de janeiro de 2004

Cordelinhos, mãos e cunhas 

O mundo evolui rapidamente, a sociedade, a tecnologia, os usos e costumes, mas por cá, há coisas que nunca mudam. Tudo na mesma como a lesma.
Temos que mexer os cordelinhos, untar as mãos ou meter umas cunhas se queremos que os assuntos realmente andem, se resolvam, tenham um fim, não fiquem empatados...
A técnica é sempre a mesma, baseia-se na impaciência, na ansiedade ou na necessidade de quem precisa que algo se resolva. Um processo, um projecto, um deferimento pode penar durante meses no fundo da gaveta de quem detém o poder de decidir ou de despachar. E chega um momento em que quem precisa, se vê obrigado a implorar ou pagar, ou os dois, para que a "coisa ande e desande".

No "Público" Local de hoje li uma notícia que me irritou profundamente: "EDP completou a auto-estrada da energia do Alto Minho", "Electricidade chegou apenas esta semana às brandas de Bosgalinhas, Gorbelas e Junqueira, os últimos lugares do distrito de Viana do Castelo a aceder à luz pública".

Mentira!

Comprei, há mais ou menos dois anos, umas ruínas de uma casa de montanha, numa aldeia isolada e inabitada - Vilarinho de Perdizes - no cimo de um dos montes da serra do Gerês.
O sítio ideal para escrever as minhas memórias.
Andei de "maço pa cabaço" com o projecto, exigências, limitações, área protegida, zona ecológica, pedra da região, telha de não sei o quê, madeira de não sei bem onde. Muito bem, acho bem, desde que não seja a única "vítima".
O projecto lá foi aprovado na Câmara de Terras do Bouro e de imediato requeri um contador de água e de energia eléctrica para começar as obras.
Isto em Fevereiro de 2003!
Adjudiquei a obra, e lá entram os pedreiros... precisamos de energia para o martelo eléctrico. Vêm os trolhas e... a betoneira é eléctrica.
O que diz a EDP? Não diz nada! Quem diz é o electricista, que a potência do ramal que passa na aldeia não dá nem para um berbequim quanto mais para um martelo eléctrico, não dá nem para uma fritadeira quanto mais para uma betoneira...
Ora, isso cheira-me a acréscimo de custos, não? Claro, temos que alugar um gerador a gasóleo...
Vou reclamar outra vez, isto não pode ser.
E assim foi andando a obra. Os marceneiros precisam de luz, senão têm que abandonar a obra às 16H !
Enfim, a casa ficou pronta, agora, no fim de 2003.
Está bonitinha e acolhedora. Simpática.
Mas continua sem energia, logo sem água - nem quente nem fria - sem frigorífico, nem TV, nem aquecimento, nem luz. Ou seja, óptima para fazer campismo.
O mesmo para a dos meus, entretanto, vizinhos que ali investiram.
Por acaso não investi com intenção de a alugar, fazer turismo rural, não pedi subsídios, nem empréstimos e não tenho a pressão do retorno do investimento.

A EDP nunca se dignou a dar-me qualquer informação, nunca sequer respondeu ao meu requerimento. Nada! Silêncio absoluto! Não existo!
Da última vez que enviei uma reclamação ligaram-me, muito simpáticos, da gestão de clientes, uma menina muito agradável, tipo "daqui fala a Marta", e lá contei a história, pela milionésima vez: olhe que queria lá fazer a passagen de ano; sem dúvida, ainda falta muito tempo, vou resolver já este problema....

Será que terei a honra de ter uma casa na última aldeia do país a ser electrificada?

Peliteiro,   às  23:25

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