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Lápis de cor, um blog escrito por um ilustre Gulbenkian PhD Student nos EUA, mas concidadão do Régio, achou estranho que os blogueiros ligados às ciências da saúde não tivessem comentado uma
notícia publicada no "Público" de terça-feira e que tinha como título:
"Responsável da Glaxo diz que medicamentos não funcionam na maior parte dos doentes".
Por acaso passei os olhos nessa notícia, só na quarta-feira, e quando li o mail do "Lápis" ainda guardei o jornal, mas o meu filho mais novo, entretanto, atirou-o para a lareira.
Então cá vão os meus comentários:
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Não dou atenção a notícias de cariz técnico em meios de comunicação generalistas.
São quase sempre adulteradas ou superficiais. Baralho-me. Os meus ficheiros de memória ficam desindexados e acabo por perder informação. Tenho as minhas fontes "bíblicas" e são elas que me guiam.
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Um vice-presidente de um império farmacêutico quando presta declarações públicas tem sempre em mente o capital dos accionistas.
Por isso este tipo de notícias são sempre tendenciosas, e neste caso para "Inglês ver". O vice-presidente da divisão de genética do grupo farmacêutico GlaxoSmithKline forçosamente teria que desvalorizar as terapias convencionais (julgo que foi aquele teste de ADN que foi proíbido nos EUA). Todos sabemos - já ouço dizer isso desde o tempo da faculdade - que o futuro das terapias passa pela genética; mas gostava mais de ouvir o CEO da Glaxo a anunciar que a companhia estava a investir fortemente no tratamento e na vacinação do SIDA ou da malária.
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Em Portugal são comercializados, (mais grave) comparticipados e (mais grave ainda) largamente prescritos medicamentos de eficácia mais que duvidosa.
Isto para qualquer tipo de genoma! Isso, medicamentos que não servem para nada, a não ser como placebo. Verdade! Ou seja, não é preciso vir para aqui com grandes avanços terapêuticos para se descobrir que há muitos medicamentos de baixa eficácia.
E isto acontece porquê?
~ Porque os médicos percebem pouco de medicamentos, estudam pouco, agem muito numa base empírica e deixam-se embalar pelas cantigas mal ensaiadas da propaganda dos laboratórios (não, não estou a falar de corrupção!). Preferem ter um arsenal terapêutico variado e poderoso a ter uma cartucheira bem arrumada e muito bem conhecida; e depois matam moscas com basucas e caçam elefantes com chumbadas.
~ Porque o estado é incompetente, como sempre. Durante anos foram atribuídas A.I.M. e comparticipações a tudo e mais alguma coisa que se apresentasse sob a forma de um dossier bem lindinho, com muitos números, gráficos e citações em revistas. Por acaso, agora, tem vindo a ser descomparticipados alguns monos e algumas falsas estrelas. E deixem-me ser corporativista, foram dois Farmacêuticos, enquanto presidentes do Infarmed que começaram a varrer a "tralhada": o Dr. Aranda da Silva mandou seleccionar os medicamentos candidatos à exclusão, ainda no tempo socialista; e o Dr. Rui Ivo está, neste momento, gradualmente, a executar a "limpeza". Mas há ainda muito trabalho a fazer, a lista de medicamentos comercializados, ou pelo menos comparticipados, bem podia ser reduzida a um terço. Mas isto é um país rico e a indústria farmacêutica é influente, as farmácias podiam ir á falência e os médicos recusam-se a obedecer a protocolos terapêuticos.
Resumindo, caro amigo Lápis de cor, de facto só "passei os olhos" pela notícia, só a li com alguma atenção hoje, on-line, e continua a não me despertar grande interesse porque antes de irmos todos a Marte devíamos conhecer bem a nossa Terra.