Enquanto estava a ver o "O Resgate do Soldado Ryan" fui-me entretendo a pesquisar sobre a palavra peliteiro.
Peliteiro vem do latim
pellis e quer dizer: aquele que trabalha a pele, prepara e vende peles (eu só trato e cuido de peles). Era uma profissão muito comum na idade média. Alexandre Herculano, n'O Monge de Cister (se não me falha a memória) fala dos peliteiros de Lisboa e do seu brasão que era um gato de botas. Em espanhol diz-se peleteiro e em francês pelletier.
Peliteiro é um nome de família muito raro, em Portugal; não lhe sei a origem nem a história, mas é provável que a profissão tenha dado origem ao nome. Os poucos membros que conheço são todos primos ou primos dos meus primos e moram sempre entre o Ave e o Minho.

O mesmo não acontece em Espanha, especialmente na Galiza, e mesmo em França onde existe uma associação
de famílias Pelletier- um dos membros mais ilustres eu já conhecia dos livros de farmacologia e farmacognosia e de ter visto uma sua estátua na Farmácia da Sorbonne, é um colega boticário,
Pierre-Joseph Pelletier,que em 1820 com o seu assistente Caventou, isolou e preparou uma nova droga, o Quinino, que salvou milhões de pessoas que sofriam de malária, até ao aparecimento da resoquina; também isolou a estricnina que embora inicialmente fosse usada como medicamento (cardiotónico me parece), depressa foi adaptada para outros fins.
Além disso, na pesquisa, encontrei uma cantiga religiosa, editada em baixo, e uma referência ao meu nome, imagine-se, a falar do Viagra ao jornal Expresso ( os motores de busca da net são muito injustos, eu, um homem de ciência, conselheiro da NATO e da CIA para questões relacionadas com guerra biológica, biotoxinas, Antrax, Aspergiloses, etc; consultor da L'Oreal, especialista em fórmulas tópicas com botox; e de vários gigantes farmacêuticos em várias áreas das ciências farmacêuticas, apareço apenas a falar, de Viagra!!! )
Com' é o mund' avondado
Como un peliteiro, que non guardava as festas de Santa Maria,
começou a lavrar no seu dia de março, e travessou-sse-lle a agulla
na garganta que a non podia deitar;
e foi a Santa Maria de Terena e foi logo guarido.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões,
assi é Santa Maria de graças e de perdões.
Ca sse Deus soffr' ao demo que polos nossos pecados
nos dé coitas e doores e traballos e coidados,
logo quer que por sa Madre sejan todos perdõados
por creenças, por jajus, por rogos, por orações.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
Poren direi un miragre que fez por un peliteiro
que morava na fronteira en un castelo guerreiro
que Burgos éste chamado, e demais está fronteiro
de Xerez de Badallouce, u soen andar ladrões.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
E en aqueste castelo o peliteiro morava,
que da Madre de Deus santa nunca as festas guardava,
e pola festa de Março, u el sas peles lavrava,
e do mal que ll' end' avo, por Deus, oyde, varões:
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
Ca u meteu a agulla na boqu' e enderençando
as peles pera lavra-las, non catou al senon quando
a trociu, e na garganta se lle foi atravessando;
ca os que o demo serven an del taes galardões.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
E daquesta guisa seve muitos dias que deita-la
per nulla ren non podia nen outrossi traspassa-la;
demais inchou-ll' a garganta, assi que perdeu a fala,
e tornou-ll' o rosto negro muito mais que os carvões.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
E pois el parou [y] mentes e viu que assi morria,
e fisica que fezesse nulla prol non lle fazia,
mandou-sse levar tan toste dereit' a Santa Maria
de Terena, prometendo- lle sas offertas e dões.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
E quando foi na eigreja, ant' o altar o deitaron
e log' a Santa Maria muito por ele rogaron;
e el chorand' e gemendo dormeceu, e non cataron
senon quando ll' a agulla sayu sen grandes mixões
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
Que fezesse por saca-la; ca u jazia dormindo,
a Virgen mui groriosa lla fez deitar, e tossindo,
envolta en ha peça de carn'. E esto oyndo
as gentes que y estavan deron grandes beições
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...
Aa beita Reynna, que en ceo e en terra
acorre aos coitados e perdõa a quen ll' erra,
e pera aver mercee nunca a ssa porta serra,
e que os guarda do dem' e de sas maas tentações.
Com' é o mund' avondado de maes e d' ocajões...