Impressões de um Boticário de Província
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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde Maio de 2003


Terça-feira, 17 de Junho de 2003

Um dos acontecimentos históricos que mais me intriga é a manutenção de vastos territórios, em localizações longínquas e dispersas, por longos períodos de tempo, pelos Portugueses.

Não é a descoberta e a conquista. Se considerarmos os traços de personalidade de um povo, como relativamente imutáveis através dos tempos, não me surpreende que em dado momento, os Portugueses, perseguindo um objectivo, se tivessem agigantado e conseguissem superar tudo e todos. Percebo, portanto, a existência de grandes figuras, percebo que os Lusos tivessem dominado a tecnologia mais avançada, a arte militar e marítima numa época histórica determinada.

Agora, o que é tão misterioso como a construção da pirâmides egípcias, ou das estátuas da ilha de Páscoa, é como conseguiram conservar esses domínios por largos séculos. Mais ainda, acredito que se não fosse a descolonização cobarde feita nos idos de 75 (como é bom ter um blog que ninguém lê e poder chamar traidor ao Mário Soares, ao Almeida Santos, ao Vasco Gonçalves e a esses pulhas desonestos todos, sem ter que ser politicamente correcto) e se se fizesse um referendo, que desse realmente a possibilidade da autodeterminação aos povos das nossas “ex-colónias”, a hipótese de integração numa região autónoma Portuguesa não seria concerteza das menos votadas.

Bem queria eu que a explicação fosse um tónico para os nossos sentimentos nacionalistas, principalmente agora que tudo corre mal, tudo é depressivo, as más notícias surgem em catadupa e o comissário Fischler quer reduzir a nossa ZEE de 200 para 12 milhas. Porém só me ocorre um mecanismo, certamente simplista, mas que consiste na facilidade que os Portugueses tem para se aculturarem e para promoverem a mestiçagem. Os colonos Portugueses serão os únicos a aceitarem como iguais e legítimos os seus filhos mestiços; estes mantém a fidelidade à metrópole, mantendo os mesmos direitos de um cidadão nascido no Minho ou nas Beiras. É um fenómeno multiplicador, que gera a massa humana suficiente para suster todas as tentativas de usurpação do domínio lusitano. É o Império da mestiçagem, com expressão no Brasil, em Timor, Goa, Cabo Verde, e em muitas outras paragens longínquas.

E é uma bonita explicação.

Peliteiro,   às  00:49

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