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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Isto é o que acontece quando as farmácias são impedidas de administrar vacinas da gripe 

Apenas 49,9% de cobertura entre os idosos portugueses

Recorde-se que o objectivo da DGS é vacinar 75% da população com mais de 65 anos.

Sabemos bem que a concorrência incomoda. Agora ficamos cada vez mais com a certeza de que "sem as farmácias, Portugal nunca atingirá as metas que em boa hora se propôs alcançar".

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Azrael,   às  13:33
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segunda-feira, 10 de março de 2014

A vacina da gripe e o abutre sinistro 

Muito bom o artigo de Paulo Duarte no Público:

«Arnaldo Sampaio, um dos fundadores das políticas de Saúde Pública, alertava, nos anos 50, para o risco de encararmos a gripe como uma doença “benigna”, desleixo do qual só podem advir consequências “perniciosas”.
...
A gripe ataca todos os anos, em média, setecentos mil a um milhão de portugueses.
...
Em 2012, o actual director-geral da Saúde foi à Assembleia da República lutar pela inclusão urgente da vacina da gripe no Plano Nacional de Vacinação. Francisco George anunciou o objectivo de vacinar 75% da população com mais de 65 anos. Portugal ficou alinhando pelas melhores práticas preconizadas pela OMS e a União Europeia. A Directiva 2009/1019/EU estende o objectivo a 75% dos doentes crónicos e outros grupos de risco, como grávidas e crianças.

No passado mês de Janeiro, a UE publicou resultados. Só a Holanda e o Reino Unido atingiram o objectivo de vacinar três quartos da população com mais de 65 anos. Portugal está a caminho, embora com percalços. No ano passado registou uma cobertura vacinal de 43,4%, 10% abaixo da conseguida quatro anos antes. Entre os doentes crónicos, só cinco países monitorizaram a taxa de cobertura vacinal e Portugal está entre eles, mas com um mau resultado (31%).
...
Em Portugal, os centros de saúde administram vacinas gratuitamente aos utentes dos grupos de risco. A maioria desses centros, contudo, só vacina duas manhãs ou uma tarde por semana, nuns casos com marcação prévia, noutros por ordem de chegada. O Estado, apesar disso, optou por adquirir por concurso público todas as vacinas que calculou necessárias, restringindo a quota da indústria farmacêutica disponível para as farmácias. A intenção era boa, mas funcionou ao contrário. Pela primeira vez houve rupturas de disponibilidade.
...
O objectivo é vacinar a tempo todos os doentes de risco ou mudou para vacinar menos, mas num serviço público? As farmácias vacinam de imediato e com os mesmos padrões de segurança. O facto é que muitos cidadãos em risco vacinam-se se for na sua farmácia, nos centros de saúde não estão para isso. Sem as farmácias, Portugal nunca atingirá as metas que em boa hora se propôs alcançar.»

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Peliteiro,   às  13:53
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O mistério das vacinas da gripe 

Durante anos e anos os programas de vacinação gripal decorreram sem quaisquer problemas e com ampla cobertura . Depois, não se entende bem porquê, logo após a compra de 6 milhões de vacinas da gripe A e a sequente renegociação de 2 milhões, o Estado começou a dizer que a vacina da gripe sazonal seria gratuita para grupos de risco e que seria distribuída através dos Centros de Saúde, gratuitamente.
Como seria de esperar, sempre que o Estado interfere, sobretudo despejando gratuitidade em cima dos problemas, instalou-se o caos. Farmácias atendem doentes aos gritos vociferando pelas vacinas a que estavam acostumados e os Centros de Saúde - uns sim, outros não, uns mais outros menos, desorganização completa - não servem os doentes, nem eventualmente asseguram as boas condições de conservação do ciclo do medicamento e, claro, ainda não atingiu os objectivos de vacinação contra a gripe da Comissão Europeia.

As insuficientes quotas de importação de vacinas, que já foram excessivas, explicarão tudo?

Entretanto, face ao caos, uma botica, seguramente querendo fazer "o jeito" a uns doentes, compra umas vacinas na vizinha Espanha e faz manchetes nos jornais e telejornais, com o uso de expressões como fraude.

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Peliteiro,   às  22:16
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domingo, 17 de novembro de 2013

A concorrência incomoda 

A concorrência em Portugal nunca é bem aceite, incomoda, sobretudo quando dá oportunidade a que as pessoas, os clientes, escolham livremente os melhores, os mais competentes, os mais baratos. Só no que respeita a vacinas, por estes dias, dois incomodados com a concorrência, Enf.º Germano Couto e Dr. Francisco George*:

«Enfermeiros contra cuidados prestados por farmacêuticos» - como se para administrar um injectável fosse preciso um doutoramento e como se a evidência dos milhares de vacinas e outros medicamentos administrados em farmácias, há muitos anos, demonstrasse efeitos adversos significativos.

«Os idosos deveriam ter sido encaminhados para os centros de saúde, onde a vacina é gratuita. Só que pagaram a dose, cerca de 4 € com comparticipação e 3 € pela administração na farmácia» - Como se os idosos fossem todos dementes e preferissem pagar por uma vacina (o preço pela administração na farmácia não será completamente correcto porque muitas farmácias até o fazem gratuitamente) quando a podiam ter de graça nos centros de saúde.

Quais serão as razões para as pessoas preferirem as farmácias aos centros de enfermagem privados ou centros de saúde públicos? Eu adianto algumas: competência e atenção ao doente. Confiança.



* O Dr. Francisco George faz acusações graves às farmácias num assunto importante para a saúde pública e que por isso devem ser investigadas e devem ser tomadas as devidas consequências, seja para as Farmácias, seja para o Dr. George.
Fica por perceber ainda porque foi radicalmente alterado o sistema de distribuição de vacinas da gripe às populações, quando funcionava bem e sem haver registo de problemas. Se querem gratuitidade para determinados grupos porque não as comparticipam a 100% nas farmácias? É estranho...

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Peliteiro,   às  19:04
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Nacionalização do circuito das vacinas 

Não seria a primeira vez que o Estado faz asneira da grossa no que diz respeito à compra de vacinas da gripe. Desta vez o Ministério da Saúde vai distribuir as vacinas da gripe através dos Centros de Saúde, gratuitamente, para os maiores de 65 anos - ou seja, para a maioria da população a vacinar. Arredam-se as farmácias do seu papel natural e nacionaliza-se o circuito de distribuição de vacinas - mais uma medida socializante de um Governo dito liberal.


Algumas dúvidas se levantam: Em tempos de crise, quanto custa esta operação? E qual o benefício pretendido (sabendo que a distribuição gratuita para o doente também poderia ser assegurada pelas farmácias)? Há condições nas estruturas do Estado - nomeadamente de manutenção do circuito de frio e de controlo farmacêutico - para uma distribuição com os padrões de qualidade minimamente necessários? Todas as marcas de vacinas da gripe são dispensadas nos Centros de Saúde ou só uma é a "eleita"? Porque dispensa receita médica este novo modelo de vacinação?

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Peliteiro,   às  16:34
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Como transformar um erro clamoroso numa benesse maravilhosa 

Vacina da gripe sazonal será gratuita até 2012 para grupos de risco.

Vejamos como a propaganda socialista consegue transformar um erro clamoroso numa benesse maravilhosa: o ministério da saúde compra uma quantidade de vacinas para a gripe dos porcos que se veio a revelar largamente excessivo, compra sem qualquer salvaguarda contratual, às cegas, como nenhuma entidade privada faria; agora, aflito, sem poder negocial, "negoceia" vacinas para a gripe sazonal que dão para 3 anos e, numa operação de cosmética fantástica, revela a façanha como o apogeu do Estado social, da gratuitidade da saúde e da caridadezinha.

A verdade é esta, em letras miudinhas na comunicação social:
«Os 6 milhões de vacinas revelaram-se excessivos e, por isso, este ano entrámos em negociação com a empresa para conseguir optimizar o investimento realizado.
2 milhões de vacinas da gripe A foram assim “alvo” de negociação. 1 milhão foi substituído pelas 330 mil unidades da vacina trivalente, que serão recebidas em 3 anos consecutivos (990 mil unidades ao todo). O outro 1 milhão ainda se encontra em negociação.»

Três notas finais:
1 - Como estará o também "excessivo" stock de Tamiflu comprado por Correia de Campos em 2005? 2,5 milhões de doses a 27,5(?) euros! Já expirou o prazo de validade? Quanto custou ao país? Porque não se fala disto?
2 - O que dirá a briosa Autoridade da Concorrência deste negócio para 3 anos - sem concurso! - com a GlaxoSmithKline?
3 - Ana Jorge, Ministra da Saúde, no papel a que se prestou hoje ao divulgar a sua caridadezinha salazarenta não vos faz lembrar muito a senhora desta música?

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Peliteiro,   às  23:46
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Vate 

Nem era para ligar o PC - mais uma vez parabéns Leonardo, a festa esteve excelente - mas lendo esta notícia não resisto a deixar um comentário.

Isto está sempre a acontecer. Há coisas que me cheiram a esturro a quilómetros distância. Provavelmente cheiram a mim e a muitos outros menos atentos - só que eu tenho evidências de que previ a ocorrência, coisas que escrevi aqui.

««É com muito prazer que Portugal regressa à produção de vacinas», afirmou o ministro da Saúde, Correia de Campos, na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento que vai permitir à Medinfar produzir vacinas anti-gripais já a partir do próximo ano.» Janeiro de 2006

JMSPeliteiro dixit: Não acredito minimamente na conversa de Correia de Campos... Parece propaganda barata... posso estar a ser do contra mas a mim não me convence; espero estar errado... O que é certo é que tenho muitas dúvidas que nos próximos anos, em Condeixa, se consigam produzir vacinas...

«A farmacêutica Medinfar recuou na construção da primeira unidade de produção de vacinas antigripais em Portugal, projectada para Condeixa-a-Nova e que deveria estar concluída em 2008, disse ontem aos jornalistas o ministro da Saúde, Correia de Campos.» Hoje, Dezembro de 2007.

Eu é que sou o mau? Eu é que sou o trengo? Ora, ora, pensam que somos todos lorpas...

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Peliteiro,   às  23:50
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terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Temos que estar preparados ! 

A farmacêutica Medinfar vai construir nos próximos 20 meses uma nova unidade fabril para produzir vacinas anti-gripais e, caso venha a ser necessário, vacinas específicas contra a gripe das aves. Tudo a partir do último trimestre de 2007.

Já uma vez aqui escrevi que Portugal tem dos melhores Farmacêuticos do mundo e, portanto, devia aproveitar essa vantagem competitiva abraçando projectos de alcance internacional.

No entanto, esta notícia das vacinas da gripe, que hoje os meios de comunicação não se cansaram de propalar, não me soa bem. Intuição informada talvez; não consigo listar na perfeição as razões do meu cepticismo, mas não me soa muito bem.
Consigo apenas catalogar, resumidamente, duas razões, intimamente ligados aos meus mais profundos e antipáticos memes:

i - Não acredito minimamente na conversa de Correia de Campos - confesso o preconceito. Hoje, a propósito deste assunto pareceu-me especialmente panfletária: «É com muito prazer que Portugal regressa à produção de vacinas; é estratégico; é relevante do ponto de vista de saúde pública; o mercado não consigue responder às necessidades de abastecimento da chamada gripe sazonal...». Parece propaganda barata - admito que não gosto nem confio no Ministro - tentando convencer-nos que tudo vai bem, que somos um país empreendedor, inovador, que somos auto-suficientes... Hummm, posso estar a ser do contra mas a mim não me convence; espero estar errado.

ii - A economia, o rolar do dinheiro, não se faz depender de subsídios, de incentivos, de planos tecnológicos, de desejos governamentais nem de anseios populares. E o facto é que a Medinfar, e as ditas start-up envolvidas, ao que julgo saber, no plano da experiência e da capacidade de produção de medicamentos a nível internacional é zero; então quando se fala de vacinas é menos que zero; e quando se fala de vacinas em fase de I&D é menos infinito... Talvez seja pessimista. O que é certo é que tenho muitas dúvidas que nos próximos anos, em Condeixa, se consigam produzir vacinas para o H5N1 em quantidade, qualidade e preço capaz de competir, por exemplo com a GlaxoSmithKline (mais de 16.000 colaboradores a investigar e desenvolver e mais de 100 fábricas em todo o mundo). Devo estar a ser derrotista. Mas que querem, não acredito no poder de subsídios como motor dos fluxos económicos, nem de Estado misturado com o privado.

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Peliteiro,   às  23:32
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terça-feira, 4 de novembro de 2003

Os meios de comunicação social andam para aí a dizer que as Farmácias não têm vacinas da gripe.
Mentira. As boas Farmácias têm muitas vacinas e nunca deixaram de as ter.
Claro que não todas as marcas. Seria impraticável, nem um armário frigorífico conteria tanta quantidade.
E os doentes andam, aflitos, a calcorrear as farmácias todas da cidade até encontrarem a marca que o seu médico receitou.
Mas porque é que os médicos receitam uma marca e tem que ser aquela e não abdicam da sua escolha?
Uma questão de confiança na marca?
Mas as vacinas têm que cumprir as especificações - já nem digo do Infarmed - da Organização Mundial de Saúde!
Estamos a falar de ciência ou de fé?

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Peliteiro,   às  23:52
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