Anteontem tinha prometido não voltar ao tema das Farmácias.
Continuo a pensar que tudo isto não passa de uma campanha política que há pouco tempo caracterizei aqui como sendo ao estilo "au au": os políticos pegam num osso, os jornalistas atiram-no e nós, os cachorrinhos amestrados, vamos buscar o pau, com latidos de satisfação e abanar a caudinha, au au...
Não é de facto por causa dos políticos que me envolvi nesta discussão de tolinhos e que me levou a escrever sobre ela tantas vezes - e hoje de novo!
Mas a verdade é que esta questão me irritou. E é isto que queria explicar, sem segundas intenções, e sem mandato de ninguém.
São três as ordens de razões, do mais geral para o mais particular:
a) Acredito que a venda dos MNSRM em hipermercados, gasolineiras, tascos, mercearias, é má para os Portugueses. Os Ingleses e os Americanos é que estão errados - não nós! Por razões de saúde pública, pela banalização dos medicamentos, porque os benefícios não superam os potenciais prejuízos. Acredito também que o regime da propriedade e da instalação - um dos temas que surge por arrasto - está correcto tal como está (embora seja imperioso abrir concurso para muitas mais Farmácias - não se admite estar de serviço uma só Farmácia ao fim de semana na Póvoa seja Inverno ou seja Verão - e obrigá-las a abrir por um período mais longo de tempo. Já discorri sobre estes assuntos inúmeras vezes aqui e não é altura de repetir toda uma argumentação.
Admito que esteja errado ou tenha uma perspectiva deformada. Mas são convicções, e convicções defendem-se.
b) Acredito que estas medidas avulsas e mal planeadas serão um rude golpe para a profissão Farmacêutica. Uma classe que ao longo do tempo vem participando cada vez mais na promoção da saúde em Portugal - seja pela excelente rede de distribuição construída, seja pela notória melhoria dos serviços farmacêuticos propriamente ditos, ou pela intervenção na educação das populações em saúde e na profilaxia da doença, ou ainda pelos programas desenvolvidos (seringas, diabéticos, valormed, metadona, hipertensão...) - vê agora desbaratado este meticuloso trabalho e remetido para um qualquer sector de uma mercearia ou quiosque.
Não é uma questão de vaidade. Entenda-se antes como uma severa perda de dignidade profissional. Sou Farmacêutico e considero essa situação degradante, revoltante.
c) Acredito que a maior parte dos Portugueses - pelo menos ao que se lê - é favorável ao estripamento em praça pública da classe Farmacêutica. Lobistas, monopolistas, sugam o dinheiro do povo... Nunca imaginei que tivéssemos uma imagem tão má, tão execrável. Culpa nossa, seguramente!
E nisto, erradamente talvez, vejo uma ingratidão que pessoalizo, erradamente talvez, já que ao longo de alguns anos de exercício tantas vezes procurei ajudar tantos. Mesmo na perspectiva económica, muitas vezes recusei vendas, muitas vezes desaconselhei compras. Tenho a consciência de que - sem querer ser piegas que não sou nada dessas coisas - ajudei muitas pessoas, aconselhei-as o melhor que sabia e podia, trabalhei para elas e agora descubro que, afinal, elas me viam como um vampiro, sempre com o intuito de lhes sugar mais umas moedas.
E pronto, já desabafei, já me sinto melhor, para isto é que serve um blogue - melhor ficaria se esmurrasse as ventas a alguns blogadores e comentadores de blogues mas isto passa.
Aqui estou, de peito feito e cara pronta a ser esmurrda caso o mereça. Em relação à chamada liberalização do MIDRM concordo que é uma medida pouco consensula e toma de modo avulso e desenquadrado. E parece ter sido pouco pensada... o caso da "pilula do dia seguinte" ainda vai dar mts dores de cabeça. A mim não me revolta nada que exista paracetamol ou hidróxido de aluminio à venda nos hiper. Toda a gente os etm a disposiçã na sua farmácia caseira que vai constituindo com sobras de receitas e compras avulso em framácias...
ResponderEliminar... o que é importante é o grau de cultura e informação de saúde que existe na população, e em Portugal é mt baixo: provavelmente menos de 5% das pessoas é capaz de ler e entender 1 bula. Esta politica existe em paises onde essa cultura é elevada e é por isso que ocorrem os agora tão propalados riscos: os igleses suicidam-se com paracetamol pq sabem que tomando 12 comprimidos dessa pilula inocente isso pode mesmo acontecer e sabem qie se tomaram 20 do perigoso Valium apenas ficam a dormir umas horas. O risco não existe só pq estão á venda em supermercados...
ResponderEliminar... e por outro lado ambos sabemos que em... digamos 50% das farmácias o garu de informação adequada ao utente é péssimo. E já agora: quais as habilitações exigidas a um ajudante de farmácia? (q é que, invaraivelmente dá essa informação). Como e quando e por quem é que é , regularmente, avaliado da sua competência?
ResponderEliminar... por último: a propriedade das farmácias. Aí não têm razão nenhuma: misturar dono de negócio com direcção técnica é promíscuo. A clara separação das águas é sempre desejável!
ResponderEliminarPS: desculpem a troca de letras, sou disléxico...
Já vi que tenho aqui informação que me interessa para ler.
ResponderEliminarVoltarei com mais vagar. Entretanto deixo um abraço, amigo Sá, e o desejo de um bom fim de semana.
ps - o sistema de comentários do post acima revela "not found". Por isso, registei aqui a minha passagem.
A imagem dos farmacêuticos é boa.
ResponderEliminarTodavia isso nada tem a ver com o corporativismo quanto á abertura de farmácias nem quanto ao problema da propriedade delas.
São coisas diferentes.
No post acima, incomentável por erro técnico, gostei sobretudo da piperidina....
Querido Boticário:
ResponderEliminarGostaria muito de ler o seu blog com a devida atenção.
Mas a coluna excessivamente larga, faz-me lembrar pela sua ilegibilidade o Diário de Notícias de outrora (na largura, esse era colunado)
Seria demais pedir que arranjasse outro template? Assim com uma lauda mais estreitinha?
Beijos e continue a escrever, pois fá-lo bem. Sobre farmácias há muito a dizer.
Beijos.
T