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terça-feira, 27 de março de 2012

Pela limitação da propriedade de farmácia

Os "investidores" são uma consequência imediata da socialista liberalização da propriedade de farmácia, em 2007. Em favor dessa liberalização muitos argumentaram não ser lógico esperar que os proprietários não farmacêuticos fossem mais honestos ou mais éticos que os farmacêuticos.
Pois não será, mas agora, passados 5 anos, dêem-me uma única vantagem trazida pelo novo regime de liberalização. Uma.
Os jornais tem apresentado muitas desvantagens, por exemplo esta:



28 comentários:

  1. PS- Os armazenistas andam mesmo a dormir na forma.

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  2. Também a constante queda dos preços deu para acentuar as trafulhices.

    Mas creio que o problema apareceu de outro lado.

    As farmácias eram e ainda continuam na sua grande parte a ser, negócios familiares. Ora a saúde das farmácias era do interesse das próprias famílias e não de alguém que vinha de "fora" com o sentimento de máximo lucro possível.

    Claro que posso estar enganado.

    No entanto a formação farmacêutica nas faculdades e o constante apelo ao serviço para o utente também poderão minimizar a ganância das pessoas, neste caso farmacêuticos.

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  3. «Também a constante queda dos preços deu para acentuar as trafulhices.»

    Aí usa-se o argumento: Então acha que ganhar menos induz a roubar mais?
    Eu, que ganho pouco, acho isso insultuoso!

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  4. Caso não fosse um cidadao em pleno das minhas capacidades, tanto nos direitos, como nos deveres, hoje estaria a rir como um perdido. Eu e mais quantos companheiros da luta pela indivisibilidade da propriedade e direção técnica da farmácia, onde se inclui o Jorge Peliteiro, o Paulo Aguiar, a Piedade, a Narcisa, a Isabel Apolinario, o Pedro Amaro e tantos outros que não caberiam neste espaço. Também os grandes amigos da causa, Profs. Mario Frota e Pinho Brojo, este ultimo já falecido.
    Infelizmente o povo portugues só sabe aquilo que é fácil de entender ou aquilo que dá jeito saber. Caso contrario perceberia que associar a direção tecnica à propriedade, garante uma melhor qualidade na prestação de cuidados farmaceuticos, mas não menos importante, garante que a atividade profissional não pode resvalar para o inadmissivel do ponto de vista etico, como é o caso presente. Caso isto tivesse acontecido(muito pouco provavel) com a direção tecnica, o epilogo seria deixarem de exercer a profissão, que ninguem arrisca, como é obvio.
    É verdade que o Estado, atraves de decisores populistas e por consequencia irresponsaveis, tambem promove a fraude ao colocar produtos gratuitos à disposição de grupos de cidadaos, que sem controlo da sua utilização, permite que pessoas sem escrupulos(de todas as profissoes e estratos sociais, diga-se)os usem fraudulentamente.

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  5. Pacífico. Hoje, com proprietários não farmacêuticos, "pintam-se" 14 carros de luxo a meia dúzia de palonços; antigamente, com proprietários farmacêuticos, xulava-se o estado e milhares de doentes. É lícito.

    Por mais que apregoe os seus argumentos racionais...

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  6. De acordo, no essencial com os comentadores anteriores, nomeadamente Who Cares, Peliteiro e Carlos F.
    Quanto ao "Palonço", imediatamente acima, será que quis dizer que se forem proprietários farmacêuticos a "chular" o Estado é lícito; se forem proprietários não farmacêuticos é tudo "pintado" ?
    Um Palonço com muita "pinta", pelo vernáculo...

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  7. Percebeu mal onde queria chegar caro Peliteiro.

    Não estava a associar a quantidade de ganhos a trafulhices.

    Estava a associar a perda de rentabilidade a trafulhices. À que manter um certo nível socioeconómico que foi alcançado e quem tem pouca ética é compelido a fazê-lo quando tem perda de rendimento. Entram numa situação em que pouco têm a perder.


    Claro que não estou a generalizar, isto são casos pontuais, felizmente.

    Mas também é verdade desde que liberalizaram a propriedade de farmácia que passou a acorrer actos pouco éticos e morais regularmente.

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  8. Conversa... os actos pouco
    eticos já existiam antes. Podem continuar a tapar o sol com a peneira, mas falsas propriedades já existiam antes, usando o mesmo esquema dos testas de ferro. E também isto só acontece porque existem farmacêuticos que não se importam em participar em trafulhices. Onde anda a Ordem quando é preciso aplicar os dinheiros das quotas?

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  9. Meus caros, o tipo por detrás disto é FARMACÊUTICO! Antes da liberalização já coisas semelhantes sucediam...

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  10. Meus caros, o tipo por detrás disto é FARMACÊUTICO! Antes da liberalização já coisas semelhantes sucediam... A trafulhice sempre abundou no sector da farmácia, e muito provavelmente por serem os tais "negócios familiares" que os caríssimos tanto amam.

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  11. Sr. Carlos F.

    "associar a direção tecnica à propriedade, garante uma melhor qualidade na prestação de cuidados farmaceuticos" - não, não garante.
    Pelos estudos que existem (e que já aqui coloquei), esta associação só tem uma vantagem: com farmácias mais pequenas e mais próximas, cria-se uma sensação de maior proximidade com a população e é por isso mais respeitada do que a opção "farmácia de supermercado". De resto, é uma opção menos eficiente. Para a pessoa que visita a pequena farmácia do bairro, pouco importa que o dono seja ou não farmacêutico, desde que seja atendida com qualidade.
    Falando em qualidade, seria importante não confundir as coisas. Esta depende muito da política do proprietário, e tendo em conta que a larga maioria das farmácias ainda pertencem a farmacêuticos, se realmente isso fosse verdade, seria uma coisa que nem se discutia. O facto de se discutir revela por si só que a qualidade pode não ser tão boa como se pensa.

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  12. Tudo isto tem um remédio: Liberalização de instalação.

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  13. Fraudes destas não eram noticiadas antes da liberalização, portanto atirarem isso para o ar a ver se pega é Wishful thinking.

    Pode colocar aqui outras vez esses seus estudos para ver a credibilidade dos argumentos, GreenMan?

    Do resto dos comentários continua-se a perceber que o tal anónimo, estagiário (Que vai variando consoante quer) não é farmacêutico. Está bastante patente nas suas palavras.

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  14. E só para farmacêuticos, é escusado dizer.

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  15. Por acaso até já sou farmacêutico, ó WhoCares, apesar de ainda assinar Estagiário. Mas lá por ser não tenho de razar na mesma capelinha que vossa excelência.

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  16. Em relação à propriedade de farmácia:

    Almarsdottir AB, Morgall JM, Bjornsdottir I. A question of emphasis: efficiency or equality in the provision of pharmaceuticals. Int J Health Plann Manage. 2000 Apr-Jun;15(2):149-61.

    LLUCH, M. 2009. Are regulations of community pharmacies in Europe questioning our pro-competitive policies? Eurohealth, 15, 3.

    LLUCH, M. & KANAVOS, P. 2010. Impact of regulation of Community Pharmacies on efficiency, access and equity. Evidence from the UK and Spain. Health Policy, 95, 245-54.

    MORGALL, J. M. & ALMARSDOTTIR, A. B. 1999. No struggle, no strength: how pharmacists lost their monopoly. Soc Sci Med, 48, 1247-58.

    A discussão anda sempre em torno da eficiência/equidade de acesso/qualidade do serviço. E claro do poder que se perde quando um monopólio profissional é derrubado.
    Temo que se tenha andado a perder tempo desde há uns bons 20 anos com esta discussão, quando se calhar importava mais discutir como é que se faz a transição para um modelo baseado na remuneração por serviços. Isto assumindo que é isso que queremos do nosso futuro, e não apenas ser vendedores de produtos de saúde diversos.

    Sobre isto da remuneração dos serviços encontrei este artigo:

    Hong SH, Spadaro D, West D, Tak SH.2005. Patient valuation of pharmacist services for self care with OTC medications.J Clin Pharm Ther. 2005 Jun;30(3):193-9.

    Citando: "Grocery drug store (e.g.
    Kroger) patrons were most willing to pay (68,75%),
    closely followed by chain drug store (e.g. Walgreens)
    patrons. Patrons of independent community
    pharmacy were ranked distant third (53,13%)."
    Feito nos Estados Unidos, onde sabemos como são as questões da propriedade, levanta uma pista interessante: aparentemente, os clientes de farmácias de cadeias estão mais disponíveis para pagar por serviços de aconselhamento do que os clientes de farmácias independentes.

    Devemos reflectir nisto ou é mais importante continuar a discutir o dr. Guerreiro e o seu iate, 14 carros de luxo e a manutenção de um certo status quo por parte de uma cada vez mais minoritária parte da profissão?

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  17. O problema está na posição de monopólio privado e não na diversificação da propriedade!
    Acho até que aquilo que tanto diz respeito à vida humana não deveria ser objecto de comércio... particular!

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  18. O greenman tanto leu que tresleu.
    Como os governos :estudos e maís estudos. Cada um para seu gosto.
    Concordo com a liberdade de instalação só para farmacêuticos.
    Depois, quem tem unhas toca guitarra!

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  19. GreenMan, gabo-lhe o esforço por utilizar argumentos cientificos mas olhe que são perolas para porcos.

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  20. As farmácias já não têm ponta por onde se pegue.
    A desregulação é total e as inspeções para inglês ver.
    Isto não vai lá com pérolas a porcos.
    Porca é a falta de ideias e de vontade.
    A Ordem e a ANF mergulharam em apatia e impotência.
    Faz falta uma revolução nas farmácias.

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  21. «GreenMan, gabo-lhe o esforço por utilizar argumentos cientificos mas olhe que são perolas para porcos.»

    Então eu sou um porco! ;)
    Estudos em ciências não exactas e pareceres de direito são para todos os gostos e dependem de quem pagar mais. (A AdC também pagou um estudo à Católica...). O que é certo é que a liberal CE reconheceu já - baseado noutros estudos, por certo - que a propriedade de farmácia pode ser mantida em exclusividade por farmacêuticos por razões de saúde pública em 2008* e em 2009**, «com o objectivo de "assegurar um fornecimento seguro e de qualidade de medicamentos à população".»

    De qualquer dos modos, julgo que as conversas não se centram na questão que pretendi abordar: Que balanço das vantagens para o país da liberalização da propriedade de farmácia, nestes 5 anos? Conhecem algum caso antes de 2007 da dimensão deste e daqueloutros que têm vindo a lume recentemente? Factos, se faz favor e não estudos de treta.

    _____________
    * http://www.peliteiro.com/2008/12/legtimo-que-s-os-farmacuticos-possam.html
    ** http://www.peliteiro.com/2009/05/propriedade-de-farmacia-pode-ser.html

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  22. Estou à procura do meu primeiro emprego, e das PARCAS propostas que existem para farmácia comunitária, eis o tipo de linguagem que, invariavelmente, surge:

    "Farmácia em Queluz (linha de Sintra), admite Farmacêutica(o), com experiência de Balcão, forte componente comercial, conhecimentos em Sifarma 2000 e com disponibilidade para rotação de horários, incluindo Sábados e Domingos.
    Valoriza-se experiência de Vendas em Farmácia. Disponibilidade Imediata (admissão até 15 de Março). Agradecemos resposta APENAS de Farmacêuticas/os com Experiência (Balcão/Vendas)"

    Já nem se fala em dispensar, aconselhar, prestar cuidados. É VENDER. Já antes da liberalização assim o era. Que tipo de formação esta gente?! Profissional de saúde OU vendedor? Decepcionante.

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  23. E quando antes da liberalização as farmácias eram propriedade de famílias de não farmacêuticos que utilizavam testas de ferro e a gestão danosa destas mesmas famílias levou farmácias às ruínas e o farmacêutico proprietário enterrado em dívidas de milhões?

    Infelizmente as ilegalidades escondidas sempre cá estiveram.

    Há uns anos tinha opinião contrária, mas agora defendo uma liberalização de abertura. Sinceramente, a farmácia comunitária em Portugal é uma anedota e a melhor decisão que tomei foi deixar de ser farmacêutico comunitário e empregar o meu know how numa área onde não sou desrespeitado.

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  24. Não achincalhemos as ciências sociais, que a Economia também é uma delas...

    Se tivesse lido o artigo de 2010, onde se compara o sistema do UK com Espanha, teria percebido que esse reconhecimento da CE já foi tido em conta. E em nenhum artigo se advoga que um sistema é melhor que o outro, apenas os comparam em termos de pontos fortes e fracos, vantagens e desvantagens. Quem decide que sistema quer são os políticos, e já percebemos que esta é uma área em que os interesses falam sempre muito alto.

    As vantagens da liberalização como foi feita não foram muitas, tirando o facto de ter baixado os preços dos MNSRM e ter permitido poupanças nas compras de medicamentos por grosso para aquelas farmácias que passaram a ter o mesmo proprietário. Poupanças que podiam ser em "géneros" ou descontos, que podiam chegar ao utente ou ficar no bolso do proprietário dependendo do nível de concorrência das farmácias da zona... No fundo, a principal vantagem que houve foi para os utentes, na possível diminuição suas facturas mensais. A mim, como cidadão, parece-me uma vantagem importante.
    Desvantagens também houve, desde ter feito disparar o preço das farmácias até ao facilitismo de casos como este.
    Outros há, como o caso daquele ajudante-técnico que era proprietário de farmácia antes de 2007 e tinha de recorrer ao mesmo esquema de contratar farmacêuticos como fachada, até que teve o filho a estudar numa privada. Mas claro, tudo rumores...que não passam de rumores até a PJ chegar ao fim dos casos, passando (ou não) a factos.
    Como casos destes escapam ao INFARMED e a outras autoridades durante anos, é que é uma coisa que nos devia preocupar.

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  25. "é aí que entra Bruno Lourenço, também constituído arguido e alvo de buscas. Nos últimos meses ele e um grupo de INVESTIDORES assumiram o controlo da maioria das farmácias, através de contratos de exploração."

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  26. O Dr. Peliteiro tem razão, quem anda a gerir os armazenistas???

    «As instalações de Lisboa e Porto da distribuidora Alliance Healthcare foram terça-feira alvo de buscas da PJ no âmbito da fraude que envolve farmácias»

    Que nabos!

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  27. A Alliance? Mas a ANF não tinha lá uma quota?

    Acho que toda a gente sabe quem anda a gerir os armazenistas, e pelos vistos, a PJ também.

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