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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde 2003


quinta-feira, 30 de março de 2006

Nexus 

Sabe bem acabar de trabalhar ainda de dia.


Peliteiro,   às  23:26
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Plexus 

Gestores lesam Estado em 1,2 milhões de euros
Dirigentes do sector receberem indevidamente remunerações e regalias... Persistem situações irregulares em 45 hospitais...

E assim vai o SNS!

Peliteiro,   às  23:09
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Presunção 

«Os livros da Margarida Rebelo Pinto não são literatura, são comércio.», disse ele do alto da sua sapiência.
Nunca li nada da MRP, mas já li alguns livros, talvez mais que o tal Abel que proferiu a frase do parágrafo anterior; e julgo que uma postura de superioridade assim é típica - nem sempre, claro - de falsos intelectuais, provavelmente de um ignorante que não sabe nada de nada e por isso julga que as suas verdades são verdades absolutas.
Ainda, sobre o mesmo assunto, faz-me impressão que a blogosfera, supostamente um movimento de livres e independentes, falem a uma só voz, como carneiros, desancando, sem uma única opinião dissonante. Tudo gente muito esperta e muito culta. Ela pelo menos é bonitinha.

Peliteiro,   às  23:06
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Já não tenho capacidades para tanto 

São precisas muitas capacidades, muita atenção, muita memória e inteligência para acompanhar a acção do Governo Sócrates. Senão não se consegue perceber o que é promessa, o que é projecto, estudo, intenção, proposta e o que é decisão e acção. Desisto, já não tenho capacidades para tanto!

Peliteiro,   às  23:06
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Farmácia Pague Menos 

Continuando a divulgação do material de benchamrking recolhido no último ano, e que espero nunca utilizar, eis as seguintes fotos:



(clicar para aumentar as fotos)

Peliteiro,   às  22:53
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quarta-feira, 29 de março de 2006

Farmácia Remédios 

Quando Sócrates e Correia de Campos prometeram esfrangalhar a Farmácia Portuguesa, de imediato, como mandam os manuais de gestão, iniciei um processo de adaptação, recorrendo sobretudo ao benchmarking em países com sistemas farmacêuticos arcaicos; estava disponível até para revelar fotografias como o colega do filme:


Peliteiro,   às  23:04
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Couves & Alforrecas 


Curiosamente e como já notei aqui o blogue de João Pedro George, o Esplanar, tem um template muito muito parecido com o que criei para o "Trenguices"...

Peliteiro,   às  22:48
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Canadá 



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Não que o Canadá não tenha razão nesta questão dos emigrantes ilegais. Mas as relações entre os países são como as entre as pessoas, flexíveis, tolerantes, por isso existe a diplomacia. Todos cometemos erros. Esperemos que Freitas do Amaral resolva a questão.

Peliteiro,   às  00:35
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terça-feira, 28 de março de 2006

Inquérito viciado 

Pelo Jocapoga soube do inquérito promovido no portal da Saúde (no fundo da página):

Havendo 68 centros de saúde com serviço de atendimento permanente com menos de dez utentes entre as 24 e as 8 horas, sendo que mais de metade tem menos de cinco visitas no mesmo período e custa ao erário público entre 30 a 40 milhões de euros anuais, que soluções preferiria?

  1. Manter a situação actual.

  2. Aproveitar as verbas para melhorar a acessibilidade e o atendimento.

  3. Utilizar as verbas poupadas na promoção da saúde.

Esqueceram-se, como de costume, de colocar uma 4ª hipótese, a de reduzir as despesas.

40 milhões de euros? Ora 40/68/365 dá, pelas minhas contas, 1611 euros por noite!!! Fiz mal as contas. Partindo do princípio que esses poucos doentes se não forem tratados nestes centros de saúde, serão noutros quaisquer, restam as despesas com pessoal, energia e pouco mais. Não pode ser 1611 euros! Digam-me que estou enganado...

Peliteiro,   às  23:35
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Vaidades 

Estou farto de dizer aos meus filhos, quanto mais um tipo se convence que é bom e empina o nariz, mais depressa tropeça, dá um trambolhom e quebra os pernis. É como nos blogues.
Foi o que aconteceu ao Barcelona esta noite, concretamente ao Ronaldinho; este talvez envaidecido pelo vídeo que o O Vilacondense lhe dedicou deixou-se enredar em rodriguinhos e não jogou nada; não conseguiram nem ganhar a uma equipa de segunda categoria como o Benfica.

PS- Por muito que me custe reconhecer, o SLB jogou bem.

Peliteiro,   às  22:45
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SLB 0; FCB 3


Peliteiro,   às  14:26
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segunda-feira, 27 de março de 2006

DECO 

Embirro com a DECO.
Já não é a primeira vez que o digo aqui. Tenho a impressão que ultrapassam em muito o papel de uma associação de defesa de consumidores, tenho a impressão que gostam de estar na crista da onda, que falam do que sabem e do que não sabem, influenciando mais do que deviam na decisão de compra de determinados produtos, prejudicando uns, beneficiando outros mesmo quando os critérios de compra são difíceis de definir e avaliar. Tem muitos advogados e claro, nós o povo, desconfiamos sempre dos advogados (espero que andem atarefados e não me venham aborrecer por estas curtas frases).

Ora hoje resolveram emitir uns palpites sobre investigação e produção de medicamentos. Palpites mal fundamentados mas que tiveram eco imediato nos meios de comunicação (nós o povo também desconfiamos de jornalistas). A indústria farmacêutica pode ter muitos defeitos (nós o povo também desconfiamos deles, dos delegados de propaganda médica que nos tiram a vez no centro de saúde e já agora, lateralizando um pouco, também desconfiamos dos médicos e dos farmacêuticos, é tudo a mesma gandulagem, ganham a vida com as nossas desgraças), dizia eu que a indústria tem muitos defeitos mas se há coisa que não os podemos acusar é de não serem exigentíssimos com os padrões de qualidade e segurança dos produtos que produzem; não há sector mais regulado que o das mezinhas, não há sector mais fiscalizado, mais normalizado, mais certificado, mais estudado.
Merecia a DECO uma resposta à altura, um vá mas é comparar ferros de burnir ou berbequins domésticos. Mereciam os doentes um desmentido tranquilizador, de quem de direito, talvez do Presidente do Infarmed (Ainda existe o Infarmed? Nunca mais se ouviu falar!). Mas não.
Sossego-vos eu, acreditem no que atrás escrevi sobre a eficácia, segurança e qualidade dos nossos medicamentos e não acreditem em tudo o que diz a DECO, são apenas opiniões, como as minhas ou as Vossas.

Peliteiro,   às  23:54
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Mirandela 

Posição reforçada de Trás-os-montes como destino turístico preferencial. Gente simpática e acolhedora, gastronomia excelente - desta vez na rota do azeite - e preços muito razoáveis.
Mais uma vez se recomenda.



Peliteiro,   às  23:47
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Atrasados 

A Comissão Europeia lançou esta segunda-feira um alerta sobre o crescente número de medicamentos falsos à venda na Internet


Em Portugal diz-se que se está a legislar no sentido de permitir a comercialização de medicamentos na www. Sempre atrasados!

Peliteiro,   às  23:41
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Simplex 2006 

«Governo apresenta 333 medidas de combate à burocracia»

Só o facto de as contarem, assim 333!, demonstra o espírito burocrático destes anti-burocratas. Fiquei tão cansado, enfadado, que nem acabei de ler a notícia...

Peliteiro,   às  23:37
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sexta-feira, 24 de março de 2006




Se Correia de Campos continuar no Ministério da Saúde por mais algum tempo será inevitável que este programa estreie com fulgor na TV Portuguesa.

O original, na Americana abc é uma espécie de reality show em que os concorrentes são doentes sem dinheiro para as cirurgias e sem seguros (como nós quando não tivermos SNS), dispostos a mostrar aos telespectadores as suas misérias, a cirurgia e, posteriormente, a convalescença e o milagre da cura.

Pensando bem, talvez pudesse até estrear já, na RTP, com sucesso; não faltaria gente farta de sofrer nas listas de espera, pronta a enfrentar o ecrã.

Peliteiro,   às  23:43
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Milionário 

Quando era uma criança julgava que milionário era aquele que tinha uma reserva de 1.000 contos.
Passados uns bons anos e bem vistas as coisas, tomando a média mundial, a definição continua certa!



Peliteiro,   às  23:32
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quinta-feira, 23 de março de 2006

Boatos? Coincidências? 


   

Grandes teorias da conspiração internacional correm por aí. Pesquisem AQUI em Tamiflu e Donald Rumsfeld...

Peliteiro,   às  23:32
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S.O.R. 

Aprendi na Faculdade, talvez ainda por influência dos Farmacêuticos Militares em comissão em África, e curiosamente nunca mais me esqueci, que numa situação de urgência e na ausência de meios, caso fosse necessário hidratar um doente, especialmente crianças em diarreia, se deveria usar a seguinte fórmula para obter uma solução isotónica rehidratante:

1 L de água + 3 colheres de sopa de açucar + 1 colher de chá de sal

Um conhecimento que sobreviveu por acaso, arrumado no baú das coisas inúteis da memória de um ocidental pançudo.

No entanto, infelizmente, o mundo é ainda muito miserável. Hoje, ano de 2006, a OMS e a Unicef publicam uma fórmula melhorada da solução oral rehidratante, anunciando que «Diarrhoea is currently the second leading cause of child deaths and kills 1.9 million young children every year, mostly from dehydration».

Deviam ter vergonha de viver num mundo assim, seus anafados, e em sinal de contrição memorizem a fórmula:


Peliteiro,   às  23:07
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O que faz um bom treinador de futebol? 

Não serve o texto de hoje para dissecar o jogo das meias-finais a que acabamos de assistir. Foi um bom jogo, gostei, o Porto ganhou, mas também poderia perfeitamente ter perdido sem que se me abrisse a boca de espanto, foi um jogo equilibrado, entre as duas melhores equipas do campeonato.
Não gosto do treinador do FCP, não é não gostar, será antes julgar que não é a pessoa certa no lugar certo.
Serve então esta frase como intróito para o tema propriamente dito. Porque valorizo nela o papel do treinador como figura central no rendimento de uma equipa.
Ora, o treinador do Sporting, Paulo Bento, não se pode dizer que seja um treinador, digamos, profissional. Não é pejorativa esta afirmação, pelo contrário, simpatizo com o jovem Português e os factos não mentem: uma equipa bem organizada, um campeonato excelente e o jogo de hoje muito bem disputado. Como é isto então possível, sabendo que paulo Bento é - temos que admitir que sim! - um estagiário, um iniciado, não tem experiência, nem teoria, nem currículo para assumir a direcção da prestigiada equipa dos Leões (nem como adjunto, sequer!).
Este é um mistério que tenho acompanhado desde que Bento foi chamado a treinar a equipa principal. Inicialmente expliquei o seu sucesso pela sorte dos principiantes e pela sua ligação estreita com os ex-colegas de equipa. Mas agora já lá vão muitos jogos e o homem aguenta-se; como um Leão. Quem seguisse os seus últimos jogos sem o preconceito de o saber novato, julgaria estar na presença de um técnico maduro e altamente credenciado.
Quanto tempo demora a fazer um bom treinador? Pelos vistos pouco.
A experiência de uma carreira e o domínio da teoria do jogo são fundamentais? Pelos vistos não?
Será efémero este sucesso?
Será assim tão importante a figura do treinador?
Se me nomeassem a mim treinador Nacional levaria também eu Portugal à vitória do mundial?

Peliteiro,   às  00:26
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quarta-feira, 22 de março de 2006

Microcausa 

A minha microcausa preferida, o esterco canino em espaços públicos, tem cada vez mais aderentes.
A ler o «Vigilantes, uni-vos na guerra à bosta!» no 100nada

Peliteiro,   às  19:37
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terça-feira, 21 de março de 2006

OPA 


Então esta semana não há nenhuma OPA?
Isso é muito mau para a moral dos Portugueses. Já não somos nada sem a animação de um OPA.
Eu, se fosse financeiro, sabia bem onde haveria de lançar uma OPA. Vejam o vídeo...



Peliteiro,   às  14:07
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segunda-feira, 20 de março de 2006

Liberdade, igualdade, fraternidade ? 



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Peliteiro,   às  23:51
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Nanocontos 

Morte súbita




Gostava especialmente da Primavera. Da natureza explodindo, das flores, dos pássaros, do domínio do verde, das manhãs resplandecentes, do calor suave.
Um dia apaixonou-se em plena Primavera.
Passearam imenso pelas aldeias do vale, gozando a paisagem, de moto, sentindo o vento inebriante, o cheiro a terra, as cores deslizando muito rápido, cada vez mais rápido, numa mistura impressionista, multicolor, de cada um dos lados da estrada preta.
Despistaram-se e morreram ambos.





Era um jovem pujante, bonito, longos cabelos cor de mel ondulados, parecia uma personagem mítica, um Deus Grego. Tinha uma ânsia de viver impressionante, uma voracidade de vida, um fulgor que o destacava entre todos.
Sempre no limite, mais longe, melhor.
Dizia, muitas vezes, em jeito de brincadeira que haveria de morrer jovem, invencível e glorioso. Uma vaidade que não chocava, nele saía natural, nada pretensioso, antes divertido.
Tinha uma atracção enorme por desportos violentos, arriscados, perigosos. Tinha a mania das apostas ? e ganhava sempre.
Um dia perdeu. Morreu jovem mas não invencível nem glorioso.





Ele era diabético. Picava a ponta de um dos dedos, todos os dias de manhã. Ele era, também, analista clínico. Trabalhava todo o dia com sangue e nem sempre era cuidadoso ou usava luvas.
Acabou por se contaminar, adoecer e morrer.





Morava sozinha há anos, numa casa do fim da aldeia. O seu único contacto com o mundo era a Missa de Domingo; penosamente, arrastava-se, bem se podia dizer que se arrastava, tal a dificuldade em andar por aqueles caminhos de cabras, lentamente. Nunca deixava de ir, sol ou chuva, doente ou muito doente, mês após mês, ano após ano, num tempo que nunca acaba. A aldeia tinha cada vez menos gente, rumavam todos para a grande cidade do fácil. Finalmente deixou de se realizar a Missa, o Padre também abalou.
Ainda a viram mais umas quantas vezes, de longe a longe avistavam-na, ao longe, nos dias soalheiros.
Morreu e ninguém deu conta.





Curiosamente, paradoxalmente não tinha medo de andar de avião. Quando a aeronave se fazia à pista, cintos apertados, um silêncio e um nervosinho miúdo instalava-se entre os passageiros; ele não, ficava descontraído como nunca e espantava-se por que deveria ter medo, como os outros, e não tinha, nenhum. Por outro lado, até numa varanda de 1º andar sentia vertigens e um medo incontrolado; sentia horrores nos elevadores, nas janelas, nos monumentos, nos montes? Sonhava constantemente com quedas, com abismos. Só se sentia bem no raso, no rente, no plano, ao nível do mar.
Curiosamente, numa pescaria de alto-mar, o cordame enroscou-se-lhe nas pernas e levou-o até bem ao fundo do mar.





Bem sabia que a sua vida não era propriamente um esmero; sempre teve uma vida dissoluta, bebia imenso, fumava como uma chaminé, era de excessos, em tudo, alimentava-se mal, dormia pouco, sem horários, ele próprio o sabia. Já não tinha emenda, costumava dizer que só gostava do que fazia mal, fazia até uma certa encenação neste particular, um culto de imagem.
Nem tinha 40 anos quando morreu com um cancro. Do pâncreas disse-se; ou seria do pulmão?


Peliteiro,   às  23:14
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domingo, 19 de março de 2006

Enoteca 

«A ideia surgiu quando Renata Lopes e Carolina Menezes, duas amigas economistas que trabalharam muitos anos na área financeira de uma multinacional, decidiram dar um novo rumo às suas vidas: abriram uma loja gourmet.»

Este é uma texto habitual na leitura de muitas das nossas revistas, onde se dá conta de um fenómeno agora frequente, quadros de empresas abandonam uma carreira aparentemente promissora e montam um pequeno negócio, longe do bulício e do stress dos gabinetes. Lindas histórias.

A verdade, muitas vezes, não é bem esta. Talvez fosse melhor, em abono da verdade nua e crua, modificar o texto para esta forma:

«A ideia surgiu quando as duas amigas foram sumariamente "encostadas" lá na multinacional, substituídas por duas colegas bem mais novas, e tiveram que dar um novo rumo às suas vidas: abriram uma mercearia de bairro, não se pode dizer que seja um sonho de infância, mas é a vida...»

Esta sim é a realidade para cada vez mais quadros superiores Portugueses. Estudaram, fizeram mestrados e pós-graduações, trabalharam com afinco nas empresas, suaram, esforçaram-se e quando se supunha estarem na plenitude das suas carreiras... vão para a rua!
Numa economia débil e pouco evoluída o conhecimento e a experiência não são um valor imprescindível, o que interessa é que alguém execute bem e barato. O que as empresas, hoje, cá, procuram é licenciado não totalmente inexperientes e não completamente experientes; não recém-licenciados, não para o primeiro emprego, mas também não maduros ou experientes ou, sequer, pensantes, reivindicativos e, sobretudo, bem pagos; qualquer coisa como entre os 30 e os 35 anos.

Pessimista? Não; é o que mais se vê! Meus caros amigos trintões e quarentões com empregos jeitosos (sim, eu sei que o chefe é um sacana, um incompetente, e que desempenhariam muito melhor a função que ele), segurem bem o Vosso emprego, não se metam em grandes hipotecas, e não se esqueçam desta máxima: há sempre alguém disposto a ficar com o seu emprego, trabalhando o dobro e ganhando metade.

Estou a ser exagerado? Olhe, prefere uma padaria, uma mercearia ou um tasco? Um tasco é boa ideia, pode sempre chamar-lhe wine bar ou enoteca...

Peliteiro,   às  23:23
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sábado, 18 de março de 2006

Premonição / Pretensão 

Todos sabem como sou pessimista em relação ao futuro próximo do país. A retoma, ou lá o que possa ser isso, nunca virá antes da próxima década. E se:



Peliteiro,   às  11:35
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sexta-feira, 17 de março de 2006

Siglas Poveiras 



Salvem as siglas poveiras, diz o Pedro do Póvoa 2010, que avança com uma proposta que me parece merecer atenção: alterar todas as placas da cidade para que estas incluam siglas.

Blogues da Póvoa, vamos lá divulgar este património tão esquecido.

Peliteiro,   às  00:07
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quinta-feira, 16 de março de 2006

ADN na Via Láctea? 



Imitando os jornais, o título tem pouco a ver com a notícia, coloca-se uma fotografia entre o título e o texto, e lá está o Governo Sócrates embrulhado de maneira a parecer bem - puro engano!
Não, não foram encontradas moléculas de ADN no espaço, nem sequer, muito menos, o código genético do universo, apenas uma nebulosa com a forma de espiral em dupla hélice, como o nosso ADN. Fantástico! Apenas foi apenas uma força de expressão, já que tal nunca antes foi visto, como bem se pode ler aqui, na UCLA. Serão as forças magnéticas no centro da galáxia as responsáveis pela aberrante forma desta nebulosa. Nada que me perturbe o sono ou vá modificar a minha vida amanhã - é como as OPAs, não aquece nem arrefece o comum dos indígenas, ou há uns tempos atrás a OTA, esta arrefece mas já fado nosso - mas dá-nos uma sensação de avanço, de dinâmica, faz-nos sentir num tempo de progresso, em evolução permanente...

Peliteiro,   às  23:45
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Depende da perspectiva... 

No seguimento de uma animada troca de comentários, no Eu vi, sobre restaurantes de peixe e mariscos na Póvoa, recebi agora uma contra-opinião, via e-mail, com argumentos, no mínimo desconcertantes, desafiando os critérios de escolha tradicionais.
Dizia a mensagem que o melhor de todos era ESTE. Fiquei a conhecer um tipo de festas que nunca tinha imaginado existisse, mas que pensando bem, nos dias que correm deve ter uma grande adesão: as festas de divórcio. São opiniões...

Peliteiro,   às  23:25
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terça-feira, 14 de março de 2006

? 

Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vai privatizar, através de parcerias público-privadas, a maioria dos serviços da unidade.

A gestão do Santa Maria apenas se ocupará do core business, ou seja, consultas, cirurgias e cuidados continuados.
Todos os restantes serviços, como análises clínicas, radiografias e a gestão e manutenção das infra- estruturas serão contratadas com empresas privadas exteriores ao hospital.
De acordo com a mesma fonte, as mudanças permitirão à unidade hospitalar poupar cerca de 53 milhões de euros a partir de 2008.


Depois de emitir sinais preocupantes de instabilidade para os privados convencionados do SNS - consubstanciadas no exemplo do Hospital Pedro Hispano, onde os doentes perderam a liberdade de escolha do serviço, sendo obrigados a realizar os exames complementares somente na unidade - decide agora o Ministério privatizar serviços. Uma medida desgarrada, inesperada, desinserida de uma estratégia, de uma corrente. Um desnorte.

Como investir em Saúde, se todos os dias o vento muda? A não ser que se saiba antecipadamente para que lado mudará ele...

Peliteiro,   às  23:49
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segunda-feira, 13 de março de 2006

1 ano 

Como facto comemorativo do 1º ano de Governo Sácrates, pautado por uma ininterrupta cortina de fumo mantida pelo seu Ministro da Saúde, transcrevo a seguinte notícia, com matéria que de facto importa aos Portugueses:

«As listas de espera continuam, não param de crescer e neste momento são cerca de 240 mil os utentes que aguardam por cirurgia. O tempo médio de espera é de oito meses, mas, para 34 por cento dos utentes, passa mais de um ano até serem chamados. E, em 11 por cento dos casos, a espera é de mais de dois anos.»

Peliteiro,   às  23:22
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Provas nacionais de admissão para Professores 

Sou adepto de exames nacionais. Pode não ser um sistema perfeito de aferição de competências, mas é seguramente o melhor e o mais justo. Defendo exames nacionais no 4º ano, no 9º, na admissão à Universidade, na admissão às Ordens profissionais, a cargos da função pública, incluindo, claro, o pessoal docente.

Já agora, particularizando e fugindo para o tema do costume, também nas Farmácias sempre defendi que os concursos para instalação de novo eram ridículos, indignos, estabelecendo critérios absurdos, como anos de residência, anos de serviço e, até, em caso de empate, a juventude! O único critério com lógica era um exame de aptidão, Nacional, teórico e prático muito rigoroso e exigente.

Ora, os sindicatos, o principal motor do desprestígio da classe, desta e doutras, naturalmente estão contra; por outro lado os professores dos professores mais tarde ou mais cedo também contestarão esta medida, considerando-a não uma oportunidade mas uma ingerência na sua sagrada autonomia e capacidade de formar*; o Governo, ainda, como de costume, recuará inevitavelmente.

A verdade é muitas vezes dolorosa. O desnível entre as Faculdades, pelo que me apercebo, é imenso, as médias de fim de curso têm sido sistematicamente empoladas e a qualidade dos cursos superiores tem-se deteriorado. O resultado é comum a muitas outras áreas: profissionais competentes misturados com colegas impreparados, mérito não reconhecido, salários iguais para trabalhos diferentes, efeitos desta mistura completamente desconhecidos e descontrolados.

Provas nacionais de admissão para Professores? Agora não, é inoportuno, talvez daqui a uns anos...


* Alguém conhece o ranking dos cursos de Direito na admissão ao CEJ? Já alguém, com responsabilidades, analisou estes dados?

Peliteiro,   às  22:37
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Domingo à tarde 

Tarde de Domingo solarenga, primaveril, aceitei um convite de um amigo para ir ao futebol, ver o Varzim. Mesmo morando ao lado do Estádio não é habitual, melhor seria dizer é raro, muito raro, passar umas horas a ver um jogo. Já foi tempo, quando era criança ia muitas vezes com o meu pai, recordo - não sei bem porquê, talvez porque os tremoços lá eram muito bons - com especial agrado o campo do Riopele e as aventuras que idealizei, com bonequinhos, de plástico nas bancadas de pedra.
Hoje senti-me um pouco transportado para esses tempos, em que fazia parte do fim-de-semana ir ao futebol, famílias inteiras, um passatempo generalizado, rádio no ouvido a ouvir o "relato", ambiente de romaria, algodão doce e pipocas.
No Varzim ainda se vê muito desse mundo que já não se usa, casais aperaltados, ele com a gravata que não usa à semana, ela bem arranjada, penteado de cabeleireira, rapazolas em bando, irrequietos, pendurados pelas grades. Na Póvoa as mulheres gostam de futebol, gritam muito, cantam, assobiam, sabem os nomes dos jogadores e, também, aqueles nomes dos árbitros.
Ganhámos por 3 a 1, ao Portimonense, numa partida com um nível muito razoável, alguns amadorismos pelo meio, colorindo o espectáculo, algumas picardias, muitos amarelos, relvado bem cuidado, mas com as bancadas mal preenchidas, muitos lugares desocupados. Já ninguém vai ao futebol ao Domingo.
Mesmo num Domingo solarengo, primaveril, num estádio com vista para o mar, com bilhetes baratos, já ninguém vai ao futebol ao Domingo. Tempos novos, hábitos novos.

Sendo assim, vivendo o futebol de televisões e de receitas "extraordinárias", seria de esperar, como tendência, a redução do número de Estádios - seria lógico que, por exemplo, o Varzim partilhasse um estádio com o Rio Ave ou o Famalicão, clubites metidas no saco pela força do "tem que ser" - ou a transformação dos estádios em espaços multiusos, comerciais, com cinemas, jardins, rentáveis todos os dias da semana - e nisso o do Varzim, pela localização, seria um luxo, imbatível, sem concorrência. Não é isso que acontece, pelo menos por cá. Diz-se que o futebol é como uma religião, está para além da compreensão racional, seja nas quatro linhas, seja nos meandros que o rodeiam; deve ser verdade.

Peliteiro,   às  00:10
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sábado, 11 de março de 2006

11M 


Peliteiro,   às  00:55
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sexta-feira, 10 de março de 2006

Forbes 

Tudo é relativo meu caro Belmiro; em terra de cego quem tem um olho é rei, é o seu caso. Entusiasmado com os resultados da sua Sonae e sabendo que tinha saído a lista Forbes das maiores fortunas fui espreitar o seu poderio.
Uma lástima! Aparece, apenas, na 6ª página da Europa, abaixo de um, para mim desconhecido, Islandês, Bjorgolfur Thor Bjorgolfsson. Portugal não tem nem ricos a sério!

Peliteiro,   às  23:15
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648 milhões 

Sonae termina "ano extraordinário" com resultado líquido de 648 milhões !

Peliteiro,   às  23:14
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Peliteiro,   às  23:13
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quinta-feira, 9 de março de 2006

Aníbal, o tutor 

Esperemos que Cavaco Silva seja um Presidente interventivo. Bem precisamos dele e disso.

Esperemos também que não coloque os interesses do seu partido acima de tudo, como fez o seu antecessor, o ..., já nem me lembro do nome, apenas do cognome, o "oco".

Esperemos que a rapaziada do Governo - sim rapaziada, que aquilo são um bando de néscios, apardalados, taralhoucos, mas armados ao pingarelho -, dizia eu, esperemos que aquela trupe que nos governa acate as suas orientações, escute com atenção os seus conselhos, aproveite a figura de tutor que os eleitores lhes ofereceram.

Peliteiro,   às  22:44
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quarta-feira, 8 de março de 2006

Amuo 

Como o SLB ganhou, fiquei sem vontade de escrever o que quer que seja. Até amanhã.

Peliteiro,   às  23:05
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Fennia 

Habituado às festas da cantina B, em Coimbra, e às noites das riscas do D. Pedro, na Póvoa, foi com espanto e admiração que tomei contacto com a movida do sul de Espanha, lá pela longínqua década de oitenta. Recordo-me perfeitamente de andar noites e noites de boca aberta, patego, e queixo caído com aquela animação, aquelas luzes, aquelas músicas, tantas beldades estonteantes, roupagens diferentes, audazes, gente exótica, copos meios cheios abandonados - quando nós bebíamos até ao último trago para não desperdiçar nada -, tantos bares e discotecas de portas abertas, sem cartões de consumo mínimo obrigatório, ruas a abarrotar de gente alegre, animada, atraente, de conversa fácil, enfim, senti-me deslumbrado - nos meus vinte anos pouco cosmopolitas - com a diferença, abismal, entre o cinzento que conhecia e o colorido da animação daquilo que se me deparava naquele novo e fantástico mundo.

Em conversa com um gestor Português com experiência empresarial no Brasil foi-me dito que o insucesso da grande maioria dos investimentos em terras de Vera Cruz se devia à profunda diferença de mentalidades e atitudes que havia entre Portugueses e Brasileiros, diferença essa com consequências agravadas por uma língua comum que transmitia uma ideia falsa, completamente falsa, de similaridade e proximidade; uma armadilha fatal. E enunciava-me o elenco das empresas que tentaram a sorte da internacionalização, incluindo o plutocrata Belmiro, e que rotundamente falharam os seus objectivos.

Sócrates descobriu a Finlândia e a Nokia, escolheu-os como modelo a seguir por Portugal, pegou nas malas e foi ver in loco a quintessência da inovação, da educação e da tecnologia. De boca aberta, patego, e queixo caído, ele que ao que dizem nunca conseguiu entender sequer o cálculo de derivadas, ficou deslumbrado com tanto desenvolvimento, com tanta organização e tanta eficiência. Aposto que imitando o Mourinho rabiscou inúmeros apontamentos, parece que estou mesmo a vê-lo, com ideias a seguir por cá - esta para o Ministro da Educação, esta para o Pinho, esta para o da Justiça - levando-se muito a sério, o grande timoneiro da Nação, ciente de que rapidamente Portugal estará ao lado, será um gémeo da Finlândia. Como se grandes convergências fossem possíveis entre Portugueses e Finlândia; não porque sejamos inferiores, ou superiores, apenas porque somos diferentes. Um benchmarking entre países tão diferentes nunca poderá ter bons resultados. Mas isso Sócrates não é capaz de discernir, não tem categoria para isso, assenta-lhe melhor o papel de visitar, embevecido, lojas de saúde do Modelo Continente...

Peliteiro,   às  00:06
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terça-feira, 7 de março de 2006

Taxas mordedoras 

Mais um imposto que se agrava, em 23%, suportando o desgoverno continuado das políticas de Saúde, incapaz de travar a despesa, adoptando a estratégia mais fácil e cobarde: atacar pelo lado das receitas financiando-se através dos do costume.

Três breves comentários:

i - Não há uma rede de cuidados primários minimamente eficaz ou que mereça a confiança dos doentes que seja capaz de obstar ao recurso das urgências hospitalares.

ii - Os doentes não deixarão de aceder às urgências dos hospitais porque não são médicos - é sabido que os próprios médicos diagnosticam mal em causa própria - e portanto não distinguem, nem têm que distinguir, a gravidade dos seus sintomas. Se, ou quando, as taxas moderadoras se tornarem barreiras - inconstitucionais - ao acesso dos cuidados de saúde os prejuízos para o doente e até para o próprio SNS serão muito superiores aos ganhos esperados.

iii - Esta medida, como todas as que temos assistido na acção governativa, é benéfica essencialmente para a Saúde privada. Ao aproximar os preços do público aos preços da privada, quem ganha clientela, massa crítica, economias de escala, são os investimentos milionários dos grupos económicos, garantindo assim um mais rápido retorno à custa da carteira de cada um de nós.

Peliteiro,   às  14:23
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