O futuro de Portugal passa pelo Turismo.
Mas que turismo?
Vejamos o caso da Póvoa de Varzim enquanto cidade turística.
De estância balnear importante, até meados do século XX, frequentada pelas classes mais privilegiadas, foi-se transformando numa praia cada vez mais popular, até ser conquistada pelas massas. Em simultâneo a construção explodiu, desordenada, desfigurando para sempre a cidade e a zona à beira-mar.
Entretanto, os decisores procuraram, atabalhoadamente, purgar um tipo de clientela turística a que chamaram de pé-descalço, numeroso mas supostamente pouco atractivo economicamente, e tentaram captar novos mercados, turistas em menor quantidade mas com maior poder de aquisição e de criação de riqueza. Surge daí a cidade da «Cultura e do Lazer», e outros pregões, que se revelaram bonitos e talvez bem intencionados mas rotundos fracassos.
Agora há menos, muito menos, turistas de baixo valor e há os mesmos poucos de médio e alto valor. Rejeitar clientes sem conseguir substituí-los por outros é, em qualquer actividade, um mau negócio.
Isso é bom para a qualidade de vida dos habitantes da cidade: menos forasteiros é mais tranquilidade! O que não se pode dizer é que se aproveitam as potencialidades turísticas da cidade como meio de progresso económico, criador de emprego, de riqueza e de impostos.
Sejamos objectivos e claros:
Portugal não tem condições para competir no mercado turístico como um destino de gama alta.
As nossas praias não são propriamente tropicais, as águas não são cálidas, as brisas são ventanias, as areias não são finas, brancas e limpas, o Verão não dura 8 meses? Por outro lado, as nossas cidades não são propriamente um modelo urbanístico, as nossas estradas e outras infra-estruturas não são um primor, faltam profissionais de hotelaria e restauração competentes e bem formados, etc, etc. Generalizando, obviamente; haverá oásis esparsos mas não são a regra.
O futuro de Portugal passa pelo Turismo mas não pelo de cinco estrelas; será antes pelo de três estrelas, um turismo popular, não necessariamente rasca, mas composto por quem não quer ou não pode pagar destinos de topo.
Enquanto não encararmos isto sem pruridos narcísico-nacionalistas o futuro de Portugal não passará, de facto, pelo Turismo. Se avaliarmos com cuidado as vantagens e desvantagens competitivas chegaremos a esta conclusão. E isto não é necessariamente mau ou indigno.
Voltando à Póvoa como exemplo. Qual será preferível, ter as praias a Norte da cidade pejadas de casas-abarracadas, vielas esburacadas, esgotos a céu aberto, ou ter um complexo turístico bem ordenado e planeado, adaptado a uma clientela imensa, nacional e estrangeira.
Há que decidir, alto, médio, baixo, nada, os mercados não costumam esperar por tolos em cima da ponte.