Impressões de um Boticário de Província
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Amanita muscaria

Impressões de um Boticário de Província

Desde Maio de 2003

Terça-feira, 31 de Maio de 2005

Sampaio apela ao patriotismo 

Um Governo, uma maioria, um Governador do Banco de Portugal, um Presidente da República...
Subitamente todos descobrem a grave situação das contas públicas. Mentirosos! Vendem a própria alma para ganharem umas eleições.

Sampaio, em tempos, disse-nos que havia vida depois da morte, agora, diz-nos:
Pategos, dai a outra face, sejam patriotas e não estrebuchem.

Mário de Sá Peliteiro,   às  13:40
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Domingo, 29 de Maio de 2005

Sim ou Não? 

Sim ou não à constituição Europeia?

Confesso que é um tema em que sou completamente ignorante. Nunca li a dita Constituição. O tema não me tem despertado muito interesse, ou melhor, não tem despertado nenhum interesse.

Todavia, se entretanto concluir que o tratado Europeu contribui para a perda de influência dos políticos Portugueses e para a perda de soberania de Portugal, eu votarei Sim.
(Esta é mesmo muito pouco politicamente correcta...)

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:35
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Final da Taça de Portugal, no campo de treinos do Benfica: SLB 1 - VFC 2


Sou simpatizante do Vitória de Setúbal desde pequenino.

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:31
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2005

6,83479502789 % 

Sobre o défice, que todos falam agora, não se me oferece dizer nada.
Estou farto disto tudo.
A melhor análise que vi, foi do PCP:
Esgotadas as receitas extraordinárias, só restam as «ordinárias», isto é, indo directamente ao bolso dos trabalhadores e da população...

Portanto, antes que suba o IVA, o imposto sobre o álcool e os combustíveis, vou consumir.

Volto para a semana.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:56
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O estado da nação: 

O volume de negócios da Cofidis aumentou 64% em 2004

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:34
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Terça-feira, 24 de Maio de 2005

Mar da Póvoa


Mário de Sá Peliteiro,   às  13:39
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A importância da plateia 

Um dia, numa Assembleia Geral do FCFamalicão, em tempo de crise, nos tempos do saudoso Presidente Lopes de Castro, um senhor de uma certa idade, conhecido pelos seus discursos inflamados, e longos, dirige-se ao púlpito e toma a palavra:

Caros consócios!
(pausa)

Caros consócios!
(pausa)

Caros consócios!
(pausa ainda mais longa)

Caros consócios!

Subitamente, irrompe uma voz anónima da plateia silenciosa:

Vai à merda!

O orador empalidece, emudece e vai.




Lembrei-me desta história, verídica, a propósito do rescaldo do campeonato de futebol e da importância da plateia numa prestação pública.

Sabendo que num jogo de futebol a assistência, o apoio dos adeptos, é muito importante, é o chamado 12º jogador, pode dizer-se que a ausência de adeptos do Boavista no Bessa, no jogo com o SLB, seria um factor influente no desenrolar do jogo. Um factor no mínimo estranho, inusitado, uma equipa a jogar em casa, mas sem adeptos. Claro que não é um factor decisivo, não determinou o resultado com certeza.

Mas os comentadores da praça nada disseram, não relevaram aquilo que de facto não me parece normal, e não disseram, sequer, que tal facto se devia a um conluio entre as duas equipas. O conluio estava predeterminado, com ou sem provas, o Pinto da Costa é que pagava 400 mil euros aos jogadores do Boavista!

Da mesma forma uma arruaça de uns poucos marginais nos Aliados foi imediatamente transformada numa acção colectiva de adeptos do FCP. Meia dúzia de meliantes foram imediatamente promovidos a massa associativa portista.

É por estas e por outras que os troféus do FCP são tão preciosos!

Mário de Sá Peliteiro,   às  13:31
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2005

Europe Economics 

Mais um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde a uma Consultora, a Europe Economics.
Quem ganha com estes estudos são as próprias empresas de Consultoria, já que em termos de conclusões e recomendações os resultados são os do costume e os que todos conhecem.

O que é preciso é agir em conformidade. Ou seja, a verdade nua crua sobre a despesa com medicamentos:

1 - O Estado não comparticipará novos medicamentos sem que sejam evidenciadas vantagens nítidas sobre os similares existentes no mercado de preço inferior. O Estado garantirá, de facto, a qualidade de todos os medicamentos comercializados em Portugal.

2 - Os medicamentos nos Hospitais são comprados centralmente através de concursos internacionais e os seus consumos são meticulosamente vigiados.

3 - Os médicos são obrigados (sim, obrigados) a receitar com base em protocolos terapêuticos e pela designação comum internacional (DCI).

4 - As farmácias são obrigadas (sim, obrigadas) a dispensar a prescrição em DCI pelo medicamento mais barato existente no mercado.

Excepções a estas regras são detalhadamente justificadas com base em argumentos científicos objectivos.
Tenho dito.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:48
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Emprego 

Agora que, finalmente, todos que concordam que não há vida para além do défice está na altura para dizer algumas verdades, nuas e cruas.

Sobre o emprego:

1 - Os Centros de Emprego são dirigidos por comissários políticos incompetentes, nomeados por cunha.

2 - Os Centros de Emprego são incompetentes, não funcionam. Nem conseguem resolver as solicitações dos verdadeiros desempregados nem as dos patrões.

3 - Uma parte substancial dos desempregados inscritos nos Centros de Emprego não está, realmente, à procura de emprego. Vivem da economia paralela. O subsídio que recebem é um complemento "gracioso" do seu ordenado, isento de impostos.


Estando o crescimento do desemprego na ordem do dia, é bom que nos deixemos de discursos bonitos e redondos e nos habituemos a descer à realidade, enfrentando os problemas com coragem e agindo em conformidade.
Tenho dito!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:28
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Domingo, 22 de Maio de 2005

Financiamento das Universidades 

Tenho visto nos jornais um anúncio da Universidade de Coimbra promovendo um curso de preparação para o Notariado.

As Universidades devem procurar fontes de financiamento para além do orçamento do Estado, rentabilizando os meios humanos e materiais que possuem. As pós-graduações e as especializações, a formação contínua e, até, o ensino à distância são alternativas capazes de equilibrar financeiramente as instituições universitárias.

Será, presumi, o caso do dito curso para Notários.

Um corpo docente, aparentemente notável, 11 Profes e 14 Mestres e 4 licenciados para 136 horas.

Mas decididamente o aparelho do Estado não sabe fazer negócios: o custo total do curso é de apenas 1.500 euros!
Qualquer curso, sem Profes nem Mestres, de 140 horas, numa escola de formação profissional de província custa 1.500 euros.
Ou seja, ou os Profes não recebem nada pela formação que vão dar, ou então é mais uma acção que dará prejuízo - ou pelo menos nunca tanto lucro como poderia dar.

Por falar em Notários, porque não posso eu ser proprietário de um Cartório Notarial?

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:54
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O Estado contra nós 

Merece a pena ler um esclarecido texto de opinião do Presidente da ANF, Dr. João Cordeiro, no Expresso, com o título "O Estado contra nós".

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:50
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Em terra de cegos... 

Enganei-me. Estive convencido, até ao último minuto, que o FCP seria campeão. Nem me custou muito a derrota. O Porto mereceu perder o campeonato.

O SLB também não merecia ganhar. Mas ganhou. É a vida. Agora vamos ter que aturar um país em delírio durante meses... É a vida. Os clubes mais fracotes também têm o direito de ganhar, volta e meia.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:35
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2005


Mário de Sá Peliteiro,   às  19:21
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2005

Su Doku 



Não conhecia este puzzle de números. Vi hoje no jornal do Belmiro. Interessante. Experimentei e fiquei adepto.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:08
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Segundo aniversário 


O Trenguices faz hoje dois anos. Nem eu sei como tenho tanta pachorra...

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Mário de Sá Peliteiro,   às  00:00
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2005

Síndrome Mamede 

Talvez não seja a altura apropriada para o dizer, mas não se deve ocultar a realidade, não há que pôr paninhos quentes:
O Sporting não tem estofo de campeão, falta aquilo a que se pode chamar de categoria.
O Ricardo não vale pevas. É um mito com pés de barro.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:59
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Mário de Sá Peliteiro,   às  01:21
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Carta Aberta 

Comendador Sá Peliteiro

Póvoa, 18/05/2005


Meu caro José Sócrates

Serve a presente para te dar conta de uma ideia que salvará a face do teu governo no que concerne às Scut.
Sabes bem, meu caro Sócrates, que o berbicacho em que se meteram, vocês os socialistas, é de difícil solução. Por um lado, calcularás que o financiamento para a coisa não é leve; por outro lado, lá com a Vossa mania da regionalização, dos custos da interioridade e doutras larachas que copiam do nosso amigo comum Alberto João, não fica bem, agora, dar o dito por não dito. Não que isso seja novidade em Governo algum. Os paisanos que votam até já estão habituados e respingam durante uns dias, enquanto que os jornaleiros deitam umas achas para a fogueira, mas depressa se calam e esquecem. É o que vos vale, a vocês políticos, é esta falta de memória colectiva. Enfim, vamos ao que interessa.

Sendo então um problema bicudo, não podia deixar de te agraciar com a minha prestimosa e desinteressada opinião (depois tenho ali uns terrenecos, lá para cima, que queria viabilizar para construção de um resort de luxo, com uns quantos arbustos a abater, coisas sem importância, uns medronheiros, uns azevinhos, uns azereiros, mas depois falamos pessoalmente, sem telemóveis nem escritos).

Ora, pensando bem, o que poderemos fazer para arranjar um modelo de financiamento para as infra-estruturas rodoviárias que não seja a introdução de portagens?

A ideia é simples. Li outro dia num blogue que o desígnio nacional é ser um imenso casino de Far West. O gajo que escreveu isso é um trengo, bem se vê, mas assim como assim, fiquei a matutar nisso. E quem guarda sempre tem. Guardei a ideia e quando me dispus a livrar-te desta encrenca associei que dois mais dois são quatro. Brilhante.
A ideia reparte-se em duas partes, para simplificar a exposição, no seguimento de um espírito que bebe na mais pura dedução cartesiana.
Uma é, então, aquela torpe trenguice dos casinos, outra é toda minha. Já reparaste, com certeza, de que hoje em dia a atenção vale muito dinheiro. Vamos a um urinol e lá temos uma cartaz a dizer para fazermos isto, ou comprarmos aquilo. Abrimos uma página da net, sobretudo se for uma daquelas XXX e aparecem dezenas de janelinhas a que chamam pop-ups ou coisa parecida a tentar-nos com uma jogatana qualquer ou a dizer que ganhamos um prémio por sermos o visitante 10 milhões.
Juntando então dois e dois temos a solução para o financiamento para as ditas Scut e outras estradas que queiras oferendar ao povo. Concretizando:
Indo do Porto para Viana, logo ali a seguir à Exponor, começamos a meter uns cartazes enormes a dizer: Visite o fantástico Casino; Não deixe de temperar forças no magnífico motel; Massagens tailandesas a 5 km; Mé ligue, vai; Pare no templo da Igreja de Maná; Corridas de cavalos a 200 m; Novidades é no Continente; Tratamento da depressão por método inovador de inalação; Este Casino é melhor que o outro...
Ou seja, ganha-se a dois carrinhos, primeiro ganha-se uma fortuna em cartazes publicitários, depois, expropriadas as terras à volta das Scut, concessionam-se a peso de ouro a empresários que teriam algumas dificuldades com vizinhanças urbanas. Melhor, ganha-se a quatro carrinhos: olha os empregos que se geram e olha a imagem de espanto e admiração dos turistas quando depararem com o desenvolvimento e a modernidade e a abertura que se plasma nas nossas zonas, outrora, pouco desenvolvidas.
Um sucesso, um salto para o futuro de proporções gigantescas. Tens é que dizer aos tipos do SEF para fecharem os olhos à entrada de Brasileiras...

Como vês, meu caro Sócrates, nada que não se resolva, só a morte não tem solução. Todavia, podes desde já anunciar umas novas estradas, talvez uma auto-estrada de Famalicão até Barcelos, justifica-se, porque não, ajudava aos problemas de desemprego do Vale do Ave... Vais ver que assim dás um impulso precioso à nossa economia, coitados dos empreiteiros de obras públicas, já não trocam de Mercedes há seis meses, tudo vai voltar a ser como dantes, antes dessas tangas a que nos obrigam volta e meia a usar.

Tão entusiasmado estou, meu estimado Sócrates, que vou agora matutar numa ideia para resolver o teu problema do défice. 2 % não ficava nada mal, hem?...
Há. E não te esqueças do meu campo de golfe. Depois falamos.

Do teu prezado amigo, com consideração.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:05
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Terça-feira, 17 de Maio de 2005

A noite mais triste 

Esta é a noite mais triste do ano.

A noite da declaração electrónica de rendimentos.

Triste porque tão modestos os meus rendimentos quando comparados com os de uns Nobres e os de uns Pinheiros.
Triste porque o meu rico dinheirinho vai ser semeado ao vento, nunca saberei onde irá parar...

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:35
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2005

Recobro 

O Portugal anestesiado começa finalmente, lentamente, a tomar consciência.
Devagar, a letargia dá lugar a um confuso e desagradável estado de conhecimento. Portugal sente que, apesar da anestesia, os problemas se mantêm.

Ouve, parece que ao longe, a voz do anestesista: o défice é de 3; é de 4; 5; 6; 7...
Vigaristas, trafulhas - pensa - prometeram que me curavam e afinal estou na mesma!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:58
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Sábado, 14 de Maio de 2005


Mário de Sá Peliteiro,   às  13:33
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

Cães 

Não é a primeira vez que falo aqui sobre cães. Escrevo, outra vez, depois de ler o texto de hoje do Six e de ver as fotografias da sua ligação.

Tendo nascido numa aldeola rural estou habituado, desde criança, a lidar com cães e outros animais, como as vacas. Todavia, a relação de um rural com os animais, nomedamente com os cães, é muito diferente da relação que se verifica, hoje, nas cidades: beijam-lhes o focinho, partilham comida, dormem com eles... Inconcebível para mim, por muito que gostasse do meu cão!

Morando numa zona de praia, com alguns relvados e áreas de passeio, tenho algumas razões de queixa dos cães. Ou melhor, entrando no verdadeiro tema deste postal, tenho bastantes razões de queixa dos donos desses cães.

Dois exemplos:
Um destes dias, junto ao bar de praia umas criancinhas brincavam na areia, enquanto que os pais estavam na esplanada; chega um anormal com um cãozarrão, e leva-o a fazer as necessidades a poucos metros dos cachopos, lugar onde provavelmente outras criancinhas, daqui a pouco, iriam também brincar.
Um energúmeno, vizinho da rua de trás, tem um rottweiller enorme. E manda uma rapariguinha de aí 10 anos passear o animal! Ao menor sacão do cão, a rapariguita, lingrinhas, até voa... Ainda por cima vem fazer o passeio aliviante para os relvados do meu prédio...

Não devia ser permitido manter animais de grande porte em andares; não devia ser permitido fazer das ruas e dos espaços comuns autênticas retretes; não devia ser permitido andar nas ruas cães com mais de 3 Kg sem açaimo.
A bem da higiene e da saúde, a bem da segurança e a bem dos animais.

As bestas são os humanos não tenho dúvidas. Castiguem-se as bestas, não há outro remédio!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:31
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Ónus da prova 

"Os contribuintes vão deixar que ter de apresentar provas em caso de dúvidas ou faltas nas contas relativas aos impostos. Desta forma volta a ser administração fiscal a ter que provar que tem razão."

Concordo plenamente.
Com o pretexto da evasão e da fraude fiscal, o fisco tem vindo a adquirir um poder crescente que se pode tornar deveras perigoso.
Sem que se percebam sinais de diminuição na dita evasão e fraude.

O perigo maior é que as "armas" criadas para combater os prevaricadores crónicos graves sejam usadas para castigar, abusivamente, aqueles que pagam e têm dinheiro para pagar.

E tenho o pressentimento que será neste momento a tendência seguida, daí a importância de que o ónus da prova seja da responsabilidade do próprio fisco.

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:55
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2005

Zé Manel dos ossos 

Zé Manel dos ossos i

Quem Zé Manel dos Ossos, entradame sabe um apreciador e conhecedor da boa comida, modéstia à parte, julgará que as minhas preferências ficarão por restaurantes com estrelas Michelin.

Puro engano!

Um dos meus restaurantes preferidos é o Zé Manel dos ossos, em Coimbra, ali por trás do Astória. Como se pode ver pelas fotos, não é propriamente um templo de requinte mas serve uns ossos de entrada que são do melhor que há.

Na Democrática também se comem bons ossos, se bem que o conduto não seja comparável ao do Zé Manel; por isso prefere-se a Democrática para uma merenda.

Coimbra é uma cidade perfeita para passar um pacato fim-de-semana de Primavera com a família. Muito património a visitar, ruas calmas e asseadas para visitar, esplanadas junto ao rio para descansar e o Zé Manel para almoçar: recomenda-se, para além dos ossos, claro, uma sopa de pedra, depois uma morcela com grelos, ainda umas feijocas com javali, um jarro de vinho da casa e para sobremesa uma simples laranja na praia, por causa do colesterol.

Da próxima vez que lá for, à conta deste texto lido por milhares de pessoas, o Sr. Mário vai ter que me fazer um desconto, um grande desconto. Será melhor que não, ainda me acusam de tráfico de influências...
Zé Manel dos ossos

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Mário de Sá Peliteiro,   às  23:50
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Iceberg 

O país está a melhorar: antes os políticos saíam do poder e eram acusados de crimes terríveis como pedofilia; agora está bem melhor, apenas são acusados de tráfico de influências.

A sério, este país é uma choldra, felizmente, e para nosso descanso, não saberemos nunca da missa a metade?

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:29
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Terça-feira, 10 de Maio de 2005

Domados 

Basófias

O Mondego, os meus amigos do tempo de Coimbra e eu próprio estamos assim: domados.
Domados pelo tempo.
Longe vão os tempos das basófias e das bravatas. Agora, um qualquer dique vai-nos tornando calmos como um lago.

Ou talvez não, talvez seja como a velha história do pato, deslizando, no Mondego, serena e calmamente. É o que parece a quem o vê; mas abaixo da superfície não há calma, há uma grande agitação, um turbilhão...

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:04
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2005

Legionela em seis hospitais 

"Foi encontrada legionela nos circuitos de água de seis hospitais portugueses. A denúncia é da DECO"

Primeira pergunta: o que é que a DECO anda a fazer dentro dos nossos Hospitais? Não haverá serviços competentes que garantam que isto não aconteça? Que métodos de colheita usou a DECO, em que laboratório fizeram as análises (isolar e identificar Legionella pneumophila não é o mesmo que isolar uma Escherichia coli numa ITU...)?


"Em resposta, a Inspecção Geral da Saúde desdramatizou o problema e lembra que a existência da bactéria não implica a propagação da doença."

Segunda pergunta: mesmo sabendo que não se deve alarmar a população, os responsáveis do Ministério da Saúde deviam ter uma argumentação menos ridícula, menos idiota.
Não sei qual a estirpe de Legionela detectada, mas não se pode dizer de ânimo leve que seja uma simples bactéria comensal, ubiquitária até... E num Hospital não estão alojadas em veraneio pessoas lá muito saudáveis e fortes...


"Os resultados destas amostras foram comunicados a todos os hospitais em causa, em alguns casos há mais de dois meses"

Terceira pergunta: Que medidas teria tomado o Estado se o caso tivesse ocorrido numa instituição particular, indefesa, uma pequena clínica, umas termazitas, um hotel nacional?
Resposta: O Delegado de Saúde Concelhio deve assegurar que sejam tomadas as medidas necessárias para minimizar o risco de contaminação, multiplicação e dispersão de Legionella spp., prevenindo o aparecimento de novos casos.
Passadas duas a três semanas sobre a última intervenção relacionada com as medidas de controlo e minimização dos riscos de contaminação, multiplicação e dispersão de Legionella spp., o Delegado Concelhio de Saúde deve efectuar nova vistoria às instalações, sistemas e equipamentos associados ao caso, para averiguar da eficácia das medidas preconizadas, devendo o responsável pelas instalações e equipamentos demonstrar que já não existe qualquer contaminação da água e que está a implementar as medidas adequadas para prevenção e controlo da Doença dos Legionários.


Para avaliação do caricato da situação e para apreciação da gravidade deste caso leia-se a Circular Normativa nº 6/DT de 22/04/2004 - Programa de Vigilância Epidemiológica Integrada da Doença dos Legionários: Investigação Epidemiológica
.

Não basta escrever normas e programas e portarias, sentados em bela poltronas - há que trabalhar e cumprir! A Saúde vai mal em Portugal.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:19
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Não podendo sair ... 

Já conhecia o inquérito aí da blogosfera e, entretanto chegou a minha vez.
O esquema tem sucesso porque como só se deve passar a três pessoas, geralmente chega por mão amiga a que nunca podemos dizer não.
É o caso do velho amigo e companheiro de aventuras blogosféricas Dupont, alma do O Vilacondense, que teve a simpatia de se lembrar de mim. É bom quando se lembram de nós.
Por isso, vou também responder e reenviar. Responder apenas a duas perguntas e enviar apenas a dois blogues - para ser diferente (não é nada, é pura preguiça...).

Qual o último livro que leste?
Acabei mais ou menos ao mesmo tempo: "Glória" do Pulido Valente e "Memórias das minhas putas tristes" do Garcia Marquez.

Que livros estás a ler?
Estou mesmo a acabar de reler "As vinhas da ira" de J. Steinbeck e nas primeiras páginas de leitura de "Portugal hoje: o medo de existir" de José Gil.
Depois ando a fazer zapping, como de costume, por uma série de livros, dependendo da disposição.

Agora vou passar isto a dois primos: O Ricardo, do Aguamole e o Pedro do Culinária daqui e d'ali.

Mário de Sá Peliteiro,   às  14:33
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2005


Queima das Fitas, em Coimbra, é sempre um pretexto para rever velhos amigos e colegas.

Mário de Sá Peliteiro,   às  20:49
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Mário de Sá Peliteiro,   às  19:38
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Abrupto 



O Abrupto, o "pai dos blogues" em Portugal, faz 2 anos. Parabéns ao Pacheco Pereira e parabéns à blogosfera.

Mário de Sá Peliteiro,   às  18:04
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Viver na província 

Está um dia de praia fantástico. Abriu a época balnear.
Não há nada que pague morar na Póvoa. Nem sei como há quem prefira morar no Porto, cidade imunda, esburacada, degradada, com um trânsito sufocante.
Vou dar um mergulho e já volto.

Mário de Sá Peliteiro,   às  13:17
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

Azar? 

Viu a mulher na televisão, desesperada, sem conseguir e sem saber dizer nada e estremeceu, lembrando-se.

A mulher acabava de saber que o sítio onde tinha trabalhado desde os 13 anos não era mais o seu ganha-pão. Ela não sabia fazer mais nada. Uma vida no cotom. Nada a valorizava quando comparada com um Paquistanês ou um Indiano. Uma vida sem futuro.

Ele lembrou-se da sua infância, com um destino mais do que certo no mundo dos trapos. Todos os que conhecia por lá andavam, na Fábrica. Recordava-se de os ver sair de casa, manhã cedo, e de os ver voltar, pela noite, em grupos, calados, cansados, pobres.

No exame, que o professor mandou fazer, tinha brilhado. Os professores do júri ficaram encantados com aquele menino de aldeia. Quase todos os meninos eram filhos de gente boa, filhos de professores, que se tinham esforçado para que os filhos fizessem dois anos lectivos num só ano. Ele nem sabia bem o que estava a fazer, e estava admirado, sobretudo, com os lápis de cores que os acidentais colegas usavam; nunca tinha visto marcadores, nem sabia que se podia desenhar a cores, como nos livros a sério.

A habilidade dele era as contas de cabeça. Ninguém lhe ganhava. O pai, orgulhoso, levava-o para o café e fazia apostas com os amigos: ora diz lá quanto são 800 vezes 800? Às vezes combinavam-se; mas ganhavam sempre.

Quando acabou o 9º ano teve a primeira conversa de homem para homem com o pai, discutir o futuro. Com esses estudos já não vais para um tear, já te defendes bem, já podes ir para os escritórios, podes tirar carta de pesados, o que mais gostares, mas se fosse a ti continuava a estudar mais uns tempos, isto aqui na aldeia não é vida, todos a trabalhar no mesmo.

Olhou para a mulher na televisão e teve pena. Alguma culpa também. Na semana passada, no seu gabinete de director central de um banco comercial, tinha cortado o crédito dessa mesma empresa e enviado o caso para o contencioso.

Ele poderia ser ela.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:26
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Big Tap 

Bem, muito bem, a administração da TAP ao apresentar proposta de fusão com a Varig. É um risco. Mas parece-me bem pensado.

Mário de Sá Peliteiro,   às  13:48
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Terça-feira, 3 de Maio de 2005

Flop 

Portaria n.º 235/2000, do Ministério da Saúde Socialista, de 27 de Abril:

Os Hospitais Distritais da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde são estabelecimentos de pequena dimensão, com reduzida capacidade de prestação de cuidados de saúde, e situam-se, a curta distância, na mesma área geográfica.
Enquanto a região não for dotada de um novo hospital, mostra-se adequado integrar estes hospitais num centro hospitalar, possibilitando a sua articulação e complementaridade, tendo em vista um melhor aproveitamento da capacidade neles instalada e uma maior rendibilidade e eficiência na prestação de cuidados de saúde.




Governo só constrói cinco dos dez hospitais prometidos
De fora ficaram as cinco restantes propostas do governo anterior: Vila Nova de Gaia, Vila do Conde/Póvoa do Varzim, Guarda, Évora e Hospital Central do Algarve." TSF



De facto, Póvoa de Varzim e Vila do Conde não precisam de um novo Hospital!
Embora o Centro Hospitalar esteja completamente caduco, mal equipado, dividido e com problemas de falta de pessoal, não faz falta nenhuma um novo Hospital, dado por mais que certo por sucessivos governos.

Isto porque temos a Clipóvoa, um Hospital privado, onde se pagam 150 euros por dia de internamento e onde o SNS comparticipa zero!

Para o Ministério da Saúde não pode ser melhor, zero euros de despesa por cada dia de internamento.
Para o Ministério da Educação também há poupanças, já que não será necessário formar técnicos de Saúde. Importam-se.

Isto sim é socialismo!

Mário de Sá Peliteiro,   às  18:56
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2005

País real 

"Jorge Sampaio pasmou de admiração durante a viagem que fez, ontem, na auto-estrada do Norte (A1), entre Lisboa e Santarém, num carro não identificado da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana." JN

Alô, Sr. Presidente?... Nós estamos aqui, aqui, veja bem, isso, sim, aqui, aqui em baixo, no que chamam o país real.

Eu vi a reportagem na TV, vi as manobras perigosas, azelhices, abusos, estupidezes.

Mas, eu, ó mortal comum, vejo isso todos os dias. E arrelio-me, mas já não pasmo!

Por onde andam os senhores políticos?

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:54
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Diz-se Besugo, há quem diga, que o mar só é bravo porque a Costa o oprime. Outros ainda, dizem, bem sei que dizem, que o mar é bom na sua essência, e a Costa é quem desgraçadamente o corrompe.

Eu nem sou grande adepto destas teorias, muito complicadas. Acredito mais na velha máxima: mudam as larvas, a fruta é a mesma.

Quero com isto dizer, então, que não me fiz bem entender quando falei de Costas. Não é um problema de BHP (branqueamento do hiato político). Não senhor. Muito menos uma AVC (ausência visível de coerência), ou sequer uma DPCO (distorção propositada dos críticos na oposição).

É apenas má enunciação, escrita omissa, ou, genericamente, uma EAM (expressão absolutamente medíocre). Mas os leitores têm que compreender, eu não faço propriamente parte das celebridades blogosféricas, nem sequer fui expressamente linkado pela Bomba Inteligente. Portanto não se me pode exigir uma escrita tão límpida assim, de forma a que toda a gente perceba.

A culpa também não é toda e só minha. Nós, Portugueses, temos a tendência de valorizar apenas o que não é nosso e de desvalorizar as tantas coisas boas que temos, aquém e além Costa. Daí termos Cardonas e não termos nunca Mardonas.

Por isso lhe digo, terminando, na minha idade, sabendo da hipoacusia bilateral de que todos nós enfermamos, não me parece valer a pena berrar a quem por cá passou já lá vão uns tempos. Até mais, até sei que nem sequer vale a pena berrar para quem ainda por cá está. Mas que quer, está-me na massa do sangue...

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:41
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Domingo, 1 de Maio de 2005

Enganos 

Hoje sinto-me linda.

O meu penteado novo fica-me bem. Não sei se é da Primavera se é da minha nova imagem mas o certo é que parece que os homens, hoje, até olham mais para mim.

Olha este morenaço no Mercedes aqui ao lado!

Este pára-arranca no caminho para o emprego tem sido muito pouco estimulante. É assim uma espécie de olhómetro masculino - nos dias em que estou bem, muitos carros, muitos homens deslizam, devagarinho, em primeira, até ficarem lado a lado com a minha janela. Uns olham dissimuladamente, outros piscam o olho, outros, ainda mais descarados abrem o vidro e dizem coisas - umas engraçadas, outras bem mais ordinárias.
É sempre uma maneira de passar o tempo, nestas bichas intermináveis. Faz bem ao ego, digam lá que não faz.
Nos últimos tempos, julgava, parecia, que a tendência era para que cada vez menos homens se colassem à sua trajectória. Estaria a ficar velha, ou menos bonita, ou a dormir pouco e a pele mais seca.
Grande máquina este Mercedes, limpinho, luzidio, pretinho, a brilhar. Devia custar uma fortuna, mais do que os meus ordenados de 10 anos todos somados.
E ele não descola, já me acompanha há mais de um quarto de hora. É dos tímidos, nem se riu, só olha, disfarçadamente. Mas gostou de mim! Apetecia-me ser eu a abrir a janela e mandar-lhe uma piscadela de olho. Que homem fantástico, bem vestido, fato azul-escuro, camisa clara impecável, gravata clássica, escura. Deve ser executivo numa multinacional, numa dos medicamentos ou assim. Nunca conheci um assim. Deve ser interessante privar com um homem destes, ouvi-lo ao telemóvel a falar de milhões para aqui, milhões para ali, e conhecer hotéis de luxo, viajar, vidas bonitas?

Entretanto, na rotunda, ele, no potente Mercedes, acelera e avança uns metros.

Miséria, é um taxista!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:44
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