Impressões de um Boticário de Província
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Amanita muscaria

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Desde Maio de 2003

Segunda-feira, 30 de Agosto de 2004

O barco do aborto 

As minhas festas de fim de Verão são já um clássico, um sucesso que se repete de há uns anos para cá.
Uma malta animada e bem disposta passa a tarde na varanda, contemplando o mar, comendo, bebendo, dançando e tagarelando.
Para beber, um sortido alargado de bebidas light: Cerveja, Vinho verde e Champagne.
Para petiscar, apenas iguarias leves: mariscos, peixes grelhados, patés, e caviar.

O ano passado o Gasparinho disse que traria caracóis.
- Caracóis?!!!
- Nem penses, cá em casa não se comem caracóis!
- Oh, mas é um petisco divinal, apreciado por qualquer bom gourmet, imprescindível numa festa destas, tenho uma receita que me deu um conceituado chef, escargot au fenitoíne, uma delícia...
- Pá, já estou a ficar com a vista turva, percebe, a regra é esta, isto é uma casa minhota, não se comem caracóis, certo?
- Mas porquê? Isso é um comportamento indicador de uma atitude retrógrada, conservadora, avessa ao desejo de aculturação, ao novo, ao plural, ao moderno...
- Gasparinho, tu és bom rapaz, mas de uma vez por todas, percebe isto: Esta é a minha casa, para o próximo ano podes simplesmente não vir.

E lá foi ele, amuado.
Este ano convidei-o, claro, porque não? A história dos caracóis eram águas passadas, nem nunca mais me lembrei disso.

Pois não é que quando me apercebo, estava o Gasparinho, inconfundível, todo Armani, com uma enorme terrina, lá fora, no meu quintal, acenando aos meus convidados, convidando-os a provar um pitéu divinal!!!
- Gasparinho, o que é isso na terrina?
- Ora, são caracóis. Quem quiser pode vir aqui banquetear-se, não te importarás com certeza, não estou em tua casa, não me digas que te incomoda até o cheiro.
- Ah malandro. SeManel, SeManel, solte, rápido, os três mastins e atice-os a este homem, que não o quero ver cá nunca mais!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:34
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

Nuno Cardoso 

"Nuno Cardoso afastado da administração das Aguas de Douro E Paiva."
Já não era sem tempo. Pior que uma lapa amarrada a um tacho!

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:15
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Mixórdia 

Há assuntos que depois de remexidos se transformam numa mixórdia tão nauseabunda que simplesmente me deixam de despertar interesse.
Por acaso é o caso do caso Casa Pia.
Talvez seja isso que se pretende, que as pessoas deixem de prestar atenção.
Depois das K7, surge hoje a polémica do desembargador que é próximo da socialite.
Quem quiser pormenores sórdidos visite o blogue Do Portugal Profundo.
O que virá a seguir? Alguma vez saberemos a verdade? Os absolvidos estarão inocentes?

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:10
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004

Abominável 

Nada mais abominável, detestável, execrável, odioso, nefando, pungente, insuportável, ascoroso, lancinante, irritante, desagradável, incomodativo e aflitivo que ver o - E agora esqueci-me do nome! Aquele que veste de branco e vive no Brasil. Que dava uns saltinhos no palco, muito piroso. Não, não é o Marco Paulo - Isso o Roberto Leal - que ver o Roberto Leal a cantar o Hino Nacional numa versão comercialona. Vade retro.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:52
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Obikwelu 

Lamento muito ser desmancha-prazeres mas uma medalha Olímpica pelo Obikwelu não me provoca a mesma satisfação que uma medalha do Jaquim ou do Zé, nascidos e criados cá na terra.
Não me falem em xenofobias e racismos.
Simplesmente ser naturalizado não é o mesmo que ser natural. Para mim.
Bem sei que isso acontece em todos os países, que os países mais ricos captam grandes quantidades de jovens promessas em todas as áreas, etc. Posso ser um velho do Restelo mas não concordo; ponto final.
No entanto dá gosto vê-lo correr; pressente-se um campeão; o rapaz é bom. Venha a medalha.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:30
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004

Antigo 

Alguém me disse que o Zé Sócrates foi estudante de Coimbra.
Não tem nada aspecto disso. Um antigo não vinca assim as calças, nem está sempre a fazer citações, e volta e meia não faz a barba... Hummm...

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:16
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Secretárias 

Não apanhei bem a notícia, mas era o Sócrates a dizer que nunca fez não sei o quê a umas secretárias, nas águas...
Olha, agora é o Jorginho Moreira da Silva, velho companheiro e amigo, nunca mais estive com ele, está com bom ar, bom rapaz, já quando ele tinha 18 anos eu dizia que ele havia de ir longe.

A vantagem da SIC notícias e da TSF é que as notícias se repetem, permitindo-nos ir captando, progressivamente, em estratos, ao longo de toda a noite.

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:12
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Manel 

Ó Manel Alegre o que é que tu andas praí a fazer? Não achas que estás na foto errada? Vai pra casa home!

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:10
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2004

Infância parva 

Querias ter mais um irmãozinho, querias?
Não, prefiria ter um cão, um dálmata!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:39
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À Benfica! 

Viva o glorioso (Anderlecht).

"Pró ano é que é!... Falta-nos um D. Sebastião. Fora o árbitro. A culpa é do sistema."

Queriam o quê? Ganhar ao Anderlecht? Vá, contenham-se, juízinho, isto é para campeões...

P.S. Trapattoni não é uma "velha raposa", é uma "muito velha raposa".

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:38
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Saleiro 

Porque aparecerá tantas vezes na TV o António Saleiro, o da Associação dos Gasolineiros. Só hoje, num telejornal, apareceu duas vezes a discorrer sobre dois temas diferentes... Hummm...

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:33
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Agosto 

Agosto é uma calmaria.
O país está adormecido. No entanto funciona. Prova de que em todo o lado, empresas e instituições, públicas e privadas, há pessoal a mais, excedentário. Não se poderá concluir assim - mas dá que pensar...
Trabalhar em Agosto é como viver num universo paralelo. Ouvimos os ruídos de festa, vemos os movimentos dos transeuntes, em trajo leve e descontraído, pressentimos a animação e o ambiente alegre, mas nós não fazemos parte desta comunidade. Passamos entre eles, como espectros, num irreconhecimento mútuo.
Não é mau de todo.
Causa apenas alguma ansiedade; assuntos que não se resolvem, boas notícias que tardam, novidades agradáveis, coisas que acontecem, que condimentam o dia a dia - boas e más, claro - agitação, acção, reacção, prevenção, sempre alerta, para o que der e vier, orelhas arrebitadas!
Agosto é uma longa espera. Lexotan, Valium, Xanax! Em Agosto nada Acontece!

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:25
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Domingo, 22 de Agosto de 2004

Fidelidade 



Lê-se aqui que:

"Quem já visitou Cuba, como o fiz há uns tempos, não pode deixar de ficar impressionado com a pobreza e a miséria que constituem uma constante por onde quer que se vá. A mendicidade, oculta, prolifera, bem como o mercado negro..."

Eu diria mesmo mais:
Quem já visitou Cuba...

A Revolução já não entusiasma nem um Cubano. Se pudessem sair, Fidel haveria de ficar a discursar, sózinho.
Como pode um povo compreender e aceitar viver como eles vivem? Como podem 12 milhões de pessoas suportar um regime em que os homens são obrigados a pedir e as mulheres a oferecer?

Havana

Mário de Sá Peliteiro,   às  19:21
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2004

Nathalie 

Era tarde, noite de Verão, na Póvoa, vagueando pela rua, em grupo de rapazes amigos.
Há muitos anos atrás.
Viram uma rapariga, linda como a actriz deste filme, olhos azuis cabelo preto, diferente, estrangeira certamente, sim, língua maravilhosa, o Francês.
Conheceram-se.
Todos apaixonadíssimos. Nathalie, oh Nathalie...

Ela num Francês encantador: Oh, mais non, les Portugais, parece que só vêem mulheres no Verão.
Deus te ouça, Deus te ouça...
Nathalie

Mário de Sá Peliteiro,   às  00:21
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004

Uma questão de empenho 

Embora muitas vezes me irrite, espirre canivetes, estrebuche, disparate e maldiga Portugal e seus indígenas, a verdade é que, no fundo no fundo, acredito bastante nas capacidades desta "raça". Temos é muitos defeitos...
No que nós somos bons é na criação de minhocas - lembram-se desse negócio? - que dá muito dinheiro e não dá trabalho quase nenhum.
Quando nos empenhamos numa determinada área até conseguimos ser bons. Pena é que quase nada valha o nosso empenho.

No âmbito do Desporto:
"Adoro desporto" - disse ele; "O meu principal passatempo é o desporto" - diz este; "Vivo para o Desporto" - disse aquele. E então que desporto praticam? "Bom, bem, portanto, ora, pois, não é fazer, é ver, ler, ouvir, sabe como é, no sofá, gostava de ter sido jogador de futebol, está a ver, ganhar rios de dinheiro, jogador da primeira, claro, viajar, ser aplaudido por 120 mil pessoas, gritando o meu nome" - dizem todos. Mas, em criança, alguma vez, treinou? E outros desportos? Não gostava de ter sido atleta de uma outra modalidade, competir, ir aos jogos Olímpicos?

Desviei-me um pouco da proposta inicial da minha tese - lá está, sou Português, um calaceiro de primeira, qual escrever teses, é muito mais fácil imaginar um diálogo com um ou dois Portugas, mesmo que o assunto divirja um bocadito - mas o que queria dizer (resumidamente) é:
A participação de Portugal nos Jogos Olímpicos é um fracasso porque ninguém - desde as mais altas instâncias políticas ou educativas aos cachopos da escola - dedica a mínima atenção à prática do desporto e à formação de atletas; excluindo, obviamente, o futebol, não o futebol como desporto, antes o espectáculo grandioso e mediático, em que todos sonham participar e ser actores.
Se a energia de um povo, deste, fosse deslocada, repartida, por outros desportos, com certeza teríamos mais medalhas em Atenas. Também, se nos dedicássemos mais à investigação teríamos mais e melhores cientistas, se mais às artes teríamos mais pintores, etc, etc.

A propósito, amanhã lá estaremos em Coimbra, mais uma taça para o FCP!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:24
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Casa de 3 

Um restaurante a registar, muito interessante, promete ser palco de umas boas jantaradas. A inauguração foi hoje; ambiente muito agradável e simpático, como não poderia deixar de ser, ou não fosse o velho amigo Tózinho um dos donos e anfitriões.
É o Casa de 3, e fica no largo da Igreja de Cedofeita e da Faculdade de Farmácia, não muito longe da Farmácia da Boa Hora.
Recomendo. E de restaurantes e boa comida percebo eu!
casade3@sapo.pt - 222 010 057

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:12
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Uma pessoa sente-se só!
Hoje não recebi nem um mail! Nem um! Nem sequer um vírus ubiquitário se lembrou de se dirigir aos meus endereços...

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:09
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2004

Sonhos 

Não sou muito de sonhos.
Não dos sonhos que comandam a vida, dos que fazem o mundo pular e avançar, pois desses ainda vou tendo alguns.
Falo dos sonhos sonhos, durante o sono, fisiológicos, isso, sonhos.
Esta noite, talvez por causa do jet leg ou do cansaço, acordei a meio do sono e vi-me envolvido numa complicada e tensa trama policial, algo assustadora. Era um sonho ainda bem fresco na memória. Coisa rara em mim que, como já aqui disse, muito raramente me lembro dos sonhos que eventualmente terei.
Mas o importante da coisa é que fiquei deitado, insone, a rever a enredo da acção e espantei-me com aquilo que criara o meu lado além consciente. Era um história a modos de Agatha Christie - que há já muito não leio - rica em personagens e complexas interacções de factos. Espantoso. Fiquei com a sensação de que nunca conseguiria imaginar uma intriga assim no estado de vigília. E no entanto lá estava ela, ali, condenada ao esquecimento daqui a mais meia hora, menos meia hora.
Assim foi, já não me lembro de nada.
Já tinha a impressão que de noite penso melhor que de dia. Este blogue é exemplo disso, os textos aqui escritos que mais gosto foram escritos à noite, tarde. Nos períodos em que me deito mais cedo isto resvala para o bocejo.
Estamos numa fase dessas. Vou começar a levar o PC para a cama!

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:49
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Aguamole 

Bem aparecido o blogue AGUAMOLE editado a partir da Póvoa pelo Ping e pelo Pong, sendo um deles o primo - não posso dizer, não sei ainda se é anónimo.
Como o nome prenuncia será um projecto para durar; assim espero; serei leitor atento.

Mário de Sá Peliteiro,   às  23:40
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Mania 

Será mania da perseguição ou o Charley está a chegar aqui? Que vendaval...

Mário de Sá Peliteiro,   às  19:36
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2004

Lar doce lar 

Depois de longa ausência - pelo menos a mim pareceu-me... - cá estamos de regresso a casa.
O Charley baralhou-me as férias.
Por um lado foi bom ter uns dias mais de férias, gratuitas, e viver a experiência de um hurricane, desde a preparação e espera até à bonança.
Por outro lado foi mau, toda aquela confusão e uma viagem longa e atribulada.
Os mosquitos estavam terrivelmente assanhados e as Agências de Viagens Portuguesas (pelo menos a Abreu) foram incapazes de fretar um avião para repatriar os muitos turistas Lusos (A maior parte ainda lá estará, uns contentes como cucos outros com urgência de regressar).
Enfim, estafado, cheguei às 9 e ainda fui trabalhar, amanhã, se me apetecer, relato mais pormenores, para mais tarde recordar.

Mário de Sá Peliteiro,   às  22:54
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004

Charley 

Ferias á for,ca!
Por muito que o sentido da responsabilidade profissional nos incomode, cá estamos nós sofrendo os efeitos do furaca?o Charley. Esperando que nos evacuem para a Santa terrinha...

O furac?ao passou esta noite, depois de uma espera, em estado de prevenc,a?o, de mais de 24 horas.
Afinal um furac?ao n?ao é nada de especial, quando comparado com uma tempestade de ventos norte na Póvoa. Agora percebo porque os marinheiros Portugueses sa?o ta?o destemidos! Além disso, faz parte do plano de prevenc,a?o na?o beber nem pinga de álcool. Claro; assim é ainda mais difícil enfrentar um furaca?o, sem rum na?o é nada fácil...

Agora vou prestar apoio psicológico ás turistas traumatizadas após uma noite de medo. O dever chama-me!

Mário de Sá Peliteiro,   às  16:03
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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2004

Tudo na mesma como a lesma 

Entre um daiquiri e um mojito la arranjei tempo e paciencia para ver como estava o mundo.
Nada de novo, tudo na mesma como a lesma...
Isto de estar de ferias e uma agitacao, um stress, nao da tempo para nada. Tenho que ir, tenho uma aula de vela...

Mário de Sá Peliteiro,   às  21:07
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