Os juízes zangaram-se com os advogados.
Os médicos zangaram-se com os farmacêuticos.
A semana do corporativismo.
O conselho regional do Norte da Ordem dos Médicos pagou a publicação, neste fim de semana, em vários jornais, de um comunicado (Medicamentos – Informação aos Portugueses) onde se mostra muito ofendida com a publicidade da Associação Nacional das Farmácias,
ANF, que tem passado na rádio e na TV.
E aproveitam para dizer que o Ministro da Saúde foi assalariado do Grupo Mello, onde a ANF tem uma participação. Insinuam então, que é por causa disto que as Farmácias recebem juros do estado, se o pagamento que lhes é devido não for efectuado dentro dos prazos acordados. Ou de outra forma, o Ministro é desonesto, não zela pelos interesses do Estado e dos contribuintes, e não cumpre as funções para as quais foi nomeado; é um mercenário. Isto parece-me grave, muito grave mesmo.
Já não é a primeira vez que sectores da classe médica lançam umas atoardas do género. Como é possível que uma classe socialmente prestigiada, com elementos de grande categoria, tenha dirigentes deste calibre: O Miguel “traquinas” Leão, da secção do Porto, tem sempre aquela cara de quem foi enganado e abandonado pela mulher na noite anterior ; o António “Guronsan” Bento do S.I.M. tem sempre aquela cara de quem está com uma ressaca brutal. Não há quem os cale e remeta para a sua insignificância?
Quanto à campanha dos farmacêuticos, os Srs. Drs. Médicos tem que se habituar à ideia que já não são os unicos detentores do saber, como no tempo da outra senhora, onde tudo o que dissessem era dogma. Agora o povo já sabe ler, as fontes de informação são variadas e acessíveis, e por outro lado há farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros licenciados, bioquímicos, biólogos, físicos, nutricionistas…, os conhecimentos evoluíram, ninguém sabe tudo, e a ciência é cada vez mais multidisciplinar. E tem que saber que, por acaso, os farmacêuticos são uma classe muito bem organizada, trabalhadora, dinâmica e actualizada, com uma geração emergente bem preparada, com pós graduações em genética, biologia celular, virulogia (a cientista que isolou pela primeira vez o HIV2, era portuguesa e farmacêutica – Odete Santos), análises clínicas, saúde pública, MBAs, administração hospitalar, etc, etc. A campanha mais não faz que despertar as atenções para a evolução destes profissionais, que garantem o único sector da saúde que reconhecidamente funciona bem.
Quanto ao dinheiro que nós ganhamos e à invejazinha baixa, revelada por alguns destes médicos quando dizem que nós conhecemos bem é a margem comercial dos medicamentos, o que tenho a dizer é: trabalhem e estudem mais, deixem de ser dependentes da função publica, invistam e arrisquem, organizem-se em vez de se guerrearem e, acima de tudo, deixem de tratar os doentes como carneiros. Assim ganharão mais e poderão deixar de estar sujeitos à esmola dos laboratórios que vos pagam umas fériazitas e vos dão umas panelas de pressão e uns brindes ridículos.
P.S. Sabem como se distingue um médico muma bancada de futebol? Atira-se uma esferográfica, o que saltar para a apanhar é médico.